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Bancos digitais: como escolher a instituição ideal para você?

Bancos digitais: como escolher a instituição ideal para você?

Foi-se o tempo em que poucos bancos eram os protagonistas na vida financeira da população brasileira. A cada dia surgem mais opções de instituições digitais disponíveis para os consumidores. No período de apenas um ano, entre 2017 e 2018, o número de novas empresas na área deu um salto de 147%, de acordo com dados de uma pesquisa encomendada pelo BTG Pactual.

Feita a pedido do hub de negócios do banco de investimentos, a pesquisa “A revolução dos bancos digitais 2020” mostra ainda que a população brasileira aderiu fortemente à essa tendência. O Nubank, um dos principais players do setor, registra uma média de 50 mil cadastros por dia. O Banco Inter, outro grande do segmento, atingiu a marca de 4 milhões de clientes no final de 2019.

Para a planejadora financeira Annalisa Blando, a pandemia de covid-19 facilitou ainda mais a adesão. “As pessoas não querem mais perder tempo indo ao banco, com aqueles horários restritos que não fazem mais sentido para a vida moderna”, aponta.

Porém, como os consumidores podem decidir qual banco digital é o melhor para suas necessidades entre tantas opções disponíveis?

Um banco digital para chamar de seu

A planejadora financeira, que também é fundadora e CEO da ParMais, uma empresa de gestão patrimonial, explica que o que define a escolha é o perfil dos clientes e os serviços oferecidos por cada instituição. “A conta muitas vezes pode ser só um meio de pagamento, um cartão de débito que alguém cadastra, coloca o seu dinheiro e operacionaliza por ali os gastos sem custo algum”.

“Abri uma conta no digital no Inter, principalmente por influência de youtubers de finanças, para fugir de taxas”, explica Guilherme Portilha. O funcionário público, que começou a fazer investimentos na época da abertura, explica que transferências via TED para corretoras eram cobradas pelo seu banco tradicional. “A princípio, o Inter era um banco ‘ponte’ onde eu colocava dinheiro e mandava para outro lugar”.

Os bancos digitais agilizam as operações e geram economia para os consumidores

A ausência de cobranças de manutenção mensal e tarifas para a realização de pagamentos, transferências via DOC e TED e depósitos por meio de boleto bancário são algumas das muitas semelhanças das empresas mais conhecidas do setor. Ademais, muitas delas também fornecem cartões de crédito sem anuidade.

Conheça taxas e serviços

As principais diferenças dos bancos digitais encontram-se em fatores como o oferecimento de saques gratuitos, aplicações financeiras e programas de recompensas e cashback, além de outros recursos adicionais. O C6 Bank, por exemplo, fundado em 2018, oferece uma conta global que guarda o saldo de dólares dos clientes e a “C6 Taggy”, ferramenta gratuita para pagamento de pedágio na qual o valor é debitado diretamente da conta digital.

Entre as bandeiras de cartões de crédito, existem ainda modalidades diferentes, como os tradicionais, platinum e black, que cobram anuidade, mas oferecem vantagens aos clientes. “Os benefícios oferecidos podem ser interessantes, mas eu vejo que poucas pessoas os utilizam. Então a escolha está condicionada ao padrão de vida de cada pessoa e o que elas fazem com esses benefícios”, aponta a planejadora.

Para a decisão final, Blando também indica uma pesquisa mais aprofundada nos mecanismos de busca online sobre o histórico das empresas e opiniões dos usuários: “Alguns bancos digitais ainda não estão prontos para oferecer uma boa experiência, em termos de usabilidade”.

Banco Cobrança de manutenção Taxa de saque Anuidade no cartão de crédito Bandeira
Nubank Não R$ 6,50 Não Mastercard
Inter Não Não Não Mastercard
C6 Bank Não Não Não possui no Cartão C6; 12x de R$ 85 no Cartão Carbon, que equivale ao black Mastercard
Neon Não Primeiro grátis; R$ 6,90 por saque extra Não Visa
PagBank Não R$ 7,50 Não Visa ou Mastercard
Next Não Não Não Visa
Agibank Não Quatro gratuitos por mês; R$ 6,49 por saque extra Gratuita por 12 meses; após o período, R$4,99 por mês Mastercard
SpaceBank Não R$ 5,99 Não Mastercard

Conheça serviços e tarifas de algumas empresas do setor

Investimentos direto na conta

Desde o dinheiro que rende automaticamente na conta corrente até aplicações em renda fixa, fundos de investimentos e renda variável, os bancos digitais também oferecem diferenciais para o consumidor que não quer recorrer às corretoras. Esse foi o caso de Guilherme Portilha: “Neste ano passei a investir na bolsa e estava gastando muito com taxas de corretagem. Então voltei a usar o Inter, que tem um home broker no app”.

Em alguns bancos digitais é possível fazer diversos tipos de investimentos direto do app

Além dos investimentos, existem ainda iniciativas que vão além e oferecem recursos que ultrapassam os limites bancários e se aproximam mais da educação e gestão financeira. É o caso do SpaceBank, aplicativo lançado pela SpaceMoney neste ano.

O CEO da SpaceMoney, Fabio Murad, conta que todos os investimentos, seguros e crédito oferecidos pelo app têm propósito. “Nos próximos meses teremos também uma ferramenta de check up financeiro e seremos o primeiro banco digital com foco em planejamento financeiro”. 

Digital: maior competitividade vira tendência

Até mesmo entre os bancos tradicionais, os meios de uso online conquistam a simpatia dos usuários. Uma pesquisa divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que as transações por canais digitais representaram 63% das operações no ano passado. Quando são considerados apenas os aplicativos móveis, o índice é 44% sobre todas as operações realizadas no Brasil.

O surgimento de diversas instituições, principalmente fintechs, oferecendo contas digitais favorece a competitividade e, consequentemente, o consumidor, segundo Blando. “ Elas provocam mais concorrência e, consequentemente, menor preço e maior usabilidade para os clientes”.