domingo, 03 de março de 2024
Planejamento e disciplina

Dia de Finados e dinheiro: a gestão financeira bem feita em vida simplifica questões burocráticas

Especialistas em finanças deram algumas dicas que podem simplificar a gestão financeira em vida e a organização dos bens, ainda que poucos, para reduzir as burocracias após a morte

01 novembro 2022 - 17h16Por Redação SpaceMoney

A morte quase nunca é um assunto fácil. Além das questões mais ligadas à existência, há as inúmeras burocracias que o evento traz à tona, a exemplo de conflitos familiares, dificuldades para custear as despesas do inventário assim como dívidas.  

Especialistas em finanças deram algumas dicas que podem simplificar a gestão financeira em vida e a organização dos bens, ainda que poucos, para reduzir as burocracias após a morte, deixando tanto os familiares preparados quanto os negócios organizados.  

1 - Fazer um planejamento patrimonial e sucessório  

Alexandre Brito, sócio e gestor da Finacap Investimentos, explica que o planejamento patrimonial é importante porque ele engloba muitas esferas.

Envolve sobretudo a sucessão dos bens, de como cada coisa construída em vida é passada para os herdeiros. Aqui não se deve julgar o tamanho do patrimônio dos bens deixados.

Recomendamos que em vida as pessoas tenham de forma organizada a posse dos seus bens, pois isso facilita bastante no pós-morte.  

Vale ressaltar, ainda, que a construção de todo e qualquer patrimônio passa por uma vida financeira organizada. Não contrair dívidas que não possam ser pagas; ter um estilo de vida que caiba dentro do orçamento; construir uma reserva de emergência para eventuais imprevistos entre ouras práticas e ações que contribuem para a construção de um patrimônio ao longo da vida.  

“Esse é um assunto extremamente importante, mas também um assunto que muitas vezes não é conversado, porque as pessoas no geral não gostam de pensar na própria morte. Então, é algo que vai sendo deixado para depois, inclusive, muitas vezes, se imaginando que a partilha terá um desfecho tranquilo entre os familiares. O que vemos na prática, no entanto, é que acaba sendo o contrário, a partilha é sempre motivo de intrigas e conflitos”, diz. 

Para as pessoas que pensam em sucessão, fazer o planejamento é uma forma de pensar não em si, mas nos herdeiros.

Alexandre explica que há uma série de formas para desenvolver esse planejamento, entre elas o desenvolvimento de um testamento, estruturas para fazer doação em vida, usufruto e até um fundo de previdência, que é um recurso no qual não incide custos advocatícios, cartoriais, ITCMD dentre outros. 

2 - Fazer um plano de sucessão para os negócios 

Jardel de Souza, planejador financeiro da B.Side Investimentos, explica que um plano de sucessão é importante para reduzir impactos negativos na sucessão da empresa, principalmente entre herdeiros e possíveis sucessores.  

“As experiências recentes indicam que quando o processo sucessório é conduzido pelo atual mandatário dos negócios há uma redução drástica de ruídos e eleva o nível de aceitação de todos envolvidos, o que melhora de maneira significativa a performance dos negócios durante esse período de mudança” explica. 

3 - Investir em fundos de previdência  

Para Marco Noernberg, líder de renda variável da Manchester Investimentos, uma das principais vantagens do investimento em previdência privada em relação à sucessão de bens é a questão do ITCMD, que é a alíquota obrigatória em caso de transferências de um bem de uma pessoa para outra pessoa.  

"Em caso de morte, a previdência não entra em inventário, então o beneficiário recebe sem ter que pagar esse imposto. Cada estado tem uma alíquota diferente, mas é um valor que quando colocado na balança é bem significativo, isso impacta na decisão do investidor” explica. 

Marco também pontua a possibilidade de escolha do beneficiário, pois com a previdência o investidor pode escolher quem serão os recebedores em caso de sua morte. 

4 – Fazer um testamento 

Para Jardel, fazer um testamento pode contribuir para aceitação dos herdeiros da divisão do patrimônio escolhida pelo testador.  

“Nesse caso temos um ganho importante do ponto de vista de bem estar e de amenizar a existência de possíveis conflitos entre os herdeiros. Apenas é preciso se atentar em alguns pontos, pois no testamento também é necessário respeitar a legítima, ou seja, os 50% do patrimônio que devem ser destinados aos herdeiros necessários. Outro ponto importante é que uma vez que exista um testamento será necessário processar o inventário judicialmente, o que impacta desfavoravelmente no fator velocidade de conclusão do inventário”, conclui.