terça, 07 de dezembro de 2021
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Empresas esperam aumento de acionistas pessoas físicas, mas comunicação tem de melhorar

26 junho 2019 - 14h33Por Angelo Pavini

Pesquisa da Deloitte em parceria com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri) em sua 14ª versão, mostrou um aumento do interesse das pessoas físicas por ações. Seis em cada dez empresas ouvidas identificaram um aumento de pessoas físicas em sua base de acionistas. No entanto, apenas 21% das empresas que notaram crescimento têm uma prática voltada para atrair esse tipo de investidor. O resultado, sugere a pesquisa, mostra que há um importante espaço para um posicionamento mais ativo das organizações para esse público.

Entre os fatores que aumentaram o interesse há o maior interesse sobre o mercado de capitais, a popularização de plataformas de investimento, a baixa taxa de juros, aumento de agentes autônomos e aumento dos canais via Youtube. “Acredito que o principal fator foi a queda dos juros, imagino no tempo que juro era 30% e 40% como você pensaria em investir em ações”, diz Setubal. E há o papel das plataformas e da própria bolsa de valores de buscar popularizar a bolsa.

Para Setubal, cada vez mais as empresas terão de se preocupar com a pessoa física investidora, criando inclusive áreas de atendimento especializadas. “Hoje, no Itaú, já há uma área de RI para investidores institucionais e outra para pessoas físicas”, diz. Segundo ele, também os relatórios e fatos relevantes terão de ser adaptados para o grande público. Já Ronaldo Fragoso, sócio da Deloitte, as áreas de RI vão ter de usar as ferramentas de tecnologia para atender a esses investidores. “Esse acionista não vai querer falar ao telefone, vai entra na internet, talvez de madrugada, e procurar aquela informação que deverá estar disponível”, explica.

Foram ouvidos 64 grupos, incluindo empresas listadas e no Novo Mercado.

Segundo a pesquisa, de 2018 para 2019, houve aumento ou manutenção das áreas de Relações com Investidores (RI). Os motivos são aumento da regulação, não só no Brasil como no exterior, com informes de governança e relatórios, e maior demanda do mercado e dos investidores, e o RI precisa de estrutura para atender essas demandas, afirma Guilherme Setubal, diretor-presidente do Ibri. Houve também um aumento da complexidade das demandas e questões do RI. O grau de exigência de analistas e gestores de fundos de investimento, especialmente estrangeiros, cresceu muito em relação a praticas de governança corporativa e sustentabilidade. A empresa precisa adotar ou explicar por que não.

O estudo mostrou também que 70% dos entrevistados acham que há uma diferença entre o valor da empresa e o dado pelo mercado. Desse total, 33% acham que há uma grande lacuna entre o valor de mercado e o valor real.

Os dados mostram que as empresas estão atentas a conteúdos digitais que possam afetar a imagem da companhia, com 71% acompanhando. E 26% afirmaram ter sofrido com o efeito de notícias faltas (fake news) que afetaram a percepção de valor da empresa. Das empresas, 16% tem cobertura e documentação de fake news. Mas 30% afirmaram que não estão acompanhando esse tipo de notícia falsa, explica Ronaldo Fragoso, sócio da área de risco da Deloitte.

Em termos de tecnologia, 62% ainda não pensaram a respeito da adoção de inteligencia artificial e tecnologia.

Sobre as habilidades do profissional de RI, 73% citaram pensamento crítico, que discuta estratégias de comunicação. Planejamento estratégico teve 67% das opiniões e liderança de equipe, 51%. “O RI tem de ser alguém que mobilize as pessoas, não só divulgue números”, afirma Setubal.

A nova regulamentação europeia, proibindo distribuição gratuita de análises a investidores, e a instrução 598 da CVM, que regulamentou a atividade de analista de mercado, também deve ter impacto na atividade de RI. Segundo a pesquisa, mais da metade consideram que as casas independentes de análise vão ser importantes para a definição de valor da empresa.

Para Setubal, as casas de análise de investimento independentes são importantes pois elas têm acesso aos investidores de varejo. “Um relatório de um banco de investimentos é grego para qualquer pessoa física, então é bom que haja casas de análise que falem com o pequeno investidor”, diz. “Ao mesmo tempo, elas têm uma responsabilidade muito grande e temos uma preocupação de que elas não adotem linhas sensacionalistas, que prometem ganhos muito grandes e depois causem frustrações”, diz o executivo. E os RI terão de se relacionar com essas casas independentes, pois elas falam a língua dos investidores e vão fazer a comunicação com essas pessoas físicas. “Mas tudo precisa ser feito com responsabilidade”.

Sobre o relacionamento com os investidores, a automação vem acontecendo principalmente nas grandes, com algum relacionamento com os mercados internacionais, afirma Setubal. O atraso do Brasil é grande em relação aos EUA e Europa.

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