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acordo

Câmara dos EUA atrela acordo com Reino Unido a pacto entre Irlandas

15 agosto 2019 - 08h45Por Agência Brasil
Não há chance de um acordo comercial entre os Estados Unidos (EUA) e o Reino Unido ser sancionado pelo Congresso americano se a separação britânica da União Europeia (UE) minar o acordo de paz da Sexta-Feira Santa entre a Irlanda e a Irlanda do Norte. Esse é o ponto de vista da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi. "Qualquer que seja a forma que ele tome, não se pode permitir que o Brexit ameace o acordo, incluindo a fronteira destravada entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte", disse Pelosi. "Se o Brexit minar o acordo, não haverá chance de um acordo comercial Estados Unidos-Reino Unido passar no Congresso", acrescentou. "A paz proporcionada pelo Acordo de Sexta-Feira Santa é cara aos americanos e será ferozmente defendida pelas duas câmaras e pelos dois partidos" anunciou. O governo Trump está negociando um acordo de livre-comércio com o Reino Unido que pode entrar em vigor depois que o país europeu finalizar sua saída da União Europeia, marcada para 31 de outubro. Mas todo e qualquer novo pacto teria que passar pelo Congresso americano, que está dividido entre democratas, que controlam a Câmara, e os correligionários republicanos do presidente Donald Trump, que controlam o Senado. A reação de Pelosi ocorreu após o assessor de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, afirmar, durante visita a Londres, que os EUA apoiarão entusiasticamente um Brexit sem acordo se isso for o que o governo britânico decidir fazer. Ele ainda acrescentou que um acordo comercial com os americanos ajudaria a amortecer o impacto da saída britânica da União Europeia. O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu que o Reino Unido vai sair da UE no dia 31 de outubro, com ou sem acordo.

Histórico

Assinado em 1998, o Acordo da Sexta-feira Santa colocou fim a três décadas de violência na Irlanda do Norte, entre republicanos nacionalistas (católicos), defensores da reunificação da Irlanda, e unionistas (protestantes), defensores da manutenção da região sob a coroa britânica. Como a Irlanda do Norte, que faz parte do Reino Unido, compartilha uma fronteira com a Irlanda, que é membro da UE, observadores temem que o Brexit acabe provocando a reimposição de postos de fronteira na ilha, colocando em risco o acordo que manteve a paz na Irlanda do Norte nas últimas duas décadas. Como ambos os países são atualmente membros da UE, bens e pessoas circulam livremente através da fronteira. Um membro republicano da Câmara dos Representantes, Pete King, de origem irlandesa, disse ao jornal britânico The Guardian que colocar em risco a fronteira aberta seria uma "provocação desnecessária" sobre a qual seu partido não hesitaria em desafiar Trump.
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