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Projeções para 2021: pressão inflacionária se dissipará e serão criados 7 milhões de empregos

No cenário atual, reiteramos nossa projeção de retração do PIB real de 4,5% neste ano.

08 dezembro 2020 - 15h16
Projeções para 2021: pressão inflacionária se dissipará e serão criados 7 milhões de empregos

Desde o início desta crise, sustentamos nosso cenário de que a atividade econômica no Brasil apresentaria uma forte recuperação a partir de maio. A redução do isolamento e os estímulos do governo impulsionaram o consumo das famílias e, consequentemente, a produção nacional. Nesse ambiente, reiteramos nossa projeção de retração do PIB real de 4,5% neste ano.

Essa retomada da produção exige a recontratação de parte dos 12 milhões de trabalhadores que perderam a ocupação durante a crise. Estimamos a criação de 7 milhões de vagas de emprego até o final do próximo ano, o que implicará em aumento da massa salarial real.

Além disso, as medidas de liberação de liquidez pelo Banco Central do Brasil (Bacen) e a heroica taxa básica de juros em apenas 2,0% ao ano estão impulsionando o mercado de crédito, especialmente para pessoa física.

Expansão do consumo e do emprego

Assim, mantemos nossa estimativa de expansão do consumo das famílias em 3,6% no próximo ano, o que possibilitará crescimento do PIB real de 4,0% em 2021. Todo esse crescimento da atividade significa elevada pressão inflacionária para frente? Não.

A criação de 7 milhões de vagas de emprego significa que outras 16 milhões de pessoas continuarão sem ocupação ao longo do próximo ano. A ociosidade do mercado de trabalho diminuirá, mas ainda estará muito acima do normal.

O elevado contingente de desempregados limitará os reajustes salariais no próximo ano. Mesmo que um eventual reajuste salarial consiga repor a inflação passada, estamos falando de cerca de 4%, muito abaixo dos reajustes entre 8% e 10% ocorridos até 2015. 

Assim, a redução apenas gradual da ociosidade limitará a aceleração da inflação de serviços de 1,6%, em 2020, para cerca de 3,0%, em 2021. 

Aumento de preços

A inflação de curto prazo está sendo fortemente pressionada pela combinação da forte desvalorização cambial dos últimos meses, aumento do preço mundial de commodities agrícolas e descasamento temporário entre o retorno da demanda e oferta.

Acreditamos que essas pressões dissiparão ao longo do próximo ano, pois: 

• não vislumbramos necessidade de desvalorização cambial adicional. As contas externas estão ajustadas, com elevado superávit na conta corrente e estabilização do fluxo de capital; 

• não esperamos nova rodada de aumento do preço das commodities agrícolas, devido ao aumento da safra mundial e recuperação da produção de proteína animal na China; 

• a capacidade de oferta deve ser reequilibrada em breve 

Por fim, alguns aumentos de preços foram represados ou postergados neste ano. Um exemplo foi plano de saúde, deixando uma pressão adicional na inflação para o ano que vem.

Assim, estimamos IPCA 2020 em 4,1% (praticamente no centro da meta de 4,0%), com desinflação de serviços e forte pressão em alimentação. O IPCA 2021 ficará em 3,4% (ligeiramente abaixo do centro da meta de 3,75%), com aceleração moderada em serviços e desinflação de alimentação.

 Portanto, reiteramos nossa perspectiva de recuperação da atividade econômica acima do consenso. Isso não significa que a ociosidade esgotará rapidamente. Pelo contrário, eventuais reajustes salariais serão modestos. Isso minimiza o risco de propagação do atual choque de inflação para o próximo ano. Não extrapole o último dado.

Global: crescimento e liquidez 

A atividade mundial continuou em forte expansão em novembro, apesar da implementação de novas restrições de deslocamento em vários países desenvolvidos. A perspectiva de vacinação contra a Covid19 e novos estímulos dos governos deverão manter a economia mundial aquecida no próximo ano.

Nos EUA, as medidas de isolamento social adotadas por diversos estados prejudicaram pouco o desempenho da atividade econômica. Indicador do Google mostra que o deslocamento ao trabalho não deteriorou em novembro, o que sinaliza que as condições de produção foram preservadas. 

Além disso, a eleição de Joe Biden como próximo presidente americano nos levou a incluir no cenário base o anúncio de mais uma rodada de estímulo fiscal de US$ 800 bilhões no início de 2021.

Não podemos esquecer que o Federal Reserve (FED) deverá manter o estímulo monetário por muito tempo à frente, pois a inflação está em apenas 1,4% ao ano (abaixo da meta de 2,0%). Isso significa que a taxa de juros permanecerá em praticamente zero e o banco central continuará comprando ativos financeiros nos próximos trimestres. 

Por fim, o início da vacinação permitirá que as pessoas voltem gradualmente para o convívio social, beneficiando o setor de serviços. 

Dessa forma, aumentamos nossa projeção de crescimento do PIB real dos EUA em 2021 para 5,0%. 

Na zona do Euro, o fechamento de bares, restaurantes e, em alguns casos, do comércio, também reduziu pouco a mobilidade das pessoas. O Banco Central Europeu (BCE) sinalizou que iniciará mais uma rodada de estímulos neste mês, com ampliação da compra de ativos. Enfim, teremos mais uma rodada de aumento da liquidez à frente. 

Os países emergentes também apresentam forte recuperação da atividade, com destaque para os asiáticos. Tudo isso beneficia o comércio mundial.

Que venha 2021! 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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