sexta, 19 de abril de 2024
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Negócios com Propósito

Daniela Zuccolotto

Comunicadora social e publicitária, com extensão em Marketing e Pesquisa pela Universidade de Berkeley, Califórnia, e pós-graduação em Ciências Humanas pela PUC RS. Consultora de Branding & Business e de Gestão do Conhecimento. Founder e CEO da Middle-us – consultoria em Gestão da Longevidade e Diversidade Geracional para empresas.

O poder das redes distribuídas

O que podemos aprender com Paul Baran para os negócios sociais

29 novembro 2023 - 14h30
O poder das redes distribuídas

Em 1964, o engenheiro e cientista da computação Paul Baran, reconhecido por seu trabalho na ARPANET, a precursora da Internet, apresentou em seu relatório denominado “On distributed communications” uma teoria para a sobrevivência das redes de comunicação em caso de um desastre nuclear. 

Em sua pesquisa, Baran estudou três estratégias de redes: centralizada, descentralizada e distribuída, desenvolvendo um trabalho pioneiro que testava diferentes graus de conectividade de um conjunto de pontos com graus variados de ligação, a fim de construir um sistema de comunicação mais resistente a falhas. 


Diagramas de Paul Baran

Forma, Polígono

Descrição gerada automaticamente

 

No primeiro caso, ele percebeu que redes centralizadas ofereciam alta probabilidade de colapsarem, pois se o núcleo principal fosse destruído todas as ligações seriam destruídas. 

Já nas redes descentralizadas, nas quais além de um polo central, existiam polos secundários ligados a outros pontos, criando-se pacotes divididos de informações enviados por rotas variáveis, a vulnerabilidade diminuía, mas, ainda assim, se alguns dos nós fossem destruídos, seria o bastante para inutilizar todo o sistema.

No entanto, nas redes distributivas não havia uma hierarquia entre os pontos e todos eles estavam ligados a pelo menos outros dois. Por isso, em caso de ataque, o colapso de um ou mais pontos não afetaria o funcionamento da rede, que seria interligado por aqueles que ainda funcionassem e a única maneira para fazer com que essa rede parasse, seria destruir todo o sistema.


A revolução não está nos pontos, mas nas conexões!

O interessante é perceber que os pontos são exatamente os mesmos nas diferentes estruturas, mas a correlação entre eles muda de maneira significativa a depender das conexões. O fato de todos poderem se comunicar com todos é o que garante que a informação trafegará do início ao fim, independentemente de algum evento com uma ou mais partes.

Essa abordagem influenciou significativamente o desenvolvimento das redes de comunicação e foi fundamental na construção da Internet, fornecendo a base para seu design robusto e sua capacidade de se adaptar a falhas e mudanças na rede; mantendo, assim, a conectividade global.


Mas qual a correlação disso com os negócios sociais? 

Negócios de impacto social são construídos a partir de senso de coletividade e do poder da união ao redor de crenças ou interesses comuns. No mundo atual, de questões sociais urgentes, muitas vezes globais, precisamos mais do que nunca de movimentos coletivos, articulados através de redes distribuídas, com alta capacidade de interação e conexão entre as pessoas e soluções.

Negócios e iniciativas que se conectam e formam uma rede mais resiliente; um ecossistema de inovação social, onde mesmo diante de desafios, o conjunto continua funcionando, se reforçando, se reequilibrando e evoluindo na direção de gerar uma escala maior de mudança positiva, porque tem mais células gerando impacto positivo simultaneamente, de forma orgânica e fluida. 

Adicionalmente, a natureza adaptável das redes distribuídas permite que os negócios sociais inovem e se adaptem rapidamente às mudanças do mercado, às necessidades dos clientes e às novas tendências. Isso é especialmente importante em um ambiente em constante evolução, onde a flexibilidade é crucial para a sobrevivência e crescimento dos negócios.

 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.