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Cuidado

A cada seis segundos um golpe financeiro é registrado no Brasil; saiba como se proteger

Segundo advogado especialista em relações de consumo, responsabilidade é das instituições financeiras

06 outubro 2021 - 17h55Por Tatiane Calixto

A cada seis segundos um golpe financeiro é registrado no Brasil. É o que mostra um levantamento do dfndr lab, ferramenta da PSafe, empresa especializada em cibersegurança. Conforme os dados, somente no primeiro semestