segunda, 29 de novembro de 2021
IPO Compass

IPO da Compass: vantajoso ou arriscado?

18 setembro 2020 - 13h17Por Redação SpaceMoney

A Compass Gás e Energia anunciou, em seu IPO (Initial Public Offering, ou oferta pública inicial), a oferta de 117.647.060 ações ordinárias. Os recursos obtidos pela subsidiária da Cosan serão destinados a potenciais aquisições de empresas, participação em privatizações de distribuidoras de gás e reforço da sua estrutura de capital

Em relatório divulgado na última quinta-feira (17), a casa de análises Suno Research indica que o investidor não deve entrar nesta oferta. Ao citar fatores de riscos que devem ser considerados e a incerteza do negócio, o documento conclui que o investimento não é recomendado neste momento.

A ser definido em 28 de setembro, o preço das ações deve ficar dentro da faixa indicativa de R$ 25,50 a R$ 31,50 e o IPO da Compass pode levantar cerca R$ 3,2 bilhões. 

Há ainda a possibilidade de emissão de um lote suplementar de até 20% da oferta. Neste cenário, a operação pode movimentar até R$ 4,39 milhões. A oferta inicial termina em em 24 de setembro e o início da negociação das ações na B3, a bolsa brasileira, será no dia 30 do mesmo mês.

Considere os riscos

Entre os principais riscos levantados pela casa de análises estão possíveis falhas no cumprimento de contratos de concessões que a Compass detém. Caso ocorram, elas podem levar a multas e até mesmo a perda de concessões para a companhia, que atua no setor de gás natural e energia.

Outro ponto importante levantado apontado pela Suno são ruídos de governança motivados por executivos membros de conselhos estaduais e acionistas envolvidos em campanhas políticas. 

Rubens Ometto, por exemplo, que é presidente do Conselho e um dos principais acionistas da Cosan, foi o 12º maior doador da campanha do governador de São Paulo, João Dória, em 2018, de acordo com dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A dependência do sucesso na execução de novas frentes de negócio e riscos jurídicos envolvidos na expansão de rotas de distribuição da produção também são citados pelo documento.

Mas também há vantagens

Apesar da recomendação negativa, o relatório também traz possíveis vantagens para os investidores decididos a assumirem os riscos. Já considerada a maior distribuidora de gás natural do Brasil, a concretização dos planos de expansão da Compass fortalecerá ainda mais sua vantagem em relação a outros players. Uma gama de mais de 2 milhões de clientes e um market share de 31% no ano passado somam-se à mudança no marco do gás para propiciar um largo espaço de crescimento.

A companhia conta com quatro segmentos interligados e o suporte do Grupo Cosan na formação de sua estrutura. Esse rede traz uma larga base de dados à empresa, assim como uma governança executiva experiente.

Outro ponto positivo é o controle da Comgás, que está presente em São Paulo. O estado, maior consumidor de gás natural do Brasil, traz vantagens operacionais de escala, relacionamento estreito com grandes players e menores riscos financeiros à empresa.

Ainda graças à Comgás, a Compass tem altos níveis de geração de caixa para novos investimentos. Além disso, a companhia mantém-se constantemente em crescimento com alocação de capital eficiente, sem exageros na alavancagem.

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