Grafico do indice IGP-10 mostrando queda de 0,30% em junho de 2026
Queda do IGP-10 em junho reflete alívio nos preços ao produtor

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) recuou 0,30% em junho, marcando a primeira deflação do indicador em 2026 e interrompendo uma sequência de altas. O resultado, divulgado pela Fundação Getulio Vargas, foi puxado pelo recuo de commodities agrícolas e energéticas, que aliviaram a pressão sobre os preços ao produtor. A desaceleração abre espaço para revisões nas projeções de inflação e impacto nos mercados futuros de juros.

Queda nos preços ao produtor lidera deflação do IGP-10

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-10, caiu 0,71% em junho, revertendo a alta de 0,95% observada em maio. O movimento foi liderado pelo grupo de Matérias-Primas Brutas, que passou de alta de 0,06% para queda de 2,39%, refletindo o recuo de commodities como café, cana-de-açúcar e combustíveis. Nos demais estágios, os Bens Intermediários avançaram 0,57%, abaixo dos 2,41% do mês anterior, enquanto os Bens Finais desaceleraram para 0,49% ante 0,81%.

Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, “O resultado do IGP-10 em junho foi fortemente influenciado pela queda dos preços ao produtor, especialmente de commodities relevantes como café, cana-de-açúcar e combustíveis, refletindo um cenário de acomodação nos preços internacionais e normalização de oferta”. Ele ressalta, contudo, que pressões pontuais permanecem em itens como batata-inglesa e feijão, impactados por sazonalidade.

Inflação ao consumidor desacelera com alívio em transportes

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do IGP-10, subiu 0,56% em junho, abaixo da alta de 0,68% de maio. O principal alívio veio do grupo Transportes, que saiu de alta de 0,29% para queda de 0,49%, beneficiado pela redução dos combustíveis. Também perderam força os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (de 1,00% para 0,44%) e Educação, Leitura e Recreação (de 0,38% para 0,23%).

Por outro lado, houve aceleração em Despesas Diversas, Habitação, Vestuário, Comunicação e Alimentação. Este último grupo continuou pressionando o índice, com variação de 1,23%, mantendo a inflação de alimentos como ponto de atenção. Já na construção civil, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou, limitando uma queda mais intensa do IGP-10, devido ao avanço dos custos com mão de obra e insumos específicos.

Impactos macroeconômicos e perspectivas

A queda do IGP-10 reforça o cenário de desinflação no atacado, que pode se traduzir em alívio para o índice de preços ao consumidor nos próximos meses. Com o indicador acumulando 3,16% no ano e 2,15% em 12 meses, o Banco Central ganha espaço para manter a flexibilização monetária, embora a pressão sobre serviços e alimentos in natura ainda exija cautela. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.

O comportamento das commodities internacionais será determinante para a trajetória do IGP-10. A acomodação observada em junho, especialmente em café e cana-de-açúcar, pode ser temporária, dependendo de fatores climáticos e da demanda global. Investidores e analistas monitoram os próximos dados de produção e estoques para calibrar as expectativas inflacionárias e ajustar posições em ativos indexados à inflação.