terça, 30 de novembro de 2021
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"Growth na veia": Eneva lidera ganhos do Ibovespa em maio, mas o olhar da empresa está no futuro

Apesar da forte alta no mês passado, os analistas acreditam que a ação da Eneva já está precificada

11 junho 2021 - 13h24Por Guilherme Roque

Segundo levantamento da SpaceMoney, as ações da Eneva subiram 25,29% em maio e despontaram como o maior ganho do Ibovespa, principal índice acionário da B3, no acumulado do mês. De acordo com os analistas ouvidos pela reportagem, dois fatores são os principais causadores dessa alta nas ações da empresa geradora de energia: a crise hídrica e o BTG Pactual

Para entender melhor essa história, no dia 28 de maio, O SNM (Sistema Nacional de Meteorologia) emitiu um alerta de emergência hídrica entre junho e setembro para cinco estados: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Com a falta de chuva, quem perde são as usinas hidrelétricas, que deixam de ser utilizadas ou operam abaixo de sua capacidade. Por outro lado, são beneficiadas empresas como a Eneva, que possui quatro usinas termelétricas – que serão usadas como substitutas nesse período de crise hídrica.

“Não há dúvidas que muito do crescimento [da ação da Eneva] de maio tem a ver com esse cenário desfavorável a despachos hidrelétricos menores. Quando você olha para a Eneva, que tem usinas térmicas dentro do seu portfólio, é possível ter níveis de receitas maiores para a companhia”, explica Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Somada ao fator hídrico, está a questão societária. No dia 11 do mês passado, o presidente do BTG Pactual, Roberto Sallouti, disse que o banco (o maior acionista da Eneva junto com a Cambuhy Investimentos, segundo informações do site da companhia) não tem planos de se desfazer da fatia acionária de 22,89% que tem na empresa de geração de energia, deixando de lado os rumores sobre uma possível venda de sua participação.

Esse foi o empurrãozinho que a Eneva precisou para fechar maio com mais de 25% de valorização em seus papéis. 

“O único fator que poderia frustrar o mercado em relação a Eneva era o fato de o BTG zerar sua participação na empresa. Mas esse rumor foi por água abaixo depois que o BTG fez uma teleconferência de resultados dizendo que não iria fazer o desinvestimento”, conta Iago Souza, analista de investimentos da Warren.

“Então você pega o bom momento do setor elétrico mais a notícia do BTG e você tem a valorização da Eneva em maio”, complementa o especialista.

Apesar da forte alta no mês passado, os analistas acreditam que a ação da Eneva já está precificada quanto aos eventos ocorridos. Até porque já é esperado que a crise hídrica permaneça, pelo menos, até o fim de 2021. Isto é, no curto prazo não deverá haver novos saltos no preço da ação.

“Growth na veia”

A história da Eneva é, no mínimo, interessante. A empresa nasceu da fusão entre a MPX Energia e OGX Maranhão, ambas companhias que pertenciam a Eike Batista. Começou suas operações em 2007, mesmo ano de seu IPO (Oferta Pública Inicial). Após passar por uma recuperação judicial, que terminou em junho de 2016, o BTG elevou sua participação na empresa e, desde então, é o maior acionista ao lado do Cambuhy Investimentos.

De lá pra cá, a Eneva faturou o Leilão de Energia Nova "A-6", de 2018, e o Leilão para Suprimento a Boa Vista e Localidades Conectadas, de 2019. Além de adquirir, no final de 2020, sete blocos exploratórios no segundo leilão de ofertas permanentes de áreas petrolíferas no Brasil.

Esses fatores contribuíram para a empresa possuir 38% da produção de gás natural disponível em terra do Brasil, o que a torna a maior operadora privada de gás natural do país, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Modelo de negócios e o futuro

Apesar do bom momento, a visão da Eneva é de longo prazo. Além de possuir quatro usinas térmicas, a empresa pretende entregar três novos projetos até 2024 – o projeto integrado Azulão-Jaguatirica II, o projeto Parnaíba V e o projeto Parnaíba VI.

Para Arbetman, da Ativa, a companhia é “growth na veia”. Isso porque, além do crescimento inorgânico, a empresa também tem um outro ponto forte: seu modelo de negócios “único”, chamado de “Reservoir-to-Wire”.

O modelo funciona assim: além de gerar energia a partir do gás natural, a Eneva também explora as reservas de gás onshore em seu complexo do Parnaíba, onde se encontram suas usinas de geração. Ou seja: a companhia explora o gás e o utiliza em suas próprias instalações.

Segundo o analista, a busca da Eneva pelo crescimento, alimentada por suas aquisições, e a replicação de seu modelo de negócio podem ser ótimos combustíveis para a geração de valor no futuro. 

“Existem múltiplas alamedas de crescimento. Ela segue em busca de projetos grandes que podem dar mais certo, pegando abertura nesse mercado de gás. Mas existem riscos. Estamos falando de processos longos que demoram um tempo para se materializar”, explica Ilan.

“Quando a gente olha pra frente, o sucesso da companhia passa pelo sucesso da replicação desse modelo”, conclui.

Investir ou não investir?

O comportamento de ações é algo muito difícil de prever. Ilan, por exemplo, se mantém neutro quanto a recomendação da Eneva. Para ele, é preciso primeiro saber o desfecho das negociações da geradora de energia com a Petrobras a respeito das participações da estatal em um conjunto de concessões de campos terrestres de exploração e produção de hidrocarbonetos no Polo Urucu.

O recomendado é, portanto, avaliar as perspectivas de longo prazo a partir desse modelo de negócio: “a Eneva é um case complexo, grande, com múltiplas avenidas de crescimento e para quem está querendo um risco a longo prazo”, comenta o analista.
 

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