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Avaliação

Após boom de IPOs, cenário é de cautela para novas entradas na B3 (B3SA3)

Analistas afirmam que, mesmo com início de ano positivo, as circunstâncias atuais não são animadoras para novas ofertas desse tipo, pelo menos por enquanto

21 setembro 2021 - 08h36Por Investing.com

Por Jessica Bahia Melo, da Investing.com - O termo IPO (sigla em inglês para Initial Public Offering, ou oferta pública de ações) vem sendo cada vez mais usado no mercado financeiro brasileiro.

O ano foi marcado por abertura de capital em diversidade de setores, mas com uma abrangência maior das empresas de tecnologia que realizaram suas ofertas iniciais na B3 (SA:B3SA3).

O acesso de mais companhias ao mercado financeiro mostra um amadurecimento da economia, segundo especialistas. Mas, mesmo com início de ano positivo, as circunstâncias atuais não são animadoras para novas ofertas desse tipo, pelo menos por enquanto.

A próxima oferta será da rede de academias Bluefit, marcada para o dia 28 de setembro.

Ano de IPOs

Com o IPO, as empresas que decidem abrir capital passam a ofertar suas ações pela primeira vez na Bolsa de Valores. Para que isso ocorra, a companhia precisa de registro e autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Após esse processo, a empresa divulga documento com as informações relacionadas à companhia e à distribuição das ações.

Muitas companhias aderem à abertura de capital para poder aumentar os recursos financeiros, expansão de mercado e atração de novos talentos.

No entanto, precisam lidar com os processos burocráticos e com os custos envolvidos, além de abrirem suas estratégias – o que pode atrair concorrentes.

O maior IPO do ano foi o da Raizen (SA:RAIZ4), joint-venture da Shell (NYSE:RDSa) (SA:RDSA34) e da Cosan (SA:CSAN3), que movimentou cerca R$ 6,9 bilhões.

Aline Cardoso, gestora de renda variável da EQI Asset, acredita que a maior participação de pessoas físicas na bolsa de valores, a criação de plataformas de investimento mais facilitadas para acesso à renda variável e a queda no tamanho das ofertas impulsionaram os IPOs.

“Antigamente uma empresa de R$ 1 bi de market cap jamais faria IPO, o investidor não tinha apetite para empresas tão pequenas. Como o tema de tecnologia estava muito forte ano passado, continua neste ano e não há muitas empresas grandes de tecnologia no Brasil, as pessoas tiveram que aceitar empresas menores para poder estar exposto a este tema”, explica Cardoso.

Para João Daronco, analista da Suno Research, o mercado de ações brasileiro ainda tem muito a se desenvolver em comparação com países mais desenvolvidos, e tende a ter, no longo prazo, cada vez mais exposição de empresas.

“Vejo o mercado no curto prazo como muito emocional e no longo prazo como muito racional. Para o longo prazo, acredito numa tendência de que cada vez mais empresas se exponham ao mercado de capitais para conseguir levantar recursos. É um mecanismo que permite que as empresas construam robustez financeira e aproveitem oportunidades que o mercado dá”, completa.

Instabilidade política prejudica IPOs

Neste ano, cerca de 40 companhias já cancelaram ou suspenderam os IPOs previstos. A gestora de renda variável da EQI afirma que o cenário não é mais favorável para os IPOs neste momento.

Com a piora nas condições de mercado, o risco fica maior, e aumenta o desconto que o mercado buscaria para comprar aquela ação. Se a empresa não quer um valuation tão baixo, espera um período mais atrativo para precificar a oferta.

Rodrigo Moliterno, sócio fundador da Veedha Investimentos, completa que quem determina se o IPO vai sair ou não e qual será o preço não é o investidor pessoa física, mas o institucional.

“A empresa precisa convencer esses investidores de que o case é bom e está em preços atrativos. Acredito que daqui para frente, com cenário de inflação, juros e incertezas políticas, as novas empresas que estão chegando ao mercado, além de ter uma história muito boa para contar, vão ter que vir com preços atrativos, dar um prêmio para que o investidor entre na operação”, reforça Moliterno.

O que avaliar antes de entrar ou não em um IPO

Para investir em uma companhia que esteja realizando um IPO, é preciso ter conta em banco ou corretora e realizar uma reserva de ações no home broker. Mas a decisão precisa ser ponderada, pois os riscos são maiores, segundo os especialistas.

Cardoso vê como benéfico o investimento durante IPO quando é um segmento novo. “Se a empresa está muito alavancada e há cenário ruim de mercado, eles topam fazer oferta em valuation muito barato, porque eles precisam daquele dinheiro naquele momento”.

O principal risco é a assimetria de informação. “Quando uma empresa realiza o IPO, no prospecto dela, você tem no máximo três anos de histórico. É uma empresa que você não conhece, é um management novo para você, histórico limitado. É um processo em geral rápido. E quando a empresa não é listada, os crescimentos possuem muita volatilidade”, detalha a gestora de renda variável da EQI Asset.

Rodrigo Moliterno concorda que o risco tende a ser maior pela escassez de informações anteriores, se comparado ao de empresas que já estão no mercado de ações há mais tempo. No entanto, é um investimento como outro qualquer, que requer análise metódica da empresa para avaliar se a oferta é interessante.

“É preciso analisar o case e ter na cabeça que vai entrar em um negócio como investimento. Aqui no Brasil a gente tem muito daquela onda de que vai entrar e achar que vai sair rápido no primeiro ou segundo dia porque teve valorização. Alguns dão certo, outros não. Com isso, as ofertas ficam muito infladas. Acho que a cabeça do brasileiro é bem errada e você tem que pensar como forma de investimento”, destaca.

