sexta, 03 de dezembro de 2021
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Brumadinho e crise na Argentina afetaram a indústria brasileira em 2019

Neste ano, o mercado doméstico deve ser o principal vetor de recuperação do setor

04 fevereiro 2020 - 11h51Por José Márcio Camargo

▪ A produção industrial recuou 0,7% em dezembro de 2019 em relação ao mês anterior, abaixo da mediana das expectativas, que era de queda de 0,5% (Broadcast). Foi a segunda taxa negativa consecutiva, resultando num recuo de 1,4% no trimestre outubro-dezembro de 2019. ▪ No mesmo mês, houve queda de 1,4% na indústria extrativa e queda de 0,6% na indústria de transformação (puxada pelo desempenho ruim da categoria de Bens de Capital). ▪ No interanual, a produção industrial apresentou queda de 1,2%, implicando em recuo da média móvel trimestral de +0,2% (YoY) para -0,6% (YoY). Em 2019 a indústria contraiu 1,1%, com forte influência da indústria de extração, que recuou 8,5% em 2019 (devido à tragédia em Brumadinho). A indústria de transformação apresentou retração leve de 0,2%. ▪ O resultado da indústria em 2019 foi muito influenciado pela forte retração na produção extrativa devido à tragédia de Brumadinho e pela baixa demanda da Argentina, que impactou o desempenho da indústria de transformação (principalmente automóveis e autopeças).   Evolução Recente Após dois anos de alta, a produção industrial encerrou 2019 com queda de 1,1%. Contudo, o segundo semestre de 2019 apresentou perdas menores do que o primeiro, em relação a iguais períodos do ano anterior (queda de 1,4% no primeiro e de 0,9% no segundo semestre). Os dois grandes eventos que influenciaram o resultado de 2019 foram: 1) a interrupção de produção da indústria extrativa devido à tragédia em Brumadinho; e 2) A crise econômica na Argentina. A indústria extrativa encerrou o último trimestre de 2019 com um nível de produção semelhante ao registrado no primeiro trimestre de 2010, quando a economia se recuperava dos efeitos adversos da crise de 2009. Há uma retomada na produção desde agosto de 2019, mas ainda há muita volatilidade nessa retomada.     Para janeiro, os indicadores antecedentes indicam leve melhora. A Sondagem da Indústria (pesquisa feita pela FGV) sinaliza alta do Índice de Confiança da Indústria (ICI) em janeiro (de 99,4 em dezembro para 100,9 em janeiro). Houve melhora tanto no índice que mede a situação atual como o índice de expectativa do empresariado, de forma que o índice cheio apresentou o primeiro resultado acima do nível neutro de 100 desde maio de 2018. O PMI (IHS Markit) avançou de 50,2 em dezembro para 51 em janeiro, mantendo-se acima do nível neutro de 50. Houve leve aceleração no indicador de emprego e de novos pedidos. Contudo, o setor de bens de capital deve seguir desempenho ruim em janeiro com a queda do indicador de novos pedidos para o setor. O indicador de exportação apresentou queda pelo quinto mês consecutivo. O principal vetor de recuperação da indústria em 2020 deverá ser o mercado doméstico.

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