Logotipos de empresas de tecnologia com gráfico de alta ao fundo, representando a valorização de ações de Big Tech após revisão de lucros
Ações de Big Tech ganham destaque após revisão positiva de lucros e queda nos múltiplos de avaliação

As ações das grandes empresas de tecnologia voltaram ao centro do radar dos investidores no início de 2026, após uma mudança relevante nos indicadores de valuation. Mesmo com oscilações nos preços dos papéis nos últimos meses, o que chama atenção é a queda expressiva dos múltiplos de preço sobre lucro projetado (P/L forward), impulsionada principalmente pela forte revisão para cima das estimativas de resultados.

O P/L forward é calculado a partir do preço atual da ação dividido pelo lucro por ação estimado para os próximos 12 meses. Desde o fim de outubro, esse indicador caiu de forma consistente para a maioria das companhias de tecnologia listadas no S&P 500, refletindo não apenas movimentos de mercado, mas sobretudo expectativas mais otimistas para os lucros futuros.

Setor de tecnologia vê compressão de múltiplos

Dados consolidados mostram que o P/L forward do setor de tecnologia do S&P 500 recuou de cerca de 31,8 no fim de outubro para aproximadamente 26 no início de janeiro. No mesmo período, o preço médio ponderado das ações do setor caiu pouco mais de 4%, evidenciando que a principal força por trás da queda do múltiplo foi o aumento das projeções de lucro.

No índice S&P 500 como um todo, o movimento também ocorreu, mas em menor intensidade: o P/L forward passou de 23,3 para 21,9 no mesmo intervalo.

Revisões de lucro explicam o movimento

A principal explicação para esse ajuste está na elevação das estimativas de lucro por ação feitas por analistas. Em várias empresas, as projeções de resultados para os próximos 12 meses cresceram em ritmo bem superior às variações nos preços das ações, reduzindo automaticamente os múltiplos.

Entre as maiores companhias do setor, empresas ligadas à cadeia de semicondutores se destacaram. Algumas registraram aumentos expressivos nas projeções de lucro, impulsionadas pela forte demanda por chips de memória, processamento avançado e aplicações ligadas à inteligência artificial.

Um exemplo é o segmento de fabricantes de memória, onde a combinação de preços mais altos e recuperação de volumes levou a revisões agressivas nas expectativas de resultado. Em alguns casos, as estimativas de lucro mais que dobraram desde o fim de outubro, mesmo com ações já acumulando altas relevantes no período.

Nem todas as Big Tech estão no mesmo setor

Apesar de serem frequentemente agrupadas como “Big Tech”, nem todas as grandes empresas de tecnologia estão classificadas no setor de tecnologia do S&P 500. Algumas gigantes de mercado fazem parte de outros segmentos, como serviços de comunicação ou consumo discricionário, o que exige uma análise mais ampla quando se observa o comportamento do grupo como um todo.

Ao considerar as maiores companhias de tecnologia por valor de mercado, o padrão se repete: para a grande maioria, o P/L forward atual é inferior ao observado no fim de outubro, reforçando a percepção de que os papéis ficaram relativamente mais baratos sob a ótica de lucro futuro.

Exceções pontuais e dispersão entre empresas

Apesar da tendência geral, há exceções. Algumas empresas ligadas a equipamentos para a indústria de semicondutores apresentaram aumento no múltiplo forward, resultado de forte valorização das ações em um ritmo superior ao crescimento das estimativas de lucro.

Ainda assim, o panorama geral aponta para uma compressão relevante dos múltiplos no setor, o que altera a percepção de risco e atratividade das ações de tecnologia no início de 2026.

Mercado reavalia o custo de crescimento

O movimento recente indica que, após meses de ajustes e volatilidade, o mercado passou a precificar um cenário de crescimento de lucros mais robusto para as grandes empresas de tecnologia. Com isso, mesmo após anos de forte valorização, parte do setor volta a apresentar valuations mais equilibrados quando analisados em termos prospectivos.

Para investidores, o recuo dos múltiplos combinado à revisão positiva de lucros sugere que o setor entrou em 2026 em uma posição diferente da observada no final de 2025: menos dependente de expectativas extremas e mais sustentado por fundamentos projetados.