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Private equity e venture capitalCOLUNA

Private equity e venture capital

Rodrigo Fiszman

Sócio-fundador e CEO do Grupo Solum

Onde investir no cenário atual de juros baixos

É necessário equilibrar cada vez mais a carteira de investimentos com ativos de baixo risco e baixo retorno e os de alto risco e alto retorno.

03 março 2021 - 17h59
Onde investir no cenário atual de juros baixos

O mercado brasileiro de investimentos está muito acostumado a obter retornos elevados em operações de baixo risco, por conta do histórico de altas taxas de juros dos títulos públicos. Entretanto, nos últimos anos, algumas mudanças estruturais começaram a acontecer no mercado brasileiro, levando os juros a patamares historicamente baixos. E a perspectiva é que encontremos juros reais de um dígito nos próximos anos. Nesse ambiente, as oportunidades de investimento estão fora do mercado de títulos públicos.

Por diversas razões, como o nosso histórico de inflação elevada antes do Plano Real e a crise da dívida dos anos 1980, o patamar de juros no Brasil sempre esteve entre os mais altos do mundo. Em outubro de 1997, o Banco Central chegou a fixar a taxa de juros em 45% ao ano. A primeira vez em que a taxa de juros SELIC fechou abaixo de 10% foi em junho de 2009, e mesmo nessa ocasião estava entre as mais altas do mundo.

Contudo, em outubro de 2016 a taxa Selic, que estava em 14,25% ao ano, iniciou um ciclo de baixa contínua que só se encerrou em agosto de 2020, quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) fixou a taxa em 2% ao ano.

O Copom utiliza a taxa de juros dos títulos públicos como um mecanismo de controle da inflação. Ou seja, ao fixar o juro pago pelo governo nos empréstimos que capta, ele influencia a taxa de juros da economia como um todo. Se os juros estão baixos, as pessoas contratam mais empréstimos e consomem mais, as empresas investem mais, pressionando os preços e a inflação para cima. Se estão altos, as pessoas contratam menos empréstimos, consomem menos, as empresas investem menos e os preços caem, derrubando a inflação.

Mudança de paradigma

O que aconteceu entre 2016 e 2020 é que os juros caíram sem que a inflação subisse na mesma proporção. Pelo contrário, o IPCA, a inflação medida pelo IBGE, caiu de 6,29%, em 2016, para 4,52%, em 2020.

Entre os principais marcos dessa virada nos juros, está a aprovação, em dezembro de 2016, da emenda constitucional que estabeleceu o teto de gastos públicos e a reforma da Previdência. Com o teto, os gastos públicos estão limitados por 20 anos. Isso reduz a necessidade do governo de se endividar, e por isso ele pode pagar juros menores nos seus títulos.

Isso também derrubou os juros do crédito privado. A taxa DI, que serve de referência para os títulos de renda fixa, caiu de 14,13% ao ano em 19 de outubro de 2016 para 1,90% ao ano em 31 de dezembro de 2020, de acordo com a B3. Mesmo as taxas de juros do crédito a pessoas físicas caíram no período. De acordo com a Anefac, a taxa média do crédito a pessoas físicas caiu de 157,47% ao ano, em outubro de 2016, para 91,42% ao ano, em dezembro de 2020.

Nesse cenário, a perspectiva de se obter retorno elevado com baixo risco nos títulos públicos indexados à Selic está fora do horizonte, pelo menos no curto prazo. Logo, o investidor precisará equilibrar cada vez mais sua carteira de investimentos entre ativos de baixo risco e baixo retorno e os de alto risco e alto retorno.

Respeite seu perfil

Esse equilíbrio depende muito do seu perfil de risco. Por exemplo, um investidor de perfil conservador deve alocar seus investimentos preferencialmente em ativos de renda fixa. Já um investidor de perfil agressivo pode assumir mais riscos.

Na renda fixa, um caminho interessante é ter uma taxa pré-fixada somada à inflação do período. Em um cenário no qual a inflação do período é superior às taxas de juros nominais, esse formato garante um retorno real fixo e a proteção contra a perda de valor do investimento. Taxas pré-fixadas em patamares acima do juro DI ou da Selic também podem ser consideradas opções seguras. 

Há oportunidades em títulos de renda fixa que pagam mais de 100% do CDI, por exemplo. Nesses casos, contudo, é importante tomar cuidado. Um CDB que pague acima do CDI e tenha vencimento em seis meses costuma ser emitido quando o banco tem necessidade imediata de capital, e está disposto a pagar um prêmio maior por este investimento. Por isso, mantenha sua alocação dentro dos limites do FGC e busque avaliar antes os demonstrativos de resultados do banco e o seu rating antes de comprar os títulos.

Um caminho interessante são os títulos de renda fixa emitidos por empresas não financeiras, como as debêntures, LCI (letra de câmbio imobiliário), LCA (letra de câmbio do agronegócio), CRA (certificado de recebíveis do agronegócio) e CRI (certificado de recebível imobiliário). Nesses casos, há oportunidades de retornos interessantes, uma vez que a empresa pode pagar uma taxa de juros mais baixa que a do crédito empresarial bancário e mais alta que o CDI.

Oportunidades em renda variável

A renda variável também tem oportunidades atrativas no ano que passou. Mesmo com a crise da pandemia, o Brasil teve 27 aberturas de capital na bolsa, número que só fica atrás de 2007, quando foram realizados 64 IPOs no país. Dessas, destaca-se a Locaweb, cujo valor subiu mais de 200% após a abertura de capital, em fevereiro de 2020. 

Também há oportunidades no mercado de investimentos alternativos, ou seja, investimento em empresas que não estão na bolsa. De acordo com a Anbima, os fundos de investimento em participações, que investem em participação societária de empresas, captaram R$ 12,6 bilhões em 2020. 

Estudo da Bain para o mercado norte-americano estima que as oportunidades de investimento em participações de empresas (private equity) é 4,5 vezes maior que em ações de empresas listadas. No mercado de títulos de dívida, as oportunidades são 2,5 vezes maiores. E em investimentos imobiliários, elas são 32 vezes maiores.

No Brasil, podemos estimar que essas oportunidades são ainda maiores, considerando que o nosso mercado de capitais ainda é pequeno. No interior do Brasil, ou mesmo no entorno das grandes capitais há várias empresas que são fortes, saudáveis financeiramente e já foram testadas e validadas pelo mercado, com um imenso potencial de crescimento. Em todos os casos, é preciso estar atento ao mercado, analisar todos os cenários e tomar a decisão que mais se encaixa no seu perfil de investidor. 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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