sábado, 27 de novembro de 2021
Pará

FECHAMENTO: Parecer da Previdência e exterior benigno impulsionam Ibov perto dos 99 mil pontos

13 junho 2019 - 19h08Por Investing.com

Investing.com - Os principais eventos do dia foram favoráveis para a fomentar o sentimento bullish nos principais índices mundiais, embora alguns deles suscitem preocupações a médio e longo prazos. No exterior, o salto do preço do petróleo, pressão governamental na China para intensificar estímulos à economia em meio à disputa comercial e indicadores apontando esfriamento do mercado de trabalho americano que fortalecem a expectativa de corte dos juros pelo Fed estimularam o apetite ao risco no exterior.

No Brasil, a apresentação do parecer da reforma da Previsão pelo relator Samuel Moreira (PSDB-SP) na Comissão Especial da Câmara dos Deputados foi o centro das atenções. O texto agradou os investidores, impulsionando o Ibovespa para alta no dia.

Apesar de retirada de pontos importantes – algumas delas esperadas -, houve manutenção da proposta original de economia estimada em 10 anos a partir de uma combinação de endurecimento para as regras de aposentadoria, remanejamento do uso de tributos e elevação de impostos. O parecer prevê uma economia de 913,4 bilhões de reais em 10 anos, abaixo dos mais de 1 trilhão de reais previstos no texto original do governo.

O parecer inclui, no entanto, receita de 217 bilhões de reais, resultado do fim da transferência de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de aumento da alíquota de CSLL aos bancos, o que derrubou as ações do setor. Veja os principais pontos aqui.

O Ibovespa subiu 0,46% a 98.773,70, com a máxima a 99.364 pontos. O Ibovespa futuro chegou a tocar, no fim da tarde, nos 100 mil pontos, mas recuou para a faixa dos 99 mil. O volume financeiro negociado foi de R$ 18,6 bilhões, com 77,27% dos papéis fechando no azul.

A BRF (SA:BRFS3) liderou os ganhos com alta de 5,81% a R$ 28,57, influenciada pela expectativa em relação à fusão com a Marfrig (SA:MRFG3), que também subiu nesta sessão, com alta de 4,45% a R$ 6,80. As duas empresas também foram beneficiadas com o fim do embargo às exportações de carne bovina brasileira à China, que foram impostas temporariamente devido a um caso isolado do “mal da vaca louca” em Mato Grosso. A JBS (SA:JBSS3), por outro lado, liderou as perdas, com queda de 2,62% a R$ 21,55, com rebaixamento da recomendação do JPMorgan para venda do papel.

Já o dólar caiu no Brasil, movimento contrário ao que se viu no exterior com fortalecimento da moeda americana. O dólar caiu em relação ao real 0,36% a R$ 3,8546 sob o otimismo com a tramitação da reforma da Previdência. No exterior, o índice dólar, que mensura a força da moeda americana em uma média ponderada de uma cesta com seis divisas subiu 0,06% a 97,05, com a desvalorização do euro e da libra.

A exceção foi o iene, que se valorizou em relação ao dólar 0,10% a 108,38 ienes. A moeda japonesa é um ativo porto-seguro na Ásia, e sua procura aumenta quando incertezas aumentam. É o que acontece desde o mês passado, quando foi retomada a escalada da tensão comercial entre EUA e China com cada país impondo tarifas sobre exportações do outro.

EUA-China

O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quinta-feira que o país não irá se render a nenhuma "pressão máxima" dos Estados Unidos, e qualquer tentativa dos EUA de forçar a China a aceitar um acordo comercial vai falhar. Foi uma resposta às ameaças do presidente dos EUA Donald Trump de elevar as tarifas de produtos chineses que ainda não foram taxados caso a China não feche um acordo que contenha quatro, cinco assuntos pertinentes aos americanos, sem Trump revelar quais sejam eles.

A percepção de que a disputa comercial vai se prolongar foi amplificada com o vice-primeiro-ministro chinês pressionando autoridades regulatórias para aumentar estímulos de apoio à economia e prover liquidez aos mercados, como forma de compensar o setor de exportações prejudicado com a disputa com os americanos. A pressão estimulou o índice de Xangai a uma variação positiva de 0,05%, apesar de o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen cair 0,15%.

Outros ativos portos-seguros também tiveram uma procura elevada com a tensão comercial, especialmente com preocupações relacionadas ao crescimento global. O ouro subiu 0,68% a US$ 1.345,85 a onça-troy, enquanto o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano caiu para 2,095%, mantendo a inversão da curva de juros com os títulos de prazos menores. A elevação da demanda pelos títulos diminuiu o preço dos rendimentos. A inversão da curva de juros tradicionalmente é vista como sinal de recessão econômica nos EUA em breve, reforçada pela disputa comercial e indicadores do mercado de trabalho que mostram arrefecimento.

