
O agronegócio brasileiro enfrenta uma crise sem precedentes, com a inadimplência no crédito rural atingindo 19,6% dos empréstimos em circulação, mais que o triplo do registrado há dois anos. Os leilões de propriedades rurais dispararam, chegando a 14.219 imóveis em 2025, um aumento de 30% em relação ao ano anterior, segundo dados do site Leilão Imóvel. A combinação de queda nos preços das commodities, juros elevados, custos crescentes de insumos e eventos climáticos extremos tem levado produtores à falência e à perda de suas terras.
Crise financeira no campo atinge níveis recordes
Os números do Banco Central revelam que as dívidas rurais com problemas de pagamento mais que quadruplicaram em dois anos, totalizando R$ 171,2 bilhões no início de 2026. A parcela de empréstimos em atraso saltou de 5,5% para 19,6% no mesmo período, evidenciando o agravamento das condições financeiras dos agricultores. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, classificou o momento como extremamente delicado.
Os credores intensificaram a execução de garantias, elevando o volume de propriedades levadas a leilão. Os processos extrajudiciais, mais rápidos, quase dobraram, atingindo 2.398 imóveis em 2025. As regiões produtoras de soja e grãos são as mais afetadas, refletindo a exposição dessas culturas às oscilações de preço e ao clima.
Fatores climáticos e geopolíticos agravam cenário
Os produtores ainda lidam com as consequências das enchentes catastróficas no Rio Grande do Sul em 2024, associadas ao El Niño e às mudanças climáticas, conforme estudo publicado na revista NPJ Natural Hazards. Agora, a perspectiva de um super El Niño preocupa o setor, podendo comprometer a produtividade das safras e reduzir ainda mais a renda no campo.
Além disso, a guerra no Irã elevou os preços dos fertilizantes, forçando muitos agricultores a reduzir os planos de plantio. Os pedidos de recuperação judicial do setor agrícola cresceram 56% em 2025, após mais que dobrarem em 2024, segundo a Serasa Experian. O clima turbulento e os custos elevados criam um ciclo vicioso de endividamento e perda de ativos.
Impacto no mercado e perspectivas
O aumento dos leilões rurais sinaliza uma reestruturação forçada no agronegócio, com possível concentração de terras nas mãos de grandes grupos financeiros. A tendência de piora, observada desde 2019 pelas maiores leiloeiras, indica que a crise ainda não atingiu o fundo do poço. Você pode acompanhar os desdobramentos e as principais notícias sobre economia em tempo real aqui na SpaceMoney.
Analistas destacam que a recuperação do setor depende de condições climáticas favoráveis, queda nos juros e estabilização dos custos dos insumos. Enquanto isso, os produtores seguem sob pressão, com a inadimplência elevada e a perda de propriedades se acelerando. O cenário exige monitoramento constante dos indicadores macroeconômicos e das políticas agrícolas.





