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ARTIGO - Intermediação reduz estresse entre anjos e startups no processo de investimento

07 julho 2020 - 15h04Por Redação SpaceMoney

Por Romulo Perini (*)

Muitas vezes, a cobrança exagerada por resultados ou palpites que nem sempre estão condizentes com a realidade do negócio levam investidores em startups a adotarem formas de abordagem totalmente contrárias as de um tipo de parceiro que o mercado convencionou chamar de "anjo".

Por outro lado, por mais angelical que seja, paciência tem limite e a falta de respostas claras por parte dos executivos que estão à frente do empreendimento investido pode acabar levando a atritos sérios.  Diante da necessidade de equilíbrio nessa relação, começa a ganhar força no mercado a figura do intermediador de investimento anjo: um ente independente que consegue entender as necessidades dos dois lados e conduzir o processo, desde a análise do investimento até a realização, reduzindo significativamente os atritos e buscando tirar o máximo da relação entre ambos.

Os chamados investidores "anjo" são pessoas com capital que têm interesse em aplicar recursos nas etapas iniciais de desenvolvimento das startups, como uma forma de diversificação do seu portfólio. Geralmente, eles têm predileção pela aposta em um novo conceito ou na ideia inovadora de um time que tem interesse em desenvolver um novo MVP (Produto Mínimo Viável, traduzido do inglês).

Esse tipo de investimento pode ser feito diretamente de duas formas diferentes:

a.  Investimento Individual – Modalidade na qual o investidor decide fazer um investimento direto em uma nova empresa, sem a participação de outros investidores. Para isso, ele assina um contrato de empréstimo conversível – chamado de mútuo conversível – que permite trocar um capital emprestado por uma eventual participação dentro do negócio investido. O ponto de atenção nessa modelagem é que o risco financeiro do investimento fica todo com o investidor, que não o compartilha com outros, e pode faltar complementação de know-how.

b.  Investimento em grupo – Formato que une, em geral, 10 a 20 investidores para realizar investimento por meio da formalização de um empréstimo conversível (mesmo modelo do individual). Em geral, dois ou três investidores são selecionados para fazer o acompanhamento do negócio, mas todos têm acesso aos empreendedores da investida. Nesse modelo, há o risco de o grupo não estar alinhado 100% durante toda a jornada do investimento, o que pode gerar estresse tanto entre os investidores como também perante os empreendedores, prejudicando o negócio como um todo.

Nos dois casos, a falta de experiência de um lado (anjos) e do outro (empreendedores da startup) pode se transformar em problema. Por isso, está cada vez mais aparecendo a figura do intermediador de investimento, geralmente assumida por consultorias especializadas ou investidores seriais. Isso cria uma espécie de blindagem que beneficia ambos os lados.

Os representantes desse novo elo de conexão entre as partes implementam, logo no início, um modelo de gestão mais robusto nas investidas, organizando um conselho consultivo que se reúne para discutir os resultados e projetos mensalmente. O resultado dessa reunião é, então, compartilhado com os demais investidores, que se reúnem com a mesma frequência e têm acesso a um documento detalhado com os resultados do negócio, além de terem a oportunidade dar seus palpites e sugestões ou levantarem dúvidas para serem inicialmente debatidas no grupo e depois levadas aos empreendedores. Tudo isso, sempre coordenado pelo intermediador.

Fica claro no processo que a correta gestão de stakeholders é fundamental para o sucesso da relação visando a um desenvolvimento mais rápido e bem-sucedido do negócio.

Além do capital para acelerar o processo de crescimento, um quadro de investidores qualificados pode ajudar estrategicamente o negócio.

Muitas vezes, a experiência tem mostrado que negócios com grande potencial até conseguem atrair o capital humano e financeiro necessário para alavancar seu crescimento, mas a falta de equilíbrio para administrar as tensões acaba impedindo que as coisas aconteçam de uma forma satisfatória para os envolvidos.

Ao contar com consultorias especializadas, de preferência que tenham conhecimento ou que tenham atuado até como consultoria para a startup, o gerenciamento das expectativas, frustrações e ansiedades ganha um filtro de qualidade que proporciona aos anjos a possibilidade de continuarem sendo vistos como sinônimos de bondade. Enquanto isso, os empreendedores conseguem focar 100% no negócio em si, buscando o tão esperado crescimento que vai beneficiar a ambos os lados.

* Romulo Perini é sócio-diretor da Play Studio, consultoria de inovação e venture builder.

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