Uma investigação conduzida pela empresa de segurança Attackd revelou que o 7-Zip, um dos descompactadores mais usados do mercado, está descartando o Mark-of-the-Web (MotW) durante a extração de arquivos ZIP obtidos na internet. Na versão 24.09 do software, o comportamento faz com que os dados internos percam o sinal de origem online, reduzindo as camadas de proteção do Windows e abrindo espaço para golpes de phishing.
O papel do Mark-of-the-Web na proteção do Windows
O Mark-of-the-Web é um metadado que o Windows associa a quaisquer arquivos baixados por navegadores, como uma etiqueta que indica a procedência remota. Essa marca funciona como um gatilho para que o sistema acione mecanismos de segurança extras antes de permitir a execução do conteúdo, entre eles o Microsoft SmartScreen.
O SmartScreen consulta a reputação do arquivo e, quando não encontra assinatura digital ou origem confiável, exibe um aviso ao usuário sobre o risco potencial. Sem a presença do MotW, esse alerta simplesmente não aparece, e o Windows passa a enxergar o arquivo como um item local criado na própria máquina, dispensando qualquer checagem adicional.
O que acontece na extração com o 7-Zip
Nos testes conduzidos pela Attackd, um arquivo ZIP baixado da internet recebia corretamente o Mark-of-the-Web, mas os arquivos internos extraídos pelo 7-Zip perdiam essa identificação. Isso significa que, embora o pacote original seja reconhecido como proveniente da internet, o conteúdo descompactado é tratado pelo sistema operacional como nativo e seguro.
O efeito prático é a eliminação de uma barreira importante contra códigos maliciosos. Combinada com técnicas de engenharia social típicas de phishing, a falha permite que criminosos distribuam arquivos compactados e contem com o comportamento do utilitário para suprimir o aviso de segurança, dando ao malware um caminho mais limpo para infectar o computador.
Um risco que pode passar despercebido
Apesar de os pesquisadores não classificarem o problema como uma vulnerabilidade clássica, ele representa uma brecha considerável na cadeia de defesa do usuário. Em ataques reais, o invasor não precisaria se preocupar em escapar do SmartScreen, pois o próprio 7-Zip removeria o sinalizador responsável pela verificação.
É importante ressaltar que essa é uma condição com potencial de exploração, já que antivírus e ferramentas de monitoramento comportamental podem identificar ações maliciosas mesmo sem o aviso do Windows. Ainda assim, o cenário reforça a necessidade de práticas defensivas mais rígidas.
Como reforçar a segurança ao usar o 7-Zip
A recomendação central da Attackd para usuários e empresas é habilitar a propagação do Zone.Identifier nas configurações do 7-Zip, garantindo que arquivos extraídos mantenham a informação de que vieram da internet. Esse ajuste faz com que o Windows preserve o contexto de origem e continue aplicando os filtros do SmartScreen.
Manter o aplicativo atualizado é outra medida essencial, pois correções e melhorias podem endereçar justamente esse tipo de comportamento. Além disso, é prudente evitar extrair arquivos suspeitos e desconfiar de e-mails ou mensagens que incentivem a abertura de anexos.
Para quem acompanha o setor de perto, a situação evidencia como ferramentas aparentemente simples podem influenciar diretamente a postura de segurança de um sistema. Você pode acompanhar as inovações e as principais notícias sobre tecnologia em tempo real aqui na SpaceMoney.





