
A confirmação veio de forma categórica: não espere ver o Homem-Aranha cruzando caminhos com Wolverine no próximo game da Insomniac Games. Apesar de ambos os heróis habitarem o mesmo Universo 1048 nos games, o diretor criativo Marcus Smith afirmou em entrevista ao IGN que não haverá crossovers diretos. A declaração enterra de vez as expectativas dos fãs por uma participação do aracnídeo em Marvel’s Wolverine, que chega ao PlayStation 5 em setembro.
Universo compartilhado mas sem interação
O anúncio do novo trailer de Marvel’s Wolverine durante o State of Play gerou uma avalanche de especulações sobre possíveis conexões com a franquia Spider-Man da Insomniac. Afinal, ambas as séries se passam no mesmo Universo 1048, aquele estabelecido pela desenvolvedora para seus games da Marvel. No entanto, Marcus Smith foi direto: ‘É correto afirmar que ele ocorre no Universo 1048… mas não teremos crossovers. O Homem-Aranha não aparecerá em Wolverine’. A frase desmonta a teoria de que o jogo serviria como um prelúdio ou complemento direto às aventuras de Peter Parker e Miles Morales.
Para os jogadores, a ausência do Amigão da Vizinhança pode soar como uma oportunidade perdida de explorar um universo interconectado nos mesmos moldes dos filmes do MCU. Contudo, a Insomniac parece optar por manter as franquias independentes, ainda que coexistentes no mesmo multiverso. Isso não descarta, por exemplo, a possibilidade de referências sutis, como notícias de rádio ou posters, mas a participação ativa do herói está descartada, pelo menos neste lançamento.
Licenciamento e direitos: o fator histórico
Um dos motivos que pode explicar a decisão da Insomniac é o histórico de licenciamento fragmentado da Marvel. Durante os anos 1990, a editora vendeu os direitos cinematográficos e de mídia de vários de seus personagens para estúdios distintos, como a 20th Century Fox (X-Men e Quarteto Fantástico), a Sony Pictures (Homem-Aranha) e a Universal Pictures (Hulk). Embora a Marvel tenha recuperado grande parte desses direitos nos últimos anos, o mercado de games também reflete essa complexidade. A Insomniac, sob o guarda-chuva da Sony, detém os direitos para produzir jogos do Homem-Aranha e agora de Wolverine, mas isso não significa liberdade total para crossovers.
A questão é que cada acordo de licenciamento pode ter cláusulas específicas que restringem o uso de personagens em conjunto, especialmente quando se trata de mutantes (X-Men) e heróis do universo ‘comum’. Apesar de a Marvel estar mais integrada atualmente, a separação histórica ainda influencia contratos e estratégias de marketing. A Insomniac, portanto, pode estar seguindo as diretrizes de licenciamento para evitar conflitos legais ou comerciais, mesmo que artisticamente o crossover fosse viável.
Possibilidades futuras: easter eggs e menções
Apesar da negativa oficial, a frase de Marcus Smith deixa brechas para interpretações. Ele afirmou que ‘não teremos crossovers’, mas não descartou completamente a presença de personagens coadjuvantes ou elementos que remetam ao Homem-Aranha. Por exemplo, Peter Parker ou Miles Morales poderiam ser mencionados em diálogos, ou até mesmo aparecer em segundo plano como civis, sem interação direta com Wolverine. Isso manteria a coerência do universo compartilhado sem quebrar a promessa de nenhum crossover.
Outra possibilidade são easter eggs visuais, como um jornal com manchete sobre o Duende Verde ou o traje do Homem-Aranha em uma vitrine. Nos jogos anteriores da Insomniac, a desenvolvedora já mostrou talento em conectar sutilmente diferentes partes do seu universo, como referências a Wakanda ou ao próprio Wolverine em Marvel’s Spider-Man. Portanto, mesmo sem uma aparição oficial, fãs atentos podem encontrar pistas que amarrem as histórias.
Impacto no mercado de games
A decisão de não incluir o Homem-Aranha em Marvel’s Wolverine também tem implicações comerciais. A Sony, dona da Insomniac, aposta em franquias exclusivas como diferenciais para o PlayStation 5. Manter Wolverine isolado permite que o jogo se destaque por seus próprios méritos, sem depender do sucesso de Spider-Man. Além disso, evita a canibalização entre as marcas e permite que cada título explore sua própria identidade — enquanto o Homem-Aranha é ágil e urbano, Wolverine promete ser mais brutal e sombrio, alinhado ao tom do personagem nos quadrinhos.
Para o mercado, isso significa que a Sony está construindo um ecossistema de super-heróis interconectados, mas não dependentes. A estratégia é similar à da Marvel Studios, que criou um universo cinematográfico onde filmes individuais coexistem sem necessariamente se cruzarem em todos os lançamentos. Com Wolverine programado para setembro, a expectativa é de que o jogo atinja um público fiel dos mutantes e também atraia jogadores que buscam uma experiência mais adulta, sem a leveza característica do Homem-Aranha. Resta saber se, em futuras sequências, a Insomniac ousará unir esses mundos.





