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Alta da Selic, ciclo de retomada, commodities: como investir bem agora

Títulos pós-fixados, como o CDI e Tesouro IPCA+, voltam ao radar dos investidores

27 maio 2021 - 13h15Por Guilherme Roque

Resumo da matéria: 

• Analistas rencomendam o investimento em renda fixa pós-fixada

• Na renda variável, a dica é ficar de olho no setor de commodities

• A regra de "ouro" é diversificar a carteira

A vacinação contra a Covid-19 está ocorrendo e com ela vem, aos poucos, a volta ao “normal”. Com isso, muitos investidores passam a se perguntar onde devem alocar seu dinheiro: renda fixa, ações, FIIs, criptos?

Antes de mais nada, é preciso ponderar alguns fatores. Apesar de a pandemia já apresentar sinais de que há uma “luz no fim do túnel”, as instituições ainda estão cautelosas quanto ao futuro econômico do país. O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central (BC), por exemplo, aumentou a taxa básica de juros, a Selic, duas vezes somente neste ano, para 3,5%. 

O movimento de alta na Selic indica uma preocupação do BC em manter os preços estáveis ou mais baixos, como uma consequência do controle da inflação. A entidade já até deu uma sinalização de que irá realizar mais um aumento na sua próxima reunião, em 15 e 16 de junho de 2021.

Apesar dos efeitos macroeconômicos, o aumento da Selic é um grande aliado do investidor conservador – aquele que não gosta de correr tanto risco na hora de investir – e abre portas para uma maior rentabilidade nos títulos de renda fixa.

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Os especialistas ouvidos pela SpaceMoney apontam que os títulos pós-fixados, principalmente os atrelados à Selic ou ao CDI (índice que cuja variação segue próxima à Selic) são boas apostas nesse momento do ciclo de altas da taxa de juros. 

Atenção à renda fixa

Diversas instituições têm expectativas de que a Selic termine o ano ainda mais alta. O último boletim Focus, divulgado no dia 24 de maio, por exemplo, projeta a Selic a 5,5% até o fim de 2021. Já o J.P. Morgan elevou sua projeção para a Selic no fim deste ano de 5,50% para 6,50%.

Rodrigo Beresca, analista da Ativa Investimentos, diz que os títulos atrelados ao CDI podem ser um dos ativos mais interessantes neste momento, pois ainda é possível encontrar no mercado alguns títulos que não sofreram a correção de alta da Selic e que ainda estão com rentabilidade alta, de quando a taxa estava na mínima histórica.

“Quando a Selic estava mais baixa, na casa dos 2%, alguns emissores, para deixar sua taxa mais atrativa, colocaram a rentabilidade dos seus ativos mais elevada. Por exemplo, havia emissões bancárias que pagavam 150% e 160% do CDI. O aumento da Selic também foi refletido na rentabilidade do CDI. Logo, esses emissores vão pagar essas taxas um pouco mais para baixo”, afirma

“Mais para a frente não vai ser mais possível a gente encontrar títulos que remuneram 150% ou 160% do CDI, mas a gente ainda consegue encontrar agora alguns títulos que estão nessa taxa, e que ainda não sofreram atualização”, completa.

Deixando um pouco de lado o charme dos títulos pós-fixados, outros títulos que podem ser “saborosos” são aqueles atrelados ao IPCA (Índice Nacional de Preços), a inflação oficial do país. No momento, eles podem render mais do que aqueles que seguem a Selic. 

Ainda de acordo com o boletim Focus, a previsão para o IPCA deste ano foi de alta de 5,15% para 5,24%. O Tesouro IPCA+ com vencimento para o ano de 2040, por exemplo, tem juros reais de 4%. O ativo é composto de uma taxa fixa mais uma parte no IPCA, e pode ser uma boa pedida no momento.

“A gente entende que a inflação está numa tendência ascendente que pode gerar uma surpresa nos próximos meses, o que torna mais interessante investir em títulos atrelados ao IPCA. Mas temos que lembrar que o título IPCA tem mais volatilidade que o título pós-fixado, então tem que ver se seu perfil de investidor admite esse tipo de alocação”, explica Igor Cavaca, analista da Warren.

E a renda variável?

Já na renda variável, os especialistas disseram para “ficar de olho” no setor de commodities, que ainda pode render bons frutos.

Como já explicamos nesta reportagem, as matérias-primas estão passando por um “superciclo” de alta, causado, principalmente, pela retomada da economia em diversos países do globo, principalmente na China. E é aí que o investidor deve ficar atento. Com a valorização desses produtos básicos e um câmbio favorável, as ações de empresas ligadas a esse segmento podem ser boas opções de investimento.

