domingo, 16 de janeiro de 2022
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Investimentos alternativos

Arthur Farache

Advogado e CEO da Hurst Capital.

2022 é o ano dos ativos alternativos

Esse tipo de investimento está atrelado ao CDI e sua originação considera projeções para inflação, dólar e outros indicadores

07 janeiro 2022 - 15h21
2022 é o ano dos ativos alternativos

O ano passado não foi fácil para ninguém. Investidores mais arrojados se depararam com uma volatilidade histórica das ações na bolsa de valores e os mais conservadores, felizes com a alta da taxa Selic, se assustaram com o aumento inflacionário que impactou no retorno da renda fixa. E como as expectativas para os próximos 12 meses não são as melhores, é possível afirmar que 2022 é o ano dos ativos alternativos.
 
Para entender a razão desse otimismo vale relembrarmos o que aconteceu em 2021. Vamos começar pela renda fixa. Até o dia 30 de dezembro, investimentos atrelados à taxa básica de juros, a Selic, renderam 4,35% no ano, mas descontada a inflação, que até aquela data estava em 10,42%, o rendimento foi negativo.
 
Pior do que os investimentos em renda fixa foram os de renda variável. Claro que há casos em que o investidor obteve retornos positivos, mas no geral os números foram ruins. O Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, acumulou queda de 11,92% no ano, sem contabilizar a alta dos preços. Com a inflação, a rentabilidade real foi negativa em quase 20%.
 
As expectativas para 2022 não são tão animadoras. Há quem avalie que a Selic estará alta para uma inflação mais baixa. Talvez. E todos torcemos para que a inflação arrefeça. Mas a verdade é que entramos em ano eleitoral com o país ainda bastante dividido politicamente, crise entre os poderes ainda sem solução e preocupações com questões de cunho fiscal. Pode-se colocar na conta ainda o medo do retorno da pandemia por causa da variante ômicron do coronavírus. Ou seja, um cenário não muito diferente daquele que vivemos em 2021.
 
Dentro desse contexto, o melhor a se fazer para obter ganhos reais é investir em ativos reais, também conhecidos como ativos alternativos. Isso porque esse tipo de ativo tem atrelamento ao CDI e no momento de sua originação são consideradas possibilidades que possam interferir na rentabilidade como a própria inflação, a valorização do dólar, entre outros fatores.
 
E o que é ruim para um pode ser bom para outro. Por exemplo, quem investe em ativos reais relacionados com o setor imobiliário, certamente ganhará com o aumento da inflação, pois esta impacta nos preços dos imóveis e também dos aluguéis, gerando mais retorno para o investidor.
 
Para efeito de comparação, no segundo semestre do ano passado, enquanto muitos enfartavam com perdas originadas pela volatilidade da Bolsa ou se conformavam em perder menos na renda fixa, investidores que aplicaram recursos em precatórios federais dois anos antes, receberam seus investimentos de volta com mais de 16% de rentabilidade. Isso em um momento em que a inflação acumulada de 12 meses ainda estava na casa dos 8%.
 
Não importa o tipo de ativo alternativo. Obra de arte, royalties musicais, recebíveis. Qualquer um deles pode oferecer rentabilidade real, com segurança muito próxima à da renda fixa e sem a volatilidade da renda variável. Não há dúvidas de que no mundo financeiro os ativos alternativos são a tão almejada “terceira via” para os investidores.
 

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.

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