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Breno Costa

Diretor da Neurotech e Especialista do Mercado de Crédito.

Vai dar match? Há sinais de convergência entre consumidores e crédito

Além da Selic, outro fator que promete acelerar o match entre consumidores e instituições financeiras para a concessão do crédito é a entrada em operação do Open Banking.

20 novembro 2020 - 13h41
Vai dar match? Há sinais de convergência entre consumidores e crédito

Já faz algum tempo que o mercado de crédito vive uma relação conturbada entre seus dois principais elementos. Se, por um lado, os consumidores nunca perderam o desejo de obter maior intimidade, materializada em um reforço de caixa, por outro, as instituições fornecedoras de financiamento não pareciam tão dispostas assim a corresponder de forma completa às investidas, em função de uma série de fatores macroeconômicos.

Ocorre que, nos últimos meses, começaram a surgir alguns sinais de que, finalmente, pode acontecer um ‘match’ perfeito entre eles. 

Antes de falar de economia, é preciso explicar àqueles que ainda usam expressões como “quando um não quer dois não brigam”, que match é uma palavra em inglês que pode significar “combinação”. Dessa forma, a expressão “dar match” se popularizou por causa de aplicativos de encontros. Neles, quando duas pessoas gostaram uma da outra se diz que deu match.

Redução de taxas

Um dos sinais mais claros do aparente match no crédito foi a notícia de que todas as taxas de juros para pessoas físicas, incluindo cartão de crédito, cheque especial, empréstimo pessoal e outras, apresentaram redução no mês de outubro.

Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), essa teria sido a 7ª redução consecutiva das taxas, como consequência, principalmente, da queda da Selic para 2% ao ano e dos aportes do governo em forma de apoio ao pagamento das folhas das pequenas e médias empresas.

A taxa média de juros para pessoa física caiu 0,36% em outubro, de 5,56% para 5,54%. Esse índice é o menor desde agosto de 2013, quando registrou 5,51% ao mês.

Em termos de modalidade, os juros do cartão de crédito registraram redução de 0,18% no período, caindo de 11,03% ao mês para 11,01%. Nesse caso, é a menor taxa desde janeiro de 2016, quando foi de 10,96% ao mês.

Por sua vez, a redução no cheque especial foi de 0,29%, atingindo o menor nível da série histórica. Em setembro era de 7,01% ao mês e, agora, é de 6,99%. 

Já no empréstimo pessoal houve redução tanto em bancos quanto em financeiras, sendo que no primeiro caso a redução foi de 0,64% e, agora, está em 3,12% ao mês, menor taxa desde agosto de 2013. Enquanto isso, no caso das financeiras, a redução foi menor, de 0,32% e, agora, é de 6,16% ao mês, também a menor da série histórica.

Observando o comportamento da taxa Selic num histórico mais abrangente, é possível notar o forte empurrão que esse indexador tem dado para o match do crédito. Só para exemplificar, em março de 2013 a Selic era 7,25%, tendo caído para 2% no mês passado. Isso significa um recuo de 5,50 pontos percentuais ou de 72,41% no período.

Open banking, mais um fator

Além da Selic, outro fator que promete acelerar o match entre consumidores e instituições financeiras para a concessão do crédito é a entrada em operação do Open Banking.

Desenvolvido com o objetivo de aumentar a concorrência no setor bancário, esse instrumento vai conceder mais oportunidades para as pessoas na escolha do parceiro com o qual vai aprofundar o match no crédito.

Uma forma de simplificar a explicação das mudanças pretendidas pelo Open Banking é comparar a compra de um produto financeiro à aquisição de um item qualquer em um supermercado.

Quando vamos ao nosso supermercado preferido, somos geralmente bem atendidos porque o estabelecimento nos conhece. Ele sabe das nossas preferências em termos de produtos. Conhece nossa condição financeira e já adaptou suas ofertas à maneira como fazemos nossos pagamentos.

Já quando vamos fazer compras em um local novo, isso não acontece. Somos estranhos e esse varejista não tem condições de oferecer o mesmo nível de atendimento.

Tradicionalmente, o segmento bancário funciona como o caso do mercado onde somos conhecidos. Quando passamos a ser clientes de uma determinada instituição, somos expostos a seus produtos e serviços. Esse banco prepara tudo com base no histórico de relacionamento que temos com ele.  

O Open Banking virá para mudar esse cenário. Ao permitir que nossas informações sejam acessadas por outras empresas, esses novos ‘supermercados’ também poderão nos tratar como se fôssemos velhos conhecidos.

A igualdade de condições, em termos de conhecimento do comportamento do cliente, obrigará uma corrida dos bancos, fintechs e financeiras para oferecer o melhor produto, o que reduzirá ainda mais as taxas de juros e aumentará cada vez mais a chance de dar match entre o consumidor brasileiro e o crédito.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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