segunda, 08 de agosto de 2022
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Breno Costa

Diretor da Neurotech e Especialista do Mercado de Crédito.

Vai dar match? Há sinais de convergência entre consumidores e crédito

Além da Selic, outro fator que promete acelerar o match entre consumidores e instituições financeiras para a concessão do crédito é a entrada em operação do Open Banking.

20 novembro 2020 - 13h41
Vai dar match? Há sinais de convergência entre consumidores e crédito

Já faz algum tempo que o mercado de crédito vive uma relação conturbada entre seus dois principais elementos. Se, por um lado, os consumidores nunca perderam o desejo de obter maior intimidade, materializada em um reforço de caixa, por outro, as instituições fornecedoras de financiamento não pareciam tão dispostas assim a corresponder de forma completa às investidas, em função de uma série de fatores macroeconômicos.

Ocorre que, nos últimos meses, começaram a surgir alguns sinais de que, finalmente, pode acontecer um ‘match’ perfeito entre eles. 

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Antes de falar de economia, é preciso explicar àqueles que ainda usam expressões como “quando um não quer dois não brigam”, que match é uma palavra em inglês que pode significar “combinação”. Dessa forma, a expressão “dar match” se popularizou por causa de aplicativos de encontros. Neles, quando duas pessoas gostaram uma da outra se diz que deu match.

Redução de taxas

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Um dos sinais mais claros do aparente match no crédito foi a notícia de que todas as taxas de juros para pessoas físicas, incluindo cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal e outras, apresentaram redução no mês de outubro.

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), essa teria sido a 7ª redução consecutiva das taxas, como consequência, principalmente, da queda da Selic para 2% ao ano e dos aportes do governo em forma de apoio ao pagamento das folhas das pequenas e médias empresas.

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A taxa média de juros para pessoa física caiu 0,36% em outubro, de 5,56% para 5,54%. Esse índice é o menor desde agosto de 2013, quando registrou 5,51% ao mês.

Em termos de modalidade, os juros do cartão de crédito registraram redução de 0,18% no período, caindo de 11,03% ao mês para 11,01%. Nesse caso, é a menor taxa desde janeiro de 2016, quando foi de 10,96% ao mês.

Por sua vez, a redução no cheque especial foi de 0,29%, atingindo o menor nível da série histórica. Em setembro era de 7,01% ao mês e, agora, é de 6,99%. 

Já no empréstimo pessoal houve redução tanto em bancos quanto em financeiras, sendo que no primeiro caso a redução foi de 0,64% e, agora, está em 3,12% ao mês, menor taxa desde agosto de 2013. Enquanto isso, no caso das financeiras, a redução foi menor, de 0,32% e, agora, é de 6,16% ao mês, também a menor da série histórica.

Observando o comportamento da taxa Selic num histórico mais abrangente, é possível notar o forte empurrão que esse indexador tem dado para o match do crédito. Só para exemplificar, em março de 2013 a Selic era 7,25%, tendo caído para 2% no mês passado. Isso significa um recuo de 5,50 pontos percentuais ou de 72,41% no período.

Open banking, mais um fator

Além da Selic, outro fator que promete acelerar o match entre consumidores e instituições financeiras para a concessão do crédito é a entrada em operação do Open Banking.

Desenvolvido com o objetivo de aumentar a concorrência no setor bancário, esse instrumento vai conceder mais oportunidades para as pessoas na escolha do parceiro com o qual vai aprofundar o match no crédito.

Uma forma de simplificar a explicação das mudanças pretendidas pelo Open Banking é comparar a compra de um produto financeiro à aquisição de um item qualquer em um supermercado.

Quando vamos ao nosso supermercado preferido, somos geralmente bem atendidos porque o estabelecimento nos conhece. Ele sabe das nossas preferências em termos de produtos. Conhece nossa condição financeira e já adaptou suas ofertas à maneira como fazemos nossos pagamentos.

Já quando vamos fazer compras em um local novo, isso não acontece. Somos estranhos e esse varejista não tem condições de oferecer o mesmo nível de atendimento.

Tradicionalmente, o segmento bancário funciona como o caso do mercado onde somos conhecidos. Quando passamos a ser clientes de uma determinada instituição, somos expostos a seus produtos e serviços. Esse banco prepara tudo com base no histórico de relacionamento que temos com ele.  

O Open Banking virá para mudar esse cenário. Ao permitir que nossas informações sejam acessadas por outras empresas, esses novos ‘supermercados’ também poderão nos tratar como se fôssemos velhos conhecidos.

A igualdade de condições, em termos de conhecimento do comportamento do cliente, obrigará uma corrida dos bancos, fintechs e financeiras para oferecer o melhor produto, o que reduzirá ainda mais as taxas de juros e aumentará cada vez mais a chance de dar match entre o consumidor brasileiro e o crédito.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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