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Magalu: novas contratações e investimento em cashback devem prejudicar margens

18 agosto 2020 - 17h09Por Investing.com

Por Ana Julia Mezzadri, da Investing.com - Com resultados positivos no segundo trimestre, executivos da Magazine Luiza (MGLU3) comentaram, em teleconferência com analistas e imprensa nesta terça-feira (18), seus principais planos para os próximos meses: a contratação de 2.500 novos funcionários nos centros de distribuição e nas lojas para melhorar o nível de serviço, uma preocupação da companhia; o investimento em cashback, que passará a se chamar “dinheiro de volta”, e mais investimento em marketing.

Sendo assim, a perspectiva da companhia é que o terceiro trimestre seja melhor do que o segundo tanto em vendas quanto em rentabilidade, mas que não supere os números de junho, visto que esses grandes investimentos devem prejudicar as margens.

Em relação ao segundo trimestre, Frederico Trajano, CEO da Magalu, o descreveu como um livro de três capítulos: o primeiro é o mês de abril, em que apenas 8% das lojas estavam abertas e houve queda de 84% na receita das lojas físicas. Já nesse período, porém, com o crescimento de 138% no e-commerce, a Magalu foi capaz de vender mais do que no mesmo período do ano anterior.

Em seguida, em maio, mais lojas foram abertas - o que não impediu o e-commerce de seguir crescendo. Em junho, no entanto, a palavra escolhida pelo CEO para descrever o período foi “épico”. Com ainda muitas lojas fechadas, o total de vendas cresceu 85% em relação a junho do ano passado.

E-commerce

Um grande destaque, conforme o esperado, é o crescimento do e-commerce, que já vinha crescendo de maneira acelerada nos últimos anos: 61% no segundo trimestre de 2018 em relação ao mesmo período de 2017, 66% no 2T2019 e, agora, 182%. Só o marketplace apresentou crescimento de 214%. E, na perspectiva de Trajano, esse crescimento veio para ficar, mesmo com a reabertura das lojas físicas.

As vendas nas lojas físicas também tiveram crescimento, explicado principalmente pelo auxílio emergencial do governo. Se esse benefício for totalmente interrompido, Trajano admite que a perspectiva para as lojas físicas é mais incerta. Ainda assim, o plano de expansão de lojas físicas, que teve de ser postergado no primeiro semestre,foi fortemente retomado em junho.

Efeitos da pandemia e crescimento

Como esperado, no entanto, a empresa também sentiu os impactos da pandemia, pois manteve toda a sua estrutura de despesas, sem demitir, ao mesmo tempo em que viu sua receita de vendas físicas, que correspondia a aproximadamente metade da receita total, zerar. Já em maio, no entanto, a companhia atingiu o break even, com crescimento das margens, e em junho o patamar já era melhor do que o de antes da pandemia.

Ainda que haja apostas em setores específicos, Trajano destaca que não é do interesse da companhia que uma categoria cresça em detrimento do outro, pois o que interessa é o crescimento do volume total de vendas da empresa. Sendo assim, a companhia afirma que espera crescer organicamente em todas as áreas e, se surgir algum ativo interessante em qualquer uma delas, há a possibilidade de M&A. Alguns setores que receberam destaque são a categoria de supermercado e alimentos, agronegócio e moda.

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Visão dos Analistas

Em relatório distribuído hoje, o BB (SA:BBAS3) Banco de Investimentos avalia que o resultado da Magazine Luiza foi positivo, destacando a força do canal online, o crescimento em vendas e a estrutura logística da companhia, mas rebaixou a classificação para Neutra por ver pouco espaço para upside. O preço-alvo do BB-BI é de R$ 73,50.

Em relatório, a XP adota o mesmo tom: afirma esperar uma reação positiva aos resultados, mas vê um potencial limitado de valorização das ações e mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 78.

Por volta das 15h53, as ações da varejistas disparavam 8,06% a R$ 88,22, com máxima em R$ 88,45 e volume negociado em R$ 2,22 bilhões.

Balanço

As vendas totais de abril a junho somaram 8,6 bilhões de reais, um aumento de 49% ante mesmo período de 2019, superando a rival Via Varejo, com 7,26 bilhões de reais no trimestre. Refletindo a disparada das compras pela internet no período, o Magazine Luiza viu suas vendas darem um salto de 182% no e-commerce total, enquanto suas lojas em ruas e shopping centers venderam 45% menos.

O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado foi de 147,2 milhões de reais no trimestre, queda de 61,3% ano a ano.

De todo modo, o Magazine Luiza teve prejuízo ajustado de 62,2 milhões de reais no segundo trimestre, ante lucro de 85,2 milhões um ano antes. Em termos líquidos, o prejuízo foi de 64,5 milhões. Ainda assim, a última linha do resultado veio melhor do que a previsão média de analistas consultados pela Refinitiv, de prejuízo de 125 milhões de reais.

Uma das consequências da rápida migração dos canais de vendas - a fatia do comércio eletrônico subiu de 41,5% a 78,5% no comparativo anual - a margem bruta da companhia caiu de 29,3% para 25,8%. Segundo Trajano, com a gradual reabertura das lojas - 92% das 1.100 estão abertas -, essa queda diminuiu.

O fluxo de caixa, ajustado pelos recebíveis, somou 2,2 bilhões de reais no trimestre e o giro dos estoques caiu para menos de 60 dias em junho, um dos melhores índices dos últimos anos. A companhia fechou o semestre com posição de caixa líquido ajustado de 5,8 bilhões de reais, alta de 5 bilhões em um ano.

A companhia afirmou que em julho suas vendas totais cresceram 82% ano a ano, enquanto e-commerce avançou 162% e as vendas nas lojas físicas cresceram 10%.

-Com participação da Reuters

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