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Política NacionalCOLUNA

Política Nacional

Humberto Mariano

Economista e Diretor AETQ de Fundo de Pensão Privado.

O que dizem as pesquisas?

Bolsonaro não anda "tão bem das pernas" quanto achou que estaria há algum tempo

13 julho 2021 - 16h42
O que dizem as pesquisas?

Pesquisa é fotografia, não é filme. Mas, todo mundo gosta de sair bem na foto. Ainda que tudo possa mudar em curto espaço de tempo,  isso não ocorre por um passe de mágica.  O Governo precisa apresentar resultados concretos para estancar a procissão dos “arrependidos”. São quase trinta milhões de almas em busca de um candidato para 2022.

Nas últimas semanas foram divulgadas pesquisas de opinião, realizadas por diferentes institutos, com avaliações sobre o desempenho do Presidente da República e com projeções de intenções de voto para as eleições presidenciais de 2022. Os resultados de todas as pesquisas e quesitos avaliados trouxeram indicadores desfavoráveis ao Governo. Alguns desses resultados eram previsíveis, em especial, a percepção da população sobre a eficiência do governo Bolsonaro no combate à pandemia da Covid-19. O impacto das transmissões diárias da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que, independentemente de sua ausência de foco e de seu viés claramente oposicionista, acabou influenciando o estado de ânimo dos respondentes.

Também chamou a atenção dos analistas a piora dos índices de aprovação da figura de Jair Bolsonaro em importantes aspectos como competência, comportamento, credibilidade e honestidade. Em especial, este último toca em pontos sensíveis do eleitorado bolsonarista, fortemente escorado em um discurso moralista e anticorrupção, principal responsável pela vigorosa e inquestionável vitória de 2018. Segundo denúncias, ainda não comprovadas, o escândalo das rachadinhas, pela primeira vez, chegou às portas do gabinete do então deputado federal, Jair Bolsonaro. Da mesma forma, no Coronagate, personagens obscuros surgem a todo momento, aparentando proximidade, cumplicidade e intimidade com altos escalões do governo. Ainda não é suficiente para acordar Arthur Lira, talvez nem seja mesmo, mas os sinais preocupam. Do contrário, as reações seriam menos destemperadas.

É preciso reconhecer, também, que as pesquisas têm suas limitações, que vão além das margens de erro estabelecidas. Representam a fotografia de um momento específico, não mais que dois ou três dias e, como já vimos, sofrem influências conjunturais e circunstanciais, que estão sujeitas a repentinas mudanças. É difícil, diria impossível, prever o estado de espírito do eleitor em outubro de 2022. Em política, quinze meses representam quase uma eternidade. Da mesma forma, em economia. Sabemos que são esses dois fatores que definem qualquer eleição presidencial. Em abril de 2022 começa o calendário eleitoral com o processo das desvinculações. Depois, temos as convenções partidárias e as consequentes coligações, o registro de candidaturas e o início efetivo das campanhas. Não se dá mais tanta importância ao horário eleitoral gratuito e obrigatório, porque, nos dias de hoje, a arena de combate é outra: a rede social. 

Entretanto, ainda que levemos em conta as limitações apontadas para as pesquisas, não se pode desconsiderar, de todo, o retrato do momento. Ainda mais quando este retrato mostra uma imagem tão pouco agradável aos olhos do inquilino do Palácio do Planalto. A atual diferença de intenção de votos, em favor de Lula, é muito superior à esperada pelo mais pessimista dos bolsonaristas. Pior ainda, quando JB perde, em cenários simulados, até mesmo para candidatos menos vistosos. Ainda que não seja possível, por ora, mensurar a quantidade de “arrependidos”, o fato é que eles existem e estão em crescimento. Espernear pelo voto impresso, xingar o Barroso, ameaçar a realização das eleições e passear de moto com amigos nos sábados pela manhã não têm surtido o efeito desejado. 

Outro fator que vem sendo menosprezado pelos analistas é a ausência de filiação partidária do Presidente. Parece menos importante, porque JB venceu em 2018 com um partido nanico, o PSL. Mas, os tempos são outros. Em 2018, a política e os políticos estavam no mais baixo nível de popularidade da história da República. Esperava-se até uma "nova política", na qual os partidos perderiam influência em favor de personalidades fortes e carismáticas. Até JB já percebeu que esse projeto fracassou. Os partidos se fortaleceram, dominam o Congresso e o Centrão é prova disso. Até Rodrigo Pacheco anda sonhando com o Planalto. Vai que Arthur Lira acorda. E se quando o Presidente quiser escolher o partido,  só lhe sobrar o do Mourão? Penso que JB prefere ter Gleisi Hoffmann como vice a ter que conviver mais quatro anos com o general da Amazônia.

Tudo pode mudar. A CPI, sempre errática no foco, pode desandar. A vacinação vai atingindo bons números. O cabo da PM de Minas Gerais  pode ser um lunático. Essa empresa Precisa pode se tornar uma trading respeitável. O reverendo, talvez, só esteja interessado em proteger seus fiéis. Os coronéis podem resolver voltar aos quartéis e deixar médicos, cientistas e gestores cuidarem da pandemia. Zero Dois pode continuar sumido. Essa bonança perfeita trará JB de volta ao jogo e armado até os dentes. Sai de baixo.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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