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Ações e BDRs do Nubank (NUBR33) caíram após os resultados do 1T22; vale a pena investir no roxinho?

O Nubank registrou um prejuízo líquido de US$ 45,1 milhões no primeiro trimestre, ante perdas de US$ 49 milhões no mesmo período de 2021

18 maio 2022 - 09h56Por Redação SpaceMoney
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 - Crédito: Divulgação

Ontem (17), após a divulgação do balanço de seu primeiro trimestre, as ações do Nubank negociadas em Nova York (NYSE:NU) caíram 6,21%, a US$ 4,08, enquanto os BDRs, negociados na B3 (B3SA3), recuavam 7,40%, a R$ 3,38.

O Nubank registrou um prejuízo líquido de US$ 45,1 milhões no primeiro trimestre, ante perdas de US$ 49 milhões no mesmo período de 2021. Veja o que analistas pensam sobre o desempenho do roxinho.

Catarina Capital

José Augusto Albino, sócio da Catarina Capital, avalia que a fintech bateu praticamente todas as métricas: novos usuários, CAC, ARPU e outras. 

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“Todas as questões de métricas financeiras e operacionais foram muito bem, com exceção da questão de inadimplência, que ficou em linha ou um pouco pior do que o esperado. Parte do mercado esperava algo na faixa de 4%, 4,1% e veio 4,2%, mas ainda continua performando muito bem, porque é um número puxado também por crescimento, como cresceu acima do esperado, naturalmente esse indicador tende a vir um pouco acima do esperado também, então, de maneira geral, foi bastante positivo”, avaliou.

Albino destaca o cost service.

“Os custos operacionais por cliente caíram 30% em relação ao período anterior, então realmente a empresa vem conseguindo escalar bastante. Naturalmente, cada vez mais que cresce a carteira de crédito, mais parecida a empresa fica com um banco, então começa a ter uma despesa financeira elevada, fruto das captações, das operações, então fica um pouco mais parecido com um banco, e acho que o desafio é continuar rollout de novos produtos”, pontuou.

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A principal conquista do balanço do Nubank, na avaliação de Albino, foi que a empresa entregou até mais do que prometia e realmente entrou de forma muito agressiva e consistente no mercado de crédito.

“Se a empresa tinha uma operação em que dependia muito de tarifas, taxas, fruto da parte de cartão de crédito, hoje mais de 70% do faturamento da empresa vem de operações de crédito, então um balanço cada vez com mais cara de banco. Então, realmente conseguiram crescer muito nisso, acelerar muito e já é um player relevante no mercado brasileiro”, diz.

Albino acredita que agora, para os próximos trimestres, a continuidade dessa estratégia deve seguir: ter o maior número de produtos possíveis dentro da carteira de clientes: produtos financeiros, marketplace, seguros, etc, e ver, a cada trimestre, quais são os novos produtos.

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“Eles já mostraram que em crédito pessoal eles são player, conseguiram performar, agora precisam fazer o mesmo movimento com outros produtos, ou seja, crescer, entregar resultado de forma consistente e partir para o próximo. A empresa tem um leque bastante amplo de produtos que vai desde a parte de seguros, marketplaces, parceria de novos créditos, agora a parte de cripto, etc, então cada vez mais entrando em novos segmentos e entregando resultados em cada um deles, é isso que o mercado espera”, avaliou.

BTG Pactual

Para o BTG Pactual (BPAC11), houve um crescimento impressionante em praticamente todos os indicadores analisados.

O número de clientes atingiu 59,6 milhões - 33% da população adulta do Brasil -, altas de 11% T/T, 61% A/A e um pouco acima das projeções do BTG. O crédito pessoal cresceu 44% e a média a receita por cliente (ARPAC) surpreendeu positivamente, que levou a receita total superar as estimativas do banco e do consenso de mercado em aproximadamente 16%.

Enquanto isso, o custo para servir (CTS) melhorou e os NPLs (inadimplência) ainda parecem estar sob controle, apesar do aumento (na sazonalidade, um efeito misto e alguma deterioração macro).

