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Breno Costa

Diretor da Neurotech e Especialista do Mercado de Crédito.

Mais poder de fogo para o consumidor

O Open Banking começou a funcionar no dia 1º de fevereiro e promete dar mais munição para consumidores negociarem melhores taxas e serviços junto às instituições financeiras.

04 fevereiro 2021 - 14h11
Mais poder de fogo para o consumidor

O Open Banking, um novo conjunto de tecnologia que vai permitir o compartilhamento de dados de clientes e serviços entre bancos e outras instituições financeiras, como as fintechs, começou a funcionar no dia 1º de fevereiro e promete dar mais munição para consumidores negociarem melhores taxas e serviços junto às instituições financeiras. 

Esse novo modelo de negócio já pode ser considerado a terceira onda para o segmento de crédito. A primeira onda ocorreu nos anos 1990, quando teve início a informação cadastral, e a segunda veio com os birôs de crédito e as ferramentas de credit score.

A implantação do novo sistema será dividida em quatro fases, sendo a última em 15 de dezembro. Nesta primeira etapa, o Banco Central abriu um canal para o compartilhamento de informações das instituições, como, por exemplo, tipo de conta, serviços, taxas, tarifas e rendimentos. Com isso, um banco vai saber o que o outro faz e, nós correntistas poderemos comparar as ofertas existentes no mercado com melhor clareza.

Na próxima fase, será a vez de os correntistas terem seus dados pessoais compartilhados. Mas essa exposição só pode ser feita mediante autorização do que poderá ser dividido, com quais bancos ou fintechs quer dividir as informações, para qual objetivo específico e por quanto tempo.

Na terceira fase, o consumidor vai começar a perceber as instituições financeiras disputando seu dinheiro. Isso porque nessa etapa os bancos já sabem o que seus concorrentes oferecem e as taxas cobradas pelos serviços e vão conhecer a vida financeira do consumidor, saber se ele é um bom pagador, seu histórico de movimentação, que tipo de investimento possui, e vão poder oferecer produtos e serviços mais adequados ao perfil do cliente e com taxas mais competitivas.

A quarta e última fase será quando as instituições vão desenvolver formas mais simples de interação com o cliente, como por celular.

Todo o Open Banking está sob a tutela do Banco Central, que é o responsável pelas regras e pela segurança. A autoridade monetária garante que todas as informações trocadas no ambiente do Open Banking são seguras, assim como acontece com todas as transações realizadas no Sistema Financeiro Nacional.  A tecnologia, mais uma vez, está a trabalho do consumidor, que passa a ter mais poder de negociação.

Tecnologia disruptiva

Uma das principais justificativas dos bancos para as altas taxas de juros é a inadimplência. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em dezembro do ano passado, 66,3% dos consumidores estavam endividados.

Quanto maior a informação coletada pela instituição financeira na hora de decidir pela concessão de crédito, mais apurada será a diferenciação entre os bons e os maus pagadores.

Esse avanço tecnológico não está limitado somente às instituições financeiras; o comércio também poderá desfrutar de uma tecnologia que permite maior assertividade na concessão de crédito.

No mercado, já existem serviços que ajudam o empresário a aprovar uma quantidade maior de tomadores, mantendo o mesmo nível de inadimplência, ou ampliar a concessão de crédito para a mesma base de clientes.

A tecnologia está mudando a forma de o mercado analisar, aprovar e conceder crédito. Quanto menor a assimetria de informações, maior o volume de crédito que pode ser concedido sem aumentar o risco para a instituição financeira, democratizando o crédito a taxas de juros menores.

Outra coisa importante que vem junto com a tecnologia é a agilidade para fazer negócio. Uma operação ou a busca de informação sobre uma pessoa ou empresa antes demoravam algum tempo, e hoje é possível ter conhecimento da vida financeira do cliente em minutos.

Assim como o Open Banking, as tecnologias existentes no mercado chegaram para revolucionar a forma de fazer negócios, permitindo que as instituições financeiras e os fornecedores tenham mais conhecimento do seu cliente e possam oferecer taxas e serviços mais favoráveis. Com mais dados em mãos o bom pagador, finalmente, poderá ser beneficiado.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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