sábado, 27 de novembro de 2021
Cripto em alta

ARTIGO - Vale a pena minerar bitcoin?

Veja como funciona a mineração e saiba detalhes sobre o mercado de criptomoedas

14 abril 2021 - 11h35Por Redação SpaceMoney
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*Por Rudá Pellini

No texto de hoje resolvi falar sobre mineração de bitcoins, ou mining. Para conseguir explicar a mineração de um jeito que todos os leitores entendam, antes, preciso tratar alguns conceitos básicos com relação justamente a definição do que é bitcoin.

Uma das questões mais difíceis é definir e enquadrar o bitcoin em uma "caixa". Ele nasceu para ser um "Sistema de Dinheiro Eletrônico Ponto-a-Ponto", que é muito mais do que uma moeda criptografada. Na prática, ainda não possui todas as características fundamentais para ser considerado uma moeda. Por ser algo extremamente novo, tanto o bitcoin quanto os outros criptoativos podem possuir diversas características e utilizações que não seriam nem imagináveis em 2009, ano em que a moeda começou a funcionar.

Gosto muito de pensar no ativo como uma commodity digital, já que possui características semelhantes ao ouro e a prata, mas é naturalmente digital. Em uma definição simplista, commodities são mercadorias e correspondem a produtos de qualidade e características uniformes, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou de sua origem, sendo seu preço determinado pela oferta e demanda internacional.

Para tentar provar essa tese e observar se faz sentido chamar o bitcoin de commodity, analisamos aqui na Wise&Trust uma série de características gerais das commodities e comparamos ao bitcoin. De doze características que elencamos, o ativo apresentou possuir nove delas, sendo as outras três questionáveis.

Ressalto que dentre as commodities (metais, agrícolas, minerais, etc), nem todas apresentam características gerais. O ativo apresenta fungibilidade - ou seja, um bitcoin é igualmente equivalente a outro, facilmente negociável em diversos segmentos de mercado, possui liquidez e uma curva de oferta previsível.

Como o bitcoin é produzido?

Assumindo que ele é uma commodity, temos neste mercado as "produtoras" destes ativos, que são as mineradoras. Na prática, a atividade dos mineradores é uma prestação de serviços de processamento de transações para a rede do bitcoin. A recompensa desse serviço são taxas de transação mais o direito de emitir novos bitcoins, atuando então como uma Casa da Moeda.

Talvez uma das maiores diferenças em relação às outras commodities seja a curva de oferta. Sabemos que existe um limite de ouro a ser garimpado no mundo, por exemplo. Ocorre que com o aumento do preço, garimpos que não eram operacionais em função do alto custo, passam a ser rentáveis novamente, aumentando consequentemente a oferta de ouro no mercado.

No caso do bitcoin, a quantidade a ser emitida é determinada pelo protocolo, que é feito para que sempre 1 bloco seja emitido a cada 10 minutos. A recompensa por bloco também é definida no protocolo e ainda sofre uma redução de 50% a cada 4 anos. Em relação ao preço, o aumento do valor também é um incentivo para a entrada de novos players.

O grande consumo de energia

Quando o tema é mineração e energia surgem diversos argumentos contrários que sugerem que a atividade seria um desperdício de energia e que a rede do bitcoin já consome mais energia do que países como a Argentina.

Fazendo um comparativo para entender o tamanho da rede em processamento, que hoje é de 165 EH/s, seria como se cada um dos sete bilhões de seres humanos tivessem cerca de 2000un da última versão do Macbook Pro da Apple usados exclusivamente para processar a rede do bitcoin.

Em uma recente pesquisa publicada pela Coinshares Research, foi identificado que cerca de 74% da rede utiliza energia advinda de fontes renováveis e, muitas dessas operações estão localizadas em regiões onde a energia é subutilizada, consumindo localmente o excedente energético produzido.

Qual o cenário atual do mercado?

Gosto de fazer uma analogia no mercado das mineradoras com o que aconteceu nos anos 90 com os provedores de internet. Aqueles anos foram marcados pelo surgimento da internet para o público de massa e também com consolidação do setor. Um exemplo: entre 1995 e 2014, cerca de 43 empresas de provedores de internet nos EUA foram consolidadas em apenas 4: Comcast, Time Warner Cable, Charter e Cox e essa realidade ocorreu também no Brasil e no mundo.

Basicamente o processo ocorreu em três fases, semelhante ao que está ocorrendo no mercado de mining:

- Os primeiros entrantes são muito mais voltados para a parte tecnológica do que para a parte econômica e visão de negócio;

- Os novos entrantes vêm com uma visão mais profissional e abrem caminho para um amadurecimento da indústria;

- Começa a fase de consolidação, onde temos os maiores ou mais "profissionais" da fase II consolidando suas operações através de M&As e novos entrantes com muito acesso à capital e uma visão de crescimento e consolidação de longo prazo.

Cabe ressaltar que a indústria de mineração de bitcoins e criptoativos está diretamente relacionada e dependente da indústria de semicondutores. Atualmente, as maiores fornecedoras de semicondutores para o mercado de mining são a TSMC e a Samsung Electronics. No início de março a Samsung anunciou um investimento de US﹩ 17 bilhões em uma nova fábrica de chips nos EUA.

Com a profissionalização e o crescimento desta indústria, é natural que outros grandes players passem a enxergar o potencial deste mercado, movimento que impulsionou a demanda por placas de vídeo (GPUs) da Nvidia para mineração de outros criptoativos, fazendo com que as ações da empresa saltassem de US﹩ 103 parra US﹩ 598 em 4 anos, uma valorização de cerca de 480% no período.

Na linha da consolidação deste mercado, hoje já temos sete mineradoras de bitcoin com ações listadas em bolsa, além de empresas listadas que já estão começando a investir nesta atividade.

*Rudá Pellini é co-fundador da Wise&Trust

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