Bons resultados e decepções

A principal decepção para a gestora da EQI foi a Mosaico (SA:MOSI3). Segundo ela, foi um case interessante, porque chegou a subir 100% no primeiro dia, mas acumula até hoje uma queda de 41,16%, com ação cotada a R$ 11,65. Saiu em valuation alto, mas apresentou resultados trimestrais ruins.

Para Cardoso, uma empresa que vem entregando tudo o que prometeu e não está sendo reconhecida é a Sequoia Logística e Transportes SA (SA:SEQL3), que entrega todo o plano de crescimento e investimento prometido.

Desde a estreia, em outubro do ano passado, os papeis valorizaram 34,52%, cotados a R$ 16,68 após o fechamento nesta segunda.

Rodrigo Moliterno apontou a Smartfit (SA:SMFT3) como boa abertura. Até o momento, a ação valorizou 10,43%, cotada a R$ 25,40. Do lado negativo, a Traders Club (SA:TRAD3), que acumula queda de 36,21%, com ação cotada a R$6,07.

Um dos IPOs preferidos deste ano para João Daronco foi da Boa Safra Sementes (SA:SOJA3), que, segundo ele, saiu a um preço barato, tem um modelo de negócio perene e baixos riscos. A decepção ficou por conta da Enjoei (SA:ENJU3), com plano de expansão difícil de se concretizar.

Maiores variações desde estreia*

Vamos Locação (SA:VAMO3) +135,35% (cotada a R$15,30)

Intelbras (SA:INTB3) +91,56% (cotada a R$30,00)

CSN Mineração (SA:CMIN3) +84,04% (cotada a R$28,98)

Boa Safra Sementes (SA:SOJA3) +40,30 (cotada a R$13,89)

GPS Participacoes e Empreendimentos (SA:GGPS3) +39,25% (cotada a R$16,71)

Piores variações desde estreia*

Mobly (SA:MBLY3) -67,01% (cotada a R$8,71)

Oceanpact (SA:OPCT3) -64,66% (cotada a R$3,94)

Westwing (SA:WEST3) – 58,08% (cotada a R$5,45)

Cruzeiro do Sul (SA:CSED3) -44,62% (cotada a R$7,63)

Agrogalaxy Participacoes (SA:AGXY3) -41,82% (cotada a R$8,00)

IPOs realizados neste ano*
Empresa / Estreia na B3 / Variação desde IPO

HBR Realty (SA:HBRE3) / 26 de janeiro / -35,18%

Vamos Locação (SA:VAMO3) / 29 de janeiro / +135,35%

Espaçolaser (SA:ESPA3) / 1º de fevereiro / -5,07%

Intelbras (SA:INTB3) / 4 de fevereiro / +91,56%

Mosaico (SA:MOSI3) / 5 de fevereiro / -41,16

Mobly SA (SA:MBLY3) / 5 de fevereiro / -67,01%

Jalles Machado (SA:JALL3) / 8 de fevereiro / +14,22%

Focus Energia (SA:POWE3) / 8 de fevereiro / -26,07%

Bemobi (SA:BMOB3) / 10 de fevereiro / -18,45%

Cruzeiro do Sul Educacional (SA:CSED3) / 11 de fevereiro / -44,62%

Westwing (SA:WEST3) / 11 de fevereiro / -58,08%

Oceanpact Serviços Marítimos (SA:OPCT3) / 12 de fevereiro / -64,66%

Orizon (SA:ORVR3) / 17 de fevereiro / +32,95

Eletromídia (SA:ELMD3) / 17 de fevereiro / +1,35%

CSN Mineração (SA:CMIN3) / 18 de fevereiro / +84,04%

Hospital Mater Dei (SA:MATD3) / 16 de abril / +5,50%

Blau Farmaceutica (SA:BLAU3) / 19 de abril / +16,07%

GPS Participacoes e Empreendimentos (SA:GGPS3) / 26 de abril / +39,25

Caixa Seguridade (SA:CXSE3) / 29 de abril / -13,24%

Boa Safra Sementes (SA:SOJA3) / 29 de abril / +40,30

Infracommerce (SA:IFCM3) / 4 de maio / -1,81%

PetroRecôncavo (SA:RECV3) / 5 de maio / + 5,90%

GetNinjas (SA:NINJ3) / 17 de maio / -30,10%

Dotz (SA:DOTZ3) / 31 de maio / -32,50%

Tres Tentos Agroindustrial (SA:TTEN3) / 12 de julho / -20%

Smartfit (SA:SMFT3) / 14 de julho / +10,43%

Companhia Brasileira de Aluminio (SA:CBAV3) / 15 de julho / +14,29%

Desktop (SA:DESK3) / 21 de julho / -17,70%

Multilaser Industrial (SA:MLAS3) / 22 de julho / -33,33%

Agrogalaxy Participações (SA:AGXY3) / 26 de julho / -41,82%

Unifique Telecomunicações (SA:FIQE3) / 27 de julho / -23,95%

Traders Club (SA:TRAD3) / 28 de julho / -36,21%

Armac Locação (SA:ARML3) / 28 de julho / +14,25%

Brisanet (SA:BRIT3) / 29 de julho / -30,17%

Clear Sale (SA:CLSA3) / 30 de julho / +2,40%

Raizen (SA:RAIZ4) / 5 de agosto / -3,92%

CM Hospitalar (SA:VVEO3) / 9 de agosto / +22,64%

Oncoclínicas (SA:ONCO3) / 10 de agosto / -26,63%

Kora Saúde (SA:KRSA3) / 13 de agosto / +4,86%

*Cotação com fechamento em 20 de setembro de 2021.

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