Nesta quinta-feira, o pedido inicial por seguro-desemprego na semana que se encerrou em 8 de junho subiu inesperadamente, enquanto o consenso era de queda. Houve um aumento de 3 mil novos pedidos comparado à semana anterior, para 222 mil. O consenso era uma queda para 216 mil novos pedidos.

Desta forma, a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do Fed na próxima reunião em 19 de junho aumentou para 28,3%, de acordo com o Monitor da Taxa de Juros do Fed do Investing.com. Na reunião seguinte, a probabilidade de ao menos um corte é de 89,1%. Para a reunião de setembro, a expectativa de ao menos 2 corte de 0,25 está em 72%. E já há a probabilidade de três cortes para a reunião de dezembro prevalecendo, com chances de 60,7%.

Petróleo impulsionam ações em Wall Street

A expectativa de corte dos juros impulsionou o apetite ao risco em Wall Street, cujos principais índices fecharam em alta impulsionados com a valorização das ações de energia com o aumento do preço do petróleo. Dow Jones subiu 0,39%, S&P 500 teve ganhos de 0,43%, enquanto Nasdaq saltou 0,57%.

Os preços do petróleo fecharam em alta de 2,2% nesta quinta-feira, depois de ataques a dois navios-tanques no Golfo de Omã gerarem preocupações a respeito de uma redução no fluxo de petróleo em uma das principais rotas marítimas do mundo.

Os ataques ofuscaram pressões baixistas sobre o petróleo. Na quarta-feira, os estoques americanos subiram inesperadamente, e hoje houve revisão para baixo da demanda estimada pela Opep em 2019.

Ações

- PETROBRAS PN (SA:PETR4) e PETROBRAS ON (SA:PETR3) subiram 1,2% e 1,4% respectivamente, com o petróleo valorizando-se mais de 2% no exterior e após a companhia divulgar que recebeu propostas finais para venda de ativos em águas rasas dos polos Enchova e Pampo, na Bacia de Campos, de mais de 1 bilhão de dólares, considerando pagamentos firmes e contingentes.

- ITAÚ UNIBANCO PN (SA:ITUB4) fechou em baixa de 1,8%, em sessão bastante negativa para o setor, após parecer da reforma da Previdência defender que a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) pelas instituições financeiras volte a ser de 20%, de 15% atualmente. BRADESCO PN (SA:BBDC4) cedeu 1,1%, SANTANDER BRASIL recuou 1,3% e BANCO DO BRASIL (SA:BBAS3) caiu 1,6%.

- VALE (SA:VALE3) fechou com elevação de 0,7% também beneficiada pela alta dos preços do minério de ferro na China. Na véspera, executivos da mineradora se reuniram com analistas, que publicaram em notas que a empresa prevê retomar em breve 100% da capacidade de sua importante mina Brucutu, de 30 milhões de toneladas anuais de minério de ferro, e recuperar parte da produção em outras minas no segundo semestre.

- SUZANO (SA:SUZB3) valorizou-se 5,5%, quase zerando as perdas em junho, em movimento de recuperação, após fechar maio com declínio de mais de 20%, dado o ambiente o momento fraco do setor de celulose, afetado pelo aumento das tensões comercias, deterioração das condições macroeconômicas e estoques recordes. KLABIN subiu 2,8%.

- MAGAZINE LUIZA (SA:MGLU3) avançou 3,2%, após elevar sua oferta pela Netshoes (NYSE:NETS) de 3 para 3,70 dólares por ação, igualando o valor à proposta do concorrente Grupo SBF CNTO3.SA, e o conselho de administração da Netshoes reafirmar recomendação para que acionistas da empresa de varejo online votem favoravelmente à aprovação da operação. [nL2N23K080]

- BRASKEM PNA (SA:BRKM5) subiu 2,95%, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspender decisão que impedia a petroquímica de fazer assembleia para discutir a distribuição de dividendos a acionistas. A suspensão está condicionada a seguro garantia no valor integral dos dividendos a serem distribuídos, de aproximadamente 2,6 bilhões de reais.

- ELETROBRAS PNB (SA:ELET6) e ELETROBRAS ON (SA:ELET3) caíram cerca de 2% cada. Na véspera, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu contra a companhia em julgamento sobre empréstimo compulsório. Em comunicado ao mercado, a elétrica de controle estatal afirmou que prosseguirá na discussão judicial por meio dos recursos cabíveis.

*Reuters colaborou com essa matéria

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