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Investimentos ESG caíram menos no pior da pandemia, diz Morgan Stanley; analistas indicam como hedge

Especialista diz que esses ativos podem ser uma espécie de proteção aos investimentos

19 maio 2021 - 16h31Por Guilherme Roque

Resumo da matéria:

 Estudo do Morgan Stanley mostra que fundos ESG nos EUA apresentaram desempenho melhor que seus pares no 1º semestre de 2020 

 Analista diz que a característica de hedge desses fundos é “forte” e “duradoura”

 A recomendação é que os investidores tenham empresas avançadas na agenda ESG em seu portfólio

A agenda ESG (governança ambiental, social e corporativa, na sigla em inglês) já está sob os holofotes dos investidores há algum tempo. Mas, agora, a conclusão de um novo estudo pode fazer com que os ativos “sustentáveis” ganhem ainda mais a preferência das pessoas.

Segundo pesquisa do Morgan Stanley, banco de investimentos norte-americano, fundos com características ESG tiveram desempenho melhor que seus pares no primeiro semestre de 2020, período inicial da pandemia da Covid-19 em que houve a maior interrupção de demanda e produção nos países mais atingidos pela doença. E isso, de acordo com analistas, indica que esse tipo de investimento teria maior resistência a crises.

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O estudo “Realidade Sustentável: 2020 Update” analisou, de janeiro a junho de 2020, o desempenho de mais de 1,8 mil fundos de investimento e fundos de índice (ETFs) nos Estados Unidos e mostrou que o retorno médio de fundos de ações e de renda fixa que seguem critérios ESG superaram a rentabilidade de aplicações semelhantes sem esses atributos. 

Na análise, ambos os tipos de fundos de ações (sustentáveis e não-sustentáveis) tiveram retornos negativos; mas, enquanto os fundos verdes caíram 4,8% no período analisado, os tradicionais tiveram queda de 8,7%. Na renda fixa, a lógica se manteve: os fundos ligados a características ESG tiveram retorno médio de 3,2%, enquanto seus pares performaram 0,9%.

 
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Essa realidade abre as portas para um fator bem cobiçado pelos investidores: a possibilidade de que esses fundos ligados à agenda ESG possam ser utilizados como ativos hedge (de proteção) na composição das carteiras.

Abrigo seguro

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, a aplicação em empresas que prezam por temas de sustentabilidade, e que podem “performar” em períodos de maior estresse, é uma tendência “duradoura” e “forte” no mercado. A explicação para isso é que essas empresas, justamente por seguirem boas práticas nas esferas social, ambiental e de governança corporativa, têm mecanismos que as protegem de sofrerem maiores danos em períodos de “tormenta”.

Redução dos impactos ambientais e sociais, por meio de ações como tratamento de resíduos e programas de relacionamento com comunidades, e programas anticorrupção são alguns exemplos que acabam trazendo retornos positivos para a sociedade e para a própria empresa, que consegue minimizar riscos e prejuízos e aumentar seus lucros.

“Os caminhos são múltiplos. Tanto por parte das empresas que querem fazer negócios com outras empresas que também prezam por valores convergentes, quanto para os clientes que vem se importando cada vez mais com a agenda de sustentabilidade das companhias”, diz Arbetman.

“Eu vejo uma evolução natural não só na procura fundos com essa agenda de sustentabilidade forte, como também no aumento do leque de opções disponíveis””, completa.

Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos, pondera que, no Brasil, ainda há poucas opções no mercado de fundos ESG e diversos pontos a “evoluir”, mas ressalta que em um período de tempo mais longo esses ativos trazem bons resultados.

Um ponto que a especialista chama atenção é que ainda não há evidências de que no país esses fundos tenham, de fato, um comportamento superior. Ainda assim, ela se mostra otimista quanto ao futuro desse setor.

“Se espera que o desempenho [desses fundos] seja superior no longo prazo, que sejam mais consistentes ou resilientes”, afirma. “Primeiro, porque se essas empresas adotarem uma gestão de risco mais eficiente, anteciparem ações regulatórias ou acessarem novos mercados, devem maximizar os lucros. Ao mesmo tempo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das sociedades em que atuam, passam a ter uma boa reputação e valoriza sua marca”.

Investir ou não investir, eis a questão

Um dos questionamentos que surgem ao investidor é se ativos com características “verdes” valem – ou não – a pena de terem em sua carteira. O panorama dos dois especialistas ouvidos pela SpaceMoney é de que, no futuro, a grande maioria dos investidores tenham empresas atreladas à agenda ESG em seu portfólio.

“Com o passar do tempo, e com a evolução desse mercado, vai ser cada vez mais complicado você não ter alguma parte do seu capital investido em uma companhia que tenha uma agenda ESG forte”, diz Ilan.

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Mesmo assim, como qualquer ativo, o retorno não é garantido e o conselho é que não se deposite “todas as suas fichas” nessa estratégia. Isso porque, como qualquer investimento, há riscos a serem considerados. Até mesmo companhias que têm mostrado um impacto positivo na questão da sustentabilidade merecem uma “investigação” mais profunda antes de um aporte.

“A diversificação é sempre uma boa estratégia. Como as opções em fundos que integram os fatores ESG na sua análise e seleção de ativos ainda são limitadas, acho importante começar a olhar, até para aprender a identificar o que é engajamento efetivo ou maquiagem, apenas para ficar bem na foto.”, explica Sandra.

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