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Finalmente, o Brexit

A saída do Reino Unido da União Europeia ficou marcada por 47 anos de vida política integrada ao bloco dos países europeus, e os britânicos foram os primeiros a se retirar, com um resultado de 51,9% dos votos válidos.

28 dezembro 2020 - 13h33
Finalmente, o Brexit

Depois de 54 meses do derradeiro referendo que cimentou a saída do Reino Unido da União Europeia, um acordo que define as relações comerciais entre ambas as partes finalmente foi forjado. Foram 47 anos de vida política integrada ao bloco dos países europeus, sendo os britânicos o primeiro povo a deixar o bloco, com um resultado de 51,9% dos votos válidos.

Boris Johnson, o primeiro-ministro do Reino Unido, está esbanjando motivos para celebrar. Um dos grandes receios dos britânicos era de se encontrarem parte de uma separação sem nenhum acordo com a União Europeia. Com mais ou menos metade de todo o comércio internacional britânico sendo estabelecido com a união do outro lado do canal, é difícil de imaginar a magnitude do trauma de uma eventual saída sem acordo, com toneladas de produtos estando imediatamente sujeitos às leis aduaneiras.

O acordo desenhado, que ainda precisa ser aprovado pelos parlamentos de ambas as partes, basicamente isenta de tarifas e quotas todos os bens – incluindo os agrícolas e pesqueiros – além de outras medidas de facilitação de comércio. É um acordo mais livre do que a maior parte daqueles assinados pela União Europeia com outras nações. No entanto, justamente em serviços – pauta na qual o Reino Unido tinha um superávit comercial significativo – os itens estão, em sua maior parte, excluídos das isenções.

O impacto econômico do acordo acabará sendo significativo. Algumas estimativas levantadas pelo governo apontam que a renda nacional per capita do Reino Unido poderá acabar, no longo prazo, ficando 5% menor do que estaria se o país permanecesse na União Europeia.

Contrapartidas

O impacto político – aquele verdadeiramente desejado pelos eleitores que votaram pela saída – é o benefício a ser adquirido pelo preço. O foco do governo de Johnson foi apontar a recuperação da soberania nacional mesmo ao custo do acesso ao mercado europeu. Será um legado a ser julgado pelas gerações seguintes.

O afastamento da hipótese de um divórcio mais conturbado acabou, no entanto, animando os mercados. A libra voltou a se aproximar de seus níveis máximos de 2020 contra o dólar americano, e também se valorizou contra o euro, com os papéis de empresas domésticas da Bolsa de Londres também apresentando bom desempenho, assim como os mercados europeus.

Se os mercados já decidiram por algum otimismo, a incerteza ainda vai parar por um bom tempo sobre a economia real. Os impactos finais ainda tardarão a se tornarem claros. Uma vez que se tenha mais clareza a respeito do que surgirá a partir do divórcio, certamente os escoceses retomarão as discussões quanto a uma eventual independência em relação ao Reino Unido. Uma separação da Escócia poderá encorajar movimentos similares por parte da Irlanda do Norte, que também votou, em grande medida, pela permanência na zona de livre comércio.

O futuro de Boris Johnson à frente do país também dependerá do pós-Brexit. O ano que começa será de múltiplos recomeços para o Reino Unido, finalmente livre do legado do referendo e capaz de olhar para a pandemia pelo retrovisor. Resta definir para onde os britânicos pretendem rumar nessa nova fase da vida nacional. 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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