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Conjuntura econômica

ARTIGO - Apertem os cintos, a bolsa caiu

Somente a disciplina financeira pode ajudar o investidor em um momento de tantas crises simultâneas, incertezas e pressões políticas

02 agosto 2021 - 11h50Por Redação SpaceMoney

Por Alessandro Torres*

O mês de julho registrou forte queda da bolsa de valores. O índice Ibovespa, da B3, encerrou no último dia de mercado (30/7) aos 121.801 pontos.

No mês anterior, o principal índice do mercado financeiro tinha chegado a 130.776, no seu topo histórico em 07 de junho de 2021. Comparando os dois períodos, temos uma queda de 6,8%, sendo que apenas em julho, caiu 3,94%.

A recente queda tem deixado os investidores preocupados, mas afinal, o que isso pode impactar em seus investimentos? Risco, incerteza, redução temporária do capital investido e volatilidade no curto prazo. Sim, várias coisas não muito positivas, mas que o investidor precisa encarar de cabeça erguida. Estamos passando por turbulências no mercado, apertem os cintos.

Talvez já tenha ouvido falar do célebre filme americano “Apertem os cintos, o piloto sumiu”, que fez sucesso na década de 80 e 90. Ted Striker, um ex-piloto traumatizado pela guerra e com medo de voar estava a bordo de um avião quando encontrou seu grande amor, trabalhando como aeromoça naquele voo e tentou reconquistá-la.

Durante a viagem, muitos passageiros passaram mal após comerem uma comida estragada, que causou desmaios e preocupação geral, principalmente pelo piloto e co-piloto também terem adoecido e ficado inconscientes. Diante disso, o personagem principal, o ex-piloto traumatizado da guerra era a única esperança de tentar aterrizar o avião e salvar as pessoas.

A ilustração do filme com o artigo tem tudo a ver com o atual momento do mercado financeiro. Apesar do avanço da vacinação, ainda estamos vivendo uma crise sanitária e econômica, com efeito direto nas empresas, consumidores, mercados e sistema financeiro.

Além disso, tem um componente especial que vem “abrilhantar” o cenário de incertezas: o risco do aumento de contágio das variantes do coronavírus, a crise política, a instabilidade da governança do país e a véspera do ano eleitoral, que acontece em 2022, mas que já antecipa os efeitos nesse ano.

Novamente estamos passando por um processo de investigação presidencial com a CPI da Covid, assim como ocorreu no governo Dilma Rousseff. Caso comprovem os possíveis atos ilícitos do atual governo e o processo de impeachment contra Bolsonaro avance, podemos ficar sem piloto nesse avião chamado Brasil.

Desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu em 2018/19, a oposição vem articulando estratégias para retomar o poder. Nas eleições passadas, parte da população estava revoltada com o grupo do PT, que governou por quase 15 anos o Brasil, desde quando Lula assumiu em 2003.

Vivemos então praticamente duas crises recentes com impacto na geração de riquezas do país e na bolsa de valores: Em meados de 2015/16, o Brasil registrou o Produto Interno Bruto (PIB) negativo, sendo -3,55% (2015) e -3,31% (2016). Na crise mais recente, em 2020, ocasionada pela pandemia, o PIB atingiu patamar de -4,1%.

Em 2018, ano que ocorreram as eleições presidenciais, o Ibovespa registrou em março, 85 mil pontos. Em junho do mesmo ano, caiu para 70 mil pontos.

O sentimento de renovação política da população na época e do próprio mercado financeiro fez a bolsa registrar no final de outubro do mesmo ano, no final das eleições, 85 mil pontos, recuperando a baixa.

Percebam que a volatilidade em momento eleitoral é normal no mercado financeiro e temos que apertar os cintos, mas não se desesperar.

No início do mandato, em 2019, Bolsonaro e sua equipe econômica experiente tiveram como desafio reverter a situação da economia do país e crise de confiança da população e investidores.

No primeiro ano do novo governo brasileiro (2019), a bolsa chegou a 116 mil pontos, com inúmeras promessas econômicas, políticas e sociais. Diversas medidas foram até implementadas e animaram os investidores e brasileiros.

O ano seguinte, 2020, tinha tudo para ser um “ano de ouro no Brasil”, com forte crescimento econômico. Aí bateu à porta um fenômeno jamais esperado pela população e governantes do mundo inteiro, o coronavírus. Com isso, o nível do “jogo” foi elevado para “level hard”, com maiores desafios para todo o planeta, incluindo o Brasil.

A bolsa que já estava em 118 mil pontos em janeiro de 2020 despencou para 66 mil pontos em março do mesmo ano, com o pânico desencadeado pelo coronavírus. Uma expressão ficou conhecida até para quem não era investidor, o circuit breaker.

O mecanismo é usado na bolsa para uma paralisação temporária, quando o mercado tem uma queda superior a 10% no dia. É como se fosse um reset para recomeçar o pregão. Apenas em março de 2020, ocorreram seis circuit breakers na bolsa brasileira.

No entanto, na visão dos investidores, a bolsa tinha ficado barata, pois retomou ao nível de agosto de 2017. O que aconteceu então? A explosão de youtubers e gurus financeiros chamando as pessoas para investir na bolsa de valores.

Em 2020, ano da pandemia, o número de investidores na bolsa brasileira atingiu 3.229.318, segundo dados da B3, crescimento de 92,1% em relação à 2019, reflexo do aumento da percepção das pessoas de que guardar dinheiro na poupança ou em renda fixa já não estava valendo a pena, principalmente com a queda da taxa Selic dos últimos anos que impactou diretamente na rentabilidade dos investimentos.

Estávamos no patamar da Selic de 14,5% ao ano, em meados de 2016, para 2% ao ano, no início de 2020. A Selic é a taxa básica que regula o mercado financeiro, tanto na concessão de empréstimos como na rentabilidade dos títulos públicos e produtos de renda fixa.

A baixa rentabilidade dos produtos oficiais mais conhecidos pelos brasileiros (poupança, CDB, renda fixa e até Tesouro Direto) já não estavam trazendo retorno aos investidores. Qual saída que as pessoas encontraram? Se arriscar mais no mercado de renda variável, bolsa de valores. Esse movimento foi acentuado entre 2017 e 2020.

No entanto, conforme falado, o título do artigo é “Apertem os cintos, a bolsa caiu”. E pode cair ainda mais, pois estamos vivendo um momento de turbulência, cenário de incertezas políticas, econômicas e sanitárias que refletem diretamente no mercado financeiro.

Em alguns momentos, a bolsa ainda subirá e todos os problemas parecerão ter ficado para trás, mas tenha cautela, pois isso faz parte da volatilidade, que faz o sobe e desce acontecer no mercado de renda variável.

O mundo dos investimentos deve continuar nessa turbulência em 2021 e 2022. Diante disso, sabe qual a melhor saída para enfrentar esse momento?

Busque conhecimento em educação financeira, senão você pode perder muito dinheiro, tomando decisões precipitadas. Segure-se a bordo e em caso de despressurização, coloque a máscara e respire fundo para pensar bem nas suas decisões financeiras. O comportamento é a chave para ter mais sabedoria nesse mundo tão conturbado das finanças.

*Alessandro Torres é especialista em Gestão de Investimentos e Educação Financeira DSOP/Unoeste, pós-graduado em Gestão de Negócios e vice-presidente da ABEFIN-MT (Associação Brasileira de Educadores Financeiros). 

*Com informações de ABEFIN.

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