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Privatização da Eletrobras (ELET3) e crise hídrica ameaçam retomada econômica, diz especialista

Juntos, os dois fatores podem atrasar o sonho do "novo normal" possibilitado com a aceleração da vacinação no Brasil se governo não conduzi-los bem

01 julho 2021 - 13h20Por Redação SpaceMoney

Muitos estados e cidades afirmam que terão vacinado até setembro, com pelo menos uma dose, todas as pessoas acima de 18 anos. Assim, a esperada retomada econômica ganha mais fôlego. Entretanto, a privatização da Eletrobras e a crise hídrica podem encarecer a conta de luz e reverter projeções de bons resultados para este ano. 

Tudo depende do modelo de privatização

A medida provisória aprovada pelo Congresso Nacional abre caminho para a privatização da Eletrobrás, mas a "venda" da empresa deve se concretizar, de fato, apenas no ano de 2022, mas o impacto nas contas de luz depende de como vai ser conduzido o processo.

"Se o governo dividir a concessão entre distintas empresas, incentivando um maior grau de competitividade entre essas empresas, provavelmente a conta vai baratear. Por outro lado, se a concessão for repartida entre poucas empresas, de modo que elas tenham poder de mercado, em moldes semelhantes a um oligopólio, a conta de luz poderá aumentar", opina Matheus Albergaria, professor de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

O especialista diz que o mais importante a se pensar em relação à privatização é que, em princípio, a medida deveria aumentar o grau de competição entre as empresas.

"Historicamente, sabemos que, quanto mais competitivos são os mercados, maior tende a ser o bem-estar dos consumidores e da sociedade como um todo, uma vez que, em mercados assim, os preços tendem a se aproximar dos custos de produção, ao mesmo tempo em que há uma quantidade ofertada de bens e serviços que tende a maximizar o bem-estar social". afirma Albergaria.

O professor diz que o melhor modelo de privatização, não apenas para o setor elétrico, mas para a maioria dos setores da economia, é aquele que tende a estimular a competitividade entre as empresas do setor.

"A título de exemplo, vale a pena pensar no setor de telefonia. Há cerca de 20 anos, havia apenas a antiga TELESP em São Paulo. Os preços eram mais altos e os consumidores tinham menos diversidade de escolha, em termos de bens e serviços oferecidos. Hoje temos um número maior de empresas atuantes no setor, ainda que esse número não seja plenamente competitivo", diz.

"Vale destacar que essas poucas empresas oferecem muito mais diversidade, em termos de bens e serviços ofertados, assim como preços menores do que antes, quando havia apenas uma única empresa estatal no mercado. Outro exemplo interessante corresponde ao setor de aviação civil: hoje existem muito mais empresas disputando os consumidores no mercado de voos domésticos e internacionais, tanto em termos de preços quanto de qualidade dos serviços oferecidos", completa.

Seca dos reservatórios

Albergaria também acredita que uma possível crise hídrica causada pela seca dos reservatórios pode vir a aumentar o preço da energia, a despeito de o país já ter atravessado momentos de dificuldade semelhante em outras épocas.

"A seca dos reservatórios pode ser vista como um choque adverso de oferta, uma vez que tende a reduzir a oferta de água e, em última instância, aumentar o custo de produção de energia hidrelétrica", afirma.

De acordo com o especialista, a abertura da economia no setor de energia poderia tornar mais brando o aumento desse custo.

"Se acontecer a seca dos reservatórios, poderá ocorrer um aumento no preço da energia, devido ao choque adverso de oferta. Mas esse aumento pode não ser tão pronunciado, caso ocorra maior abertura da economia. De fato, o próprio processo de abertura ao comércio internacional dependerá dos cenários político e econômico domésticos, ainda atrelados às campanhas de vacinação contra a Covid-19 nos estados e municípios brasileiros", finaliza.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP).

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