Os indicativos já estão por toda a parte: o minério de ferro bateu a máxima histórica no dia 30 de abril, atingindo US$ 191 por tonelada. O índice Bloomberg Commodity Spot, que acompanha diversas matérias-primas, acumula alta de 21% desde janeiro de 2021.

“O dólar muito apreciado em relação ao real e uma demanda externa muito forte vem trazendo muito potencial para o setor, e é um dos setores em que a gente está mais posicionado”, diz Cavaca.

“As empresas brasileiras exportadoras também podem ser beneficiadas. Elas conseguem ter uma vantagem na mercadoria que elas exportam com essa taxa de câmbio mais defasada”, ressalta Rodrigo.

Terra do Tio Sam

O dólar é também um ponto interessante nesse contexto. Muitos brasileiros buscam investir nessa moeda porque ela é considerada uma moeda forte, que sofre pouca volatilidade. Grande parte disso se deve aos Estados Unidos serem a economia mais poderosa do mundo.

Apesar de estar em um nível elevado, é esperado que a moeda norte-americana venha a atingir níveis mais baixos no futuro. O boletim Focus estima o dólar a R$ 5,30 até o final de 2021. Outras instituições como o banco BNP Paribas já tem uma visão mais otimista, de R$ 5 para o final deste ano. 

De qualquer forma, a recomendação é dolarizar uma parcela de seus investimentos, se possível. A dica acontece por causa da influência que diversos acontecimentos têm nos investimentos brasileiros. Como lembra Rodrigo, até mesmo decisões políticas podem derrubar a B3 em um dia.

“A vantagem de investir em dólar é buscar fugir do risco-país que nós temos”, diz o especialista. “A gente não sabe o que pode acontecer amanhã. Se tivermos algum problema, o investidor vai ter essa segurança de ter investido lá fora”.

A opção para fugir do risco-brasil é aportar o capital em BDRs (Brazilian Depositary Receipts, no inglês), recibos de ações do exterior, mas que são negociadas aqui, na B3. Para dolarizar, uma das alternativas é comprar ações ADR (American Depositary Receipt, no inglês), um certificado, emitido no exterior, que representa ações de uma empresa negociado em países diferentes daquele de origem da companhia – ou seja, é possível até mesmo comprar ADRs de empresas brasileiras, como a Vale.

Outro ponto perguntado aos entrevistados foi quanto ao investimento em criptomoedas. Segundo os especialistas, esse mercado ainda é novo e está em processo de amadurecimento. Nesse caso, o recomendado é colocar uma parte bem pequena de seu portfólio investido nas moedas digitais. Mais: esteja preparado para sofrer perdas.

“É um mercado com muita volatilidade. Nós, por exemplo, recomendamos apenas 3% de sua carteira em criptomoedas. Se o perfil for mais agressivo, pode chegar a 5%”, explica Beresca.

FIIs

Os FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) fazem parte de um dos setores mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. As medidas de distanciamento social reduziram a circulação de pessoas, o que impactou negativamente a performance de algumas atividades.

Mas essa pode ser uma boa oportunidade para o investidor. Exatamente por terem sido mais afetados, as lajes corporativas e shoppings, na avaliação de Gabriel Teixeira, analista de fundos imobiliários da Ativa Investimentos, estão descontados e podem voltar a performar melhor com a retomada da economia.

“Com a retomada [da economia] esses fundos vão performar bem, têm ótimos imóveis e boas localizações. Acreditamos que conforme a economia for retomando, a gente pode voltar a olhar mais para esse tipo de fundo”, diz Teixeira.

Por enquanto, o especialista explica que os fundos de papel – que atuam em recebíveis imobiliários, os investimentos de renda fixa do setor imobiliário – são os que estão apresentando melhor desempenho no momento, com bastante “resiliência”.

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“Estamos bem confiante no crescimento desse mercado. Acompanhamos nos últimos anos o número de investidores de FIIs. Esse crescimento vai continuar e pode ser uma porta de entrada para a renda variável, porque os FIIs têm uma volatilidade um pouco menor que as ações”, conta.

Diversificação

“Nunca ponha os mesmos ovos na mesma cesta”, essa é a dica de “ouro” dos especialistas. A lógica é simples: se você tiver perdas com um investimento, isso pode ser equilibrado com os ganhos de outro ativo. Colocar todo o seu patrimônio em um só tipo de investimento pode ser perigoso.

“Há diversos eventos que não são previsíveis, por isso é importante manter uma carteira diversificada. Caso um evento ocorra você não vai conseguir se antecipar a ele. Esse é o principal ponto”, afirma Igor.
 

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