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Bolsa brasileira

Ibovespa tem 3º mês negativo e investidor ainda vê horizonte nebuloso

Principal índice acionário do país teve baixa de 0,11%, aos 110.979,10 pontos

30 setembro 2021 - 18h29Por Reuters

Por Aluisio Alves, da Reuters - A bolsa brasileira fechou quase estável nesta quinta-feira (30), cravando o terceiro mês seguido no vermelho, com agentes do mercado pessimistas para o médio prazo, diante da deterioração dos cenários para inflação e crescimento no Brasil e no exterior.

Principal índice acionário do país, o Ibovespa teve baixa de 0,11%, aos 110.979,10 pontos, fechando o mês com perda acumulada de 6,57%. Desde o início de julho, a desvalorização já chega a 12,48%. O giro financeiro do dia foi de 35,5 bilhões de reais.

Segundo profissionais do mercado, o comportamento do índice ilustrou o horizonte dos investidores para os próximos meses, com correção nas ações de empresas de alto crescimento, mais atingidas pelo ciclo de aperto monetário no Brasil e no mundo, e recuperação em setores de commodities.

Para o analista da Toro Investimentos João Vitor Freitas, além de alta de juro pelo mundo para conter a inflação, afetando a atividade econômica ainda frágil, os negócios no médio prazo ainda devem refletir o temor com crises de energia na China e na Europa, e o fim do programa de compra de títulos nos EUA.

"No caso de Brasil, há ainda ruído em relação ao quadro fiscal", disse Freitas. Economistas têm citado o risco crescente de que o governo Bolsonaro adote medidas populistas à medida que o país se aproxima das eleições presidenciais em 2022.

Nesse contexto, o BTG Pactual (SA:BPAC11) citou em nota que o ciclo de alta de juro pode fazer o fluxo de recursos novos para ações no país cair a um nível mais baixo do que se tem visto desde 2016.

O sentimento predominantemente negativo se mostrou nesta sessão, uma vez que dados de desemprego melhores do que o esperado no Brasil referentes a julho foram insuficientes para sustentar o índice no azul. Ações ligadas a consumo e ao setor imobiliário estiveram entre os destaques de baixa

Destaques

Petrorio deu um salto de 9,5%. A companhia disputa em consórcio a compra do campo de Albacora, colocado à venda pela Petrobras, que caiu 0,58%. O Credit Suisse (SIX:CSGN) disse em nota que a vitória da PetroRio (SA:PRIO3) na disputa seria transformacional para a companhia.

Vale (SA:VALE3) subiu 0,58%, no encalço da alta da cotação do minério de ferro na China à máxima de três semanas. No setor de metais, USIMINAS (SA:USIM5) ganhou 2,7%, enquanto CSN (SA:CSNA3) e Gerdau (SA:GGBR4) tiveram elevação de 3,05% e 3,95%, respectivamente.

LocaWeb ganhou 4,9%, sublinhando recuperação de algumas ações em empresas de tecnologia e de comércio eletrônico que vinham sendo severamente castigadas. Magazine Luiza (SA:MGLU3) subiu 2,9% e TOTVS (SA:TOTS3) teve avanço de 1,75%.

Na ponta contrária, Banco Inter Unit seguiu a derrocada das últimas semanas e caiu mais 7,3%, com investidores se desfazendo de papéis de empresas baseadas em alto crescimento e que devem ser mais afetadas pelo ciclo de alta dos juros. Méliuz tombou 3,8%.

CVC (SA:CVCB3) perdeu 3,9%, com o investidor também vendendo ações ligadas a turismo e aviação, após uma breve recuperação. Embraer (SA:EMBR3) declinou 1,9%, Azul teve baixa de 1,7% e Gol (SA:GOLL4) retrocedeu 0,9%.

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