
Basta olhar em seu redor para ver como a tecnologia mudou. Provavelmente está a ler-nos através de um smartphone e esse mesmo dispositivo que, hoje é bastante moderno, permite aceder à internet e jogar, há uns anos era bem diferente. Dava para fazer chamadas, mandar mensagens e pouco mais. Isso acontece em quase todos aspetos da vida e o trading não é exeção. Muito pelo contrário. É graças a essa tencologia que hoje falamos de um mercado de 21 mil milhões de dólaras com projeções de crescer até aos 40 até 2030.
Isto deve-se, em grande parte, às apps de investimento que já somam cerca de 400 milhões de utilizadores ativos ao dia de hoje. Mas será que é apenas isso? E de que forma a tecnologia tem, nas mais diversas formas, potenciado este crescimento? É isso que vai ficar a conhecer neste artigo.
Impacto da tecnologia no trading moderno
Durante muitos anos, o trading algorítmico esteve quase exclusivamente nas mãos de bancos e grandes instituições. Hoje, esse cenário mudou. Estimativas recentes apontam que o mercado global de algoritmos de trading já ultrapassa os 17 mil milhões de dólares em 2024, com taxas de crescimento anuais entre 7% e 10%, o que mostra como a automação passou a fazer parte do centro da atividade.
Uma parte relevante deste crescimento já vem do retalho. Só este segmento gerou cerca de 3,55 mil milhões de dólares em 2024, com previsão de duplicar até 2030, a uma taxa anual superior a 12%. Isto confirma que traders individuais também passaram a usar automação, dados em tempo real e até modelos de IA nas suas estratégias.
Na prática, hoje qualquer trader com acesso a plataformas modernas consegue usar, em menor escala, ferramentas que antes eram exclusivas de bancos e fundos, como backtesting avançado, execução quase instantânea e integração via API. A tecnologia democratizou o acesso às ferramentas, mesmo que não tenha eliminado os riscos do mercado.
Novos modelos de financiamento e oportunidades
O avanço tecnológico abriu ainda espaço a novos modelos de financiamento que avaliam traders com base em métricas padronizadas, como taxa de acerto, drawdown máximo e consistência, em vez de património pessoal ou histórico bancário.
Apesar da maior acessibilidade, os dados mostram que a seleção continua a ser rigorosa. Estudos agregados indicam que apenas 5% a 10% dos candidatos conseguem ser aprovados, o que reforça que disciplina, controlo emocional e gestão de risco pesam mais do que operações isoladas de sorte.
Estes modelos permitem que traders com capital limitado consigam alavancar o seu desempenho num ambiente tecnológico avançado, desde que aceitem operar dentro de regras estritas de risco e de performance.
Acessibilidade: mercados mais próximos do trader comum
A massificação das fintech ajudou a aproximar os mercados do público em geral. Em 2024, o segmento de pagamentos digitais já ultrapassou os 3 mil milhões de utilizadores, enquanto o de investimento digital ronda os 590 milhões, mostrando um público global cada vez mais habituado a apps financeiras.
Plataformas globais de investimento social somam dezenas de milhões de utilizadores registados em 2025, sinal claro de que ferramentas antes consideradas profissionais passaram para o quotidiano do investidor comum.
Hoje é possível abrir conta, aprender, testar estratégias em simuladores e negociar múltiplos ativos diretamente a partir de um telemóvel, com custos de transação significativamente inferiores aos do sistema bancário tradicional.
Competências vs capital: o que pesa mais?
Apesar de todo este avanço, o capital continua a ser importante, mas deixou de ser o principal fator de diferenciação. Relatórios sobre programas de avaliação mostram que a maioria falha não por falta de dinheiro, mas por não conseguir respeitar regras básicas de risco e limites diários.
As baixas taxas de aprovação, geralmente entre 5% e 10%, mostram que o verdadeiro diferencial está na gestão de risco, na consistência operacional e na capacidade de seguir um plano testado sem reagir emocionalmente às oscilações do mercado.
Num contexto em que dados, plataformas e spreads competitivos estão ao alcance de milhões de pessoas, a vantagem desloca-se cada vez mais para quem domina disciplina, análise e controlo psicológico.
Futuro da tecnologia no trading
As projeções indicam que o mercado de trading automatizado pode aproximar-se dos 50 mil milhões de dólares antes de 2035, com crescimentos anuais próximos de 9% a 10%. A inteligência artificial e o machine learning estão cada vez mais integrados em plataformas para gerar sinais, analisar notícias em tempo real e automatizar partes do processo de decisão.
É neste contexto que as prop firm internacionais representam bem esta tendência. A grande maioria destes modelos funciona, numa fase inicial, exclusivamente com capital virtual, através de contas de simulação altamente realistas. O objetivo não é colocar dinheiro real do trader em risco, mas sim testar, com métricas objetivas, a sua capacidade de gerir perdas, manter consistência e respeitar regras. Só após essa validação é que algumas empresas passam a expor capital próprio de forma direta ou indireta.
Ao mesmo tempo, este avanço reforça a importância da regulação e da educação financeira. Quanto mais tecnologia entra no trading, maior é a necessidade de transparência, supervisão e formação, para evitar que ferramentas avançadas e ambientes de simulação sejam confundidos com garantias de lucro fácil.