A licença bancária no Brasil é um objetivo da Revolut, mas não está entre as prioridades imediatas da fintech britânica no país. A informação foi publicada pelo Money Times em reportagem de Maria Carolina Abe, baseada em entrevista com o CEO da operação brasileira, Glauber Mota, no programa Money Minds.

Segundo o executivo, a companhia deseja virar banco em todos os países onde opera, sempre no maior grau de conformidade exigido por cada regulador. Sobre o caso brasileiro, ele foi direto: “Você precisa ser banco agora? Não preciso ainda”.

Ainda de acordo com Mota, o pedido de licença plena vai depender da escala que o negócio local alcançar e do ambiente regulatório. Hoje a empresa já funciona como instituição financeira autorizada pelo Banco Central e segue as regras de reporte do supervisor, o que tornaria a licença um passo seguinte na evolução da operação.

Presente no Brasil há pouco mais de três anos, a Revolut reúne cerca de 250 profissionais em duas estruturas: uma de tecnologia, que também desenvolve soluções para outras unidades do grupo, e outra com aval do Banco Central para atuar como instituição financeira.

Crédito e ampliação da prateleira

O avanço no crédito é apontado como um dos fatores que podem justificar uma estrutura bancária mais completa no futuro. O cartão de crédito já é oferecido no país e a fintech planeja lançar outras linhas, embora juros elevados e inadimplência tornem o mercado brasileiro mais complexo do que o de outras praças. A aposta é usar escala, tecnologia e análise de dados para operar com custo menor.

Em reportagem do Money Times, o CEO também comparou a ambição da companhia à de Amazon e Mercado Livre, com a oferta de vários produtos financeiros em um único aplicativo — de conta e câmbio a cartões e investimentos. O próximo alvo são as empresas. O Brasil, ainda conforme a publicação, serve de teste para a estratégia global por causa do Pix e do alto nível de competição.