A trajetória da operadora de fibra óptica que um dia foi a estatal Copel Telecom chega a mais um capítulo. Após ser privatizada em 2020 e rebatizada como Ligga Telecom, a empresa enfrentou um período de dificuldades financeiras que culminou em sua venda para a Brasil TecPar. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu o aval final para a transação, removendo o último obstáculo regulatório e consolidando a aquisição.

O acordo entre a Ligga Telecom e a Brasil TecPar prevê um pagamento de R$ 495 milhões pela operadora. Desse montante, R$ 100 milhões serão quitados em dinheiro, enquanto os R$ 395 milhões restantes serão pagos por meio da emissão de títulos de valores mobiliários pela controladora da compradora. Além disso, a Brasil TecPar assumirá aproximadamente R$ 1,28 bilhão em dívidas da Ligga, elevando o valor econômico total da operação para um patamar significativo.

O desfecho da Ligga Telecom

A história começa em 2020, quando o governo do Paraná privatizou a Copel Telecom por cerca de R$ 2,4 bilhões, vendendo-a ao fundo Bordeaux Participações. A expectativa era transformar a operadora em uma das líderes nacionais de banda larga por fibra óptica, expandindo sua atuação para além do estado paranaense. No entanto, a expansão veio acompanhada de desafios operacionais, aumento do endividamento e resultados aquém do projetado.

Nos anos seguintes, a Ligga acumulou problemas financeiros, precisou renegociar dívidas e buscou alternativas para sustentar o crescimento. O cenário levou os controladores a colocarem a empresa à venda, encontrando na Brasil TecPar, grupo com experiência em operadoras regionais de telecomunicações, o comprador ideal. A aquisição já havia recebido autorização da Anatel antes de ser aprovada sem restrições pelo Cade.

Detalhes financeiros da transação

Os números da operação refletem as dificuldades enfrentadas pela Ligga. O valor de R$ 495 milhões é significativamente inferior ao montante pago na privatização, evidenciando a desvalorização do ativo. A Brasil TecPar, por sua vez, estrutura o pagamento de forma a diluir o desembolso imediato: R$ 100 milhões em dinheiro e o restante em títulos mobiliários, o que pode indicar uma estratégia de capitalização de longo prazo.

A assunção das dívidas de R$ 1,28 bilhão representa um compromisso financeiro robusto, mas também dá à compradora o controle sobre a infraestrutura de fibra óptica construída pela antiga Copel Telecom. Essa rede, concentrada no Sul do país, é vista como um ativo estratégico para fortalecer a presença da Brasil TecPar no mercado de banda larga.

Implicações para o mercado de banda larga

Para os consumidores, a aprovação da venda não gera mudanças imediatas. Contratos, planos e atendimento continuam válidos durante o processo de integração entre as empresas. A expectativa é que a Brasil TecPar aproveite a capilaridade da rede de fibra para ampliar sua atuação e competir com grandes operadoras nacionais.

O caso da Ligga Telecom serve como estudo sobre os riscos da privatização no setor de telecomunicações brasileiro. A tentativa de transformar uma operadora regional em player nacional esbarrou em dificuldades financeiras e de gestão, resultando em uma nova venda que encerra um ciclo turbulento. Acompanhe as análises e novidades sobre tecnologia em tempo real aqui na SpaceMoney.