sábado, 28 de maio de 2022
Inflação nos transportes públicos

Relatório XP: Preço da tarifa de ônibus deve subir em 2022

Consequentemente, o cômputo global da evolução dos preços dos insumos do setor do transporte público resulta num aumento sensivelmente acima da inflação

22 novembro 2021 - 18h31Por Redação SpaceMoney

De acordo com o relatório XP, a inflação de 2021 deve ser de dois dígitos, com o IPCA a 10,1% ainda nesse ano. Além da inflação mais alta corroer parte do poder de compra da população, acaba também impactando a inflação futura, através da inércia inflacionária. E um dos grupos que mais sofrem esse efeito são de preços administrados, ou seja, aqueles que têm seus reajustes autorizados pelo governo ou algum regulador da administração pública.

A inércia inflacionária é o processo de reajuste automático de preços que se baseia na inflação passada e reflete nos valores presentes. Um dos principais componentes desse processo é a indexação.

Conforme projeções da XP, os valores do reajuste do ônibus urbano, com um peso de 1,25% no IPCA, oitavo item maior peso dentro do grupo de bens administrados (que pesa 27% do IPCA).

A XP também projeta inflação de 10% desse item em 2022, alta bastante expressiva depois de subir apenas 1,3% em 2020 e 1,2% em 2021. São Paulo, cidade com maior peso no IPCA (32,5%) é um bom exemplo da dinâmica inflacionária que devemos observar no ano que vem.

As fontes de financiamento do sistema de transporte coletivo municipal de São Paulo são, essencialmente, (i) as receitas tarifárias e (ii) os subsídios do Orçamento Municipal. O último reajuste da tarifa básica ocorreu em janeiro de 2020, quando passou de R$ 4,30 para R$ 4,40. Entretanto, quando corrigida pela inflação, a tarifa já se encontra no menor nível dos últimos 15 anos.

Para efeito de comparação, a variação de preços de parte dos insumos mais relevantes ocorrida desde o último reajuste foi ainda maior que a inflação medida pelo IPCA acumulada no período (cerca de 13%). Consequentemente, o cômputo global da evolução dos preços dos insumos do setor do transporte público resulta num aumento sensivelmente acima da inflação (IPCA).

Na ótica fiscal, as verbas orçamentárias denominadas Compensações Tarifárias, que respondem por grande parte dos subsídios municipais ao sistema de transporte, chegaram a R$ 3,9 bilhões nos últimos 12 meses até setembro. O valor é muito próximo do gasto anualmente desde 2017, tudo já ajustado pela inflação do período.

Em percentual da receita da prefeitura, o subsídio chegou a bater 6.8% em 2018 e agora recuou a 5.6%, diante de dinâmica positiva da arrecadação, mas, que por ser discricionário, consome parte relevante dos recursos sob decisão política.

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