terça, 30 de novembro de 2021
Movida

Movida pode chegar a 2021 melhor do que previa antes da crise

11 novembro 2020 - 09h23Por Investing.com

Por Ana Julia Mezzadri - Investing.com - Após sofrer com os impactos da pandemia de Covid-19 nos trimestres anteriores, os resultados da Movida (SA:MOVI3) no terceiro trimestre trazem ares de recuperação, que tem se mostrado ainda mais forte nos números de outubro.

O valor médio da diária no setor de aluguel para pessoa física, de acordo com o balanço divulgado na manhã desta terça-feira, voltou ao nível de R$ 70 depois de ter caído muito durante a pandemia, ficando em R$ 59,50 no segundo trimestre. Outro destaque foi a taxa de ocupação de quase 83% — evolução em relação ao mesmo período de 2019.

lucro líquido da locadora de veículos no período foi de R$ 37,2 milhões (14 vezes maior que no segundo trimestre de 2020), com margem de 9,4% em relação à receita líquida, que foi de R$ 1 bilhão, alta de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o Ebitda ficou em R$ 213 milhões, com margem de 54%, expansão de 8,8 pontos percentuais ante o terceiro trimestre de 2019.

Depois de ter adotado uma estratégia de redução de frotas para mitigar os efeitos da crise desencadeada pela pandemia, o plano agora é de crescimento: com 112.430 carros, a frota no fim de outubro já era maior do que a do final do ano passado. Mesmo com a redução da venda de seminovos, o ticket médio chegou ao recorde de R$ 45 mil, devido à retomada do varejo e ao mix de carros mais premium.

Até agora, com os números de outubro, o quarto trimestre tem mostrado ainda mais recuperação, chegando a patamares pré-pandemia — ou superiores — em alguns aspectos.

“Estamos olhando para frente, para crescer mais rápido e aproveitar as oportunidades do mercado. Estamos olhando para o quarto trimestre e para 2021 com muito otimismo”, resume Edmar Lopes, diretor financeiro da Movida.

Leia abaixo a entrevista com o executivo.

Investing.com - Sobre o quarto trimestre: em quais aspectos já é possível ver resultados pré-pandemia?

Edmar Lopes: No segmento de rent a car, o ticket já volta a níveis pré-pandemia, com taxa de ocupação recorde e receita crescendo cerca de 20% na comparação trimestral. No caso dos seminovos também continua a progressão do ticket médio, que agora em outubro já é de R$ 48 mil. Todos os indicadores operacionais, de preço e financeiros apontam para um quarto trimestre muito bom.

Inv.com - A Movida teve um ganho de margem no terceiro trimestre com o aumento de escala. Qual é a previsão para os próximos trimestres?

EL: Na realidade, o ganho de margem ocorreu também pelas medidas de cortes e de ganho de eficiência durante a pandemia. Então é um negócio meio maluco, mas depois que a crise passa e todos ficam mais calmos é possível ver que a crise melhorou a empresa. A gente precisou rever uma série de processos, lançar produtos novos... Tudo isso vai se somando para ganhar mais eficiência e, portanto, margens melhores.

Inv.com - Quais medidas que vocês precisaram tomar durante a crise se provaram positivas e devem ser mantidas?

EL: Um grande exemplo é o movimento para o digital. Nós lançamos o web check-in, em que o cliente chega na loja com um QR code e pode pegar o carro no pátio assinando no tablet, sem fila, sem papel, com tempo de atendimento mais curto.

Para a parte de seminovos, criamos um aplicativo para o atacarejo, que funcionou muito bem e tem se mantido. Na parte de frotas, lançamos o que a gente chama de um canal B2B digital. Em vez de o vendedor ir ao escritório da empresa, hoje fazemos tudo à distância. Isso significa mais capacidade de atendimento com menos gente e sem deslocamento, o que é mais eficiente.

Inv.com - Além disso, você acha que algumas mudanças de comportamento geradas pela pandemia podem ter algum impacto de longo prazo?

EL: O carro saiu da pandemia mais forte do que entrou. As pessoas passaram a percorrer distâncias médias, de 800 ou 900 quilômetros, de carro, por questão de segurança e saúde. Mesmo as empresas estão optando por alugar carros para seus funcionários em vez de colocá-los em aviões. Parte disso irá voltar a como era antes, mas vai demorar e podemos capturar parte dessa demanda. Também houve mudanças na mobilidade urbana. Em vez de utilizar o transporte público, muitas pessoas migram para o carro, seja de aplicativo ou carro alugado.

Inv.com - O crescimento nesses setores tem compensado áreas que perderam com a pandemia, como o aluguel para motoristas de aplicativos e aluguel de aeroportos?

Em relação a motoristas de aplicativos, a demanda já voltou ao nível pré-pandemia. Na Movida, não tivemos nem 30% de devolução destes carros durante o pior da crise, porque demos incentivos via desconto. Montamos um produto pay per use, em que o motorista pagava menos se rodasse menos. Agora, o desconto acabou progressivamente até setembro e já alcançamos níveis pré-pandemia.

Falando de aeroporto, no final das contas a somatória de toda essa demanda de viagens intermunicipais e outros deslocamentos dentro da cidade tem compensado as perdas. Em outubro chegamos a patamares iguais aos de 2019. Tem uma pequena diferença de mix de produtos, mas em termos de receita já igualamos 2019.

Inv.com - Vocês passaram por um período de redução de frota. O que vem a seguir?

EL: Nós entendemos que precisávamos fazer um ajuste muito rápido, porque ninguém sabia quanto tempo a crise iria durar e nem o quão profunda seria. Nos ajustamos muito rápido, e as coisas agora estão voltando ao normal. Então a estratégia agora é crescer, em um novo patamar de rentabilidade, porque ganhamos eficiência durante a pandemia. Isso tudo nos dá segurança para comprar carros, crescer frota e já beirar 2021 talvez até melhor do que seria possível antes da pandemia.

Inv.com - Das 11 lojas fechadas durante a crise, 6 foram reabertas. Qual é a previsão para as demais?

EL: A pandemia gerou algumas oportunidades de negócios mais baratos, e outros deixaram de interessar. Estamos com algumas lojas para abrir, mas sem um grande movimento, como quando abríamos 10 lojas por ano. O ritmo não é tão forte assim.

Inv.com - Quais são os focos de crescimento daqui para frente?

EL: No rent a car, o foco é sempre em pessoa física. Apostamos na retomada do eventual. No caso de gestão e terceirização de frotas, apostamos nas células digitais que montamos para as pequenas e médias empresas, porque esse mercado é subpenetrado.

Lançamos também dois produtos durante a pandemia em que acreditamos muito. Um deles é o Movida Cargo, que aluga furgão para motoristas de delivery de e-commerce, fazendo parceria com empresas, como a que já anunciamos com o Magazine Luiza. O outro é o de carro por assinatura, ou aluguel mensal de longo prazo. Todos acreditam que esse mercado tem um grande potencial e pode ser transformador no ponto de vista da indústria.

Na parte de seminovos, é o digital. Implantamos várias medidas, vários canais digitais nesse negócio. Vamos consolidar esse negócio vendendo o que precisa com margem boa.

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