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Possível lockdown nacional seria benéfico a médio prazo, aponta economista do Mackenzie

Para o especialista, benefícios, como o auxílio emergencial, são essenciais aos mais afetados pelos efeitos das medidas de restrições

30 março 2021 - 16h46Por Guilherme Roque

Com o aumento recente dos casos e mortes provocadas pelo novo coronavírus, se discute a possibilidade de haver um “lockdown nacional” no Brasil. A medida teria grande impacto no curto prazo a trabalhadores que precisam de locomoção, mas “renderia frutos” a médio prazo para a economia do país. Essa é a avaliação do economista e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Josilmar Cordenonssi. Porém, para ele, benefícios, como o auxílio emergencial, são essenciais aos mais afetados pelos efeitos das medidas de restrições.

No dia 23 de março, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou um boletim em que defende a aplicação de um “lockdown” no país por, pelo menos, 14 dias. Além disso, a entidade também pediu a adoção de outras medidas como um toque de recolher nacional entre 20h e 6h, redução da lotação nos transportes coletivos urbanos, ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, entre outros.

“A curto prazo, especialmente para quem depende de mobilidade para trabalhar e ter renda, vai ter impacto. Precisaria, então, ter apoio governamental, com auxílio emergencial, cesta básica… De alguma forma o governo central, assim como o governo estadual e prefeituras, poderiam atenuar o sofrimento dessas pessoas, que vai ser grande”, explica Cordenonssi.

Os analistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação para 2021 pela décima segunda semana seguida e também projetaram um crescimento menor para o PIB no último boletim Focus, divulgado na segunda-feira (29) pelo Banco Central.

No documento, a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, aumentou de 4,71% para 4,81%. Já a estimativa do PIB passou de  3,22% para 3,18%.

“Mesmo sem lockdown e sem o apoio do auxílio emergencial, a gente tá vendo a economia patinar e até cair. A expectativa para o primeiro e segundo semestre é que você tenha uma queda no PIB em relação ao trimestre anterior por conta da lentidão na vacinação e falta de confiança em manter lojas abertas e o consumidor também não ter confiança de sair e comprar”, afirma.

A expectativa para este ano é que não haja recuperação da economia aos níveis pré-pandêmicos, mesmo com o processo de vacinação. Para Cordenonssi, o país só apresentará melhora nos indicadores macroeconômicos em 2022, quando a pandemia já estiver mais controlada.

Ainda segundo o boletim Focus, para 2022, a previsão para o PIB foi alterada de alta de 2,39% para 2,34%. Há quatro semanas, a expectativa estava em 2,50%. Ontem, o Banco Mundial informou que a sua previsão é de que o PIB brasileiro cresça 3% em 2021, abaixo da média prevista para a América Latina, de 4,4%.

“Mesmo no começo do ano, a expectativa era de crescimento de 3% a 4%, mas caiu cerca de 4%. No momento que você cai 4% e sobe 4%, você vai estar em um nível mais abaixo, ou seja, não recuperou o nível anterior à pandemia. Então, até na visão otimista do início do ano, que você tinha um número de mortes e novos casos relativamente baixo, já tinha uma visão que não ia recuperar o patamar antigo. Isso vai acontecer, se tudo der certo, em 2022”, diz.

Não é só a vacina

Josilmar explica que mesmo após o Brasil alcançar um nível de vacinação satisfatório, isso ainda não significaria uma plena atividade econômica. Isso porque, a exemplo de outros países ao redor do mundo, a preocupação com novas cepas da doença obriga a população a manter as medidas de restrição por mais um tempo.

Em debate com representantes do Ministério da Saúde realizado no dia 4 de março, O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, defendeu que as medidas de combate ao novo coronavírus, como o uso de máscaras e distanciamento social, deverão ser prioridade "por muito tempo".

“Essa volta é monitorada com muito cuidado, porque a ameaça é se tiver uma variante nova do vírus que seja imune à vacina. Esse risco existe e pode pôr a perder todo esse esforço [de combate à pandemia]. Então os países estão mais responsáveis, indo muito devagar nessa volta, mesmo com a população vacinada. A coisa está indo devagar e sendo monitorada para ver o que pode acontecer”, afirma Josilmar.

Inflação, Selic e câmbio

Cordenonssi afirma que a alta da Selic de 0,75% para 2,75% ao ano não deve afetar a recuperação econômica, pois ainda está bem abaixo da inflação. Para ele, grande parte do aumento da inflação é decorrente da alta do dólar, causada, principalmente, pela má gestão do governo federal no combate à pandemia.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA-15, que abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, apresentou alta de 0,93% em março, 0,45% acima de fevereiro, de 0,48%. Esse é o maior resultado para o mês de março desde 2015, quando o índice foi de 1,24%.

“Em termos de inflação, a Selic não vai afetar muito enquanto o câmbio, o dólar, estiver muito alto. A pressão da inflação está vindo do câmbio”, diz. “Combater o câmbio com juros não é o nosso modelo, a gente não tem meta para taxa de câmbio, a gente tem meta de inflação, e esse modelo se mostrou bastante eficaz. O câmbio responde mais aos nossos erros de estratégia de combate à pandemia”, completa.

Como fica a Bolsa?

Com um possível lockdown nacional, os setores de serviço, mais especificamente os ligados ao turismo, como companhias aéreas e hotelaria, podem apresentar maiores perdas nas ações, na visão de Josilmar.

“Elas [as companhias aéreas] podem ser mais uma vez impactadas por isso. Mas eu acho que isso já está mais ou menos no preço, acredito que o valor já está bem baixo, mas elas estão tendo prejuízos contínuos. Quem sente mais é quem tinha voos internacionais, esses caíram mais ainda do que os voos nacionais. E começa a correr o risco de que com a piora da pandemia as empresas quebrem”.
 

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