Em um bull market, o BTG espera que a ação reaja positivamente com base nesses resultados, mas como o mercado mudou e a potencial deterioração do ciclo de crédito no Brasil, principalmente para empréstimos ao consumidor sem garantia/mutuários de baixa renda, analistas dizem que não ficariam surpresos se os investidores optassem por ver o copo meio vazio.

“E, por favor, não nos entenda mal, nossa recomendação de venda (ao preço-alvo de R$ 7,50 para o fim de 2022) tem muito mais a ver com o valuation, que achamos muito difícil de justificar, pois vemos o NuBank muito mais como um banco do que uma empresa de software. Além disso, acreditamos que o ciclo de crédito está piorando, principalmente nos segmentos aos quais o Nu está mais exposto”, disse o BTG.

Embora o Nu possa definitivamente provar que estão errados, o BTG disse nunca ter visto nada parecido em mais de 10 anos na cobertura de bancos, principalmente em termos de crescimento de crédito.

“Somos grandes fãs da história, da marca e do produto, mas negociando a aproximadamente 4,2x o valor patrimonial mais recente e considerando o fim do lock-up (o que pode criar um overhang por um tempo devido ao free float muito baixo), ainda acreditamos que nossa recomendação de venda faz sentido”, completou.

Avenue

“Entre os destaques dos resultados, a companhia viu a sua receita média por cliente ativo aumentar para US$ 6,70 contra US$ 5,60 no quarto trimestre de 2021. A taxa de atividade aumentou para 78% de 76,3% no trimestre anterior”, destaca Guilherme Zanin, analista da Avenue.

A base de clientes do Nubank encerrou março com 59,6 milhões de clientes, um avanço anual de 61%, sendo que a base no Brasil cresceu 55%, para 57,3 milhões. Os outros usuários seriam do México e Colômbia.

Nord Research

Danielle Lopes, sócia e analista da Nord Research, destaca que a receita da Nu cresceu 258% em relação ao 1T21, em partes, devido ao aumento de clientes ativos no site, consumindo produtos e cartões de crédito, pré-pago e ultravioleta. 

“A companhia ainda opera em prejuízo, embora tenha apontado um lucro líquido ajustado, descontando alguns eventos não recorrentes, de apenas US$ 10 milhões, o que é muito baixo e pouco significativo”, afirma Lopes. 

O índice de inadimplência começou a subir, com o aumento de crédito pessoal em maior escala, e para a analista da Nord, esse cenário deve continuar avançando até o fim do ano. 

Zanin ainda destaca que hoje, 17, está programado o fim da restrição para negociação das ações dos fundadores e acionistas do Nubank pré-IPO.

Essa data estava programada para junho, mas foi antecipada pela fintech. Isso significa que fundos e investidores relevantes podem começar a negociar os papéis da empresa de acordo com as suas estratégias e expectativas. 

“A Nu Holding possui um valor de mercado de aproximadamente US$ 20,16 bilhões, negocia a -121,51x P/E e desde o IPO caiu -53,6%”, aponta Zanin.  

Lopes recomenda aos investidores que não comprem ações do Nubank, pois ainda permanece cética sobre os números, diante da enorme base de clientes e a lentidão para monetizá-los. Para a especialista da Nord, como o cenário ainda incerto de juros e inflação, o Nubank não deverá conseguir crescer muito sem tentar alguma aquisição mais arriscada para o negócio.

Empiricus

Larissa Quaresma, analista da Empiricus, acredita que o resultado veio pouco abaixo da estimativa, com bom aumento do número de clientes e receita.

"O ponto negativo foi justamente os custos. Essa receita de juros, empréstimos e cartão de crédito, tem um custo de captação. O Nubank remunera seus correntistas a 100% do CDI e com o aumento da Selic, esse custo cresceu 648% em bases anuais, bem acima do crescimento da receita, e com isso a gente vê uma piora de rentabilidade", detalha.

Conforme Quaresma, a inadimplência cresceu 268%, o que levou a uma piora de margem financeira ajustada ao risco. 

 

As informações referentes a avaliações de Avenue, Nord Research e Empiricus foram obtidas pela Investing.com Brasil.

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