terça, 07 de dezembro de 2021
Internet coronavírus

Já imaginou ficar sem internet durante a quarentena?

23 março 2020 - 16h51Por Carolina Unzelte
Pode se acalmar e abrir o Netflix: as chances de as redes de internet brasileiras não suportarem o aumento de tráfego durante a quarentena são baixas. "Uma sobrecarga pode levar à lentidão, mas as operadoras estão se comprometendo a lidar com isso", explica Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria no setor de telecomunicações.  Em países afetados no início da pandemia do COVID-19, como China e Coreia do Sul, houve crescimento médio de 25% em relação ao tráfego na web, segundo a empresa americana Akamai.  "Aqui também observamos um fluxo mais intenso de usuários", explica Tude. "Mas isso vem mais das plataformas de streaming, que consomem muito mais dados do que da prática do home-office". Com a crise do coronavírus, 43% das empresas brasileiras vêm adotando o sistema de teletrabalho, segundo levantamento da Betania Tanure Associados. O setor de telecomunicações foi considerado essencial pelo governo federal e deve continuar funcionando mesmo com o surto. Segundo compromisso assumido por 12 empresas junto à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), "as prestadoras vão adequar os mecanismos de pagamento das faturas, viabilizando meios alternativos para que a população".  Além disso, em nota, a agência afirma que manterá avaliação permanente das "condições de tráfego e capacidade das redes de telecomunicações". Eduardo Tude explica que a capacidade pode ser expandida através de links ópticos, transmissores usados na banda larga. "São redes escaláveis, aumentadas facilmente".  No entanto, o processo exige investimento da parte das operadoras. "É um gasto viável, e, por outro lado, as empresas estão tendo cada vez mais procura pelos seus serviços com a pandemia, ao contrário do que acontece com o varejo, por exemplo", diz o especialista.

Streamings entram em ação

O vilão dos gastos de dados são as plataformas de streaming, que disponibilizam, via transmissão online, séries e filmes. "As pessoas, sem poderem sair, procuram lazer na internet, principalmente à noite", explica Eduardo. "Esse é o horário de pico de uso, com muita gente assistindo ao Netflix", explica Eduardo.  Para amenizar essa situação na Europa, por exemplo, o Netflix já anunciou que vai diminuir a qualidade dos vídeos. No Brasil, a Globoplay, serviço da rede Globo, suprimiu a opção de assistir seus conteúdos em resoluções mais altas. A Claro também informou que aumentou a velocidade da internet de seus assinantes, sem adição na fatura.  "É da natureza das telecomunicações a impossibilidade de parar", diz Eduardo Tude. "A infraestrutura é preparada para isso e as ações das prestadoras têm de garantir esse compromisso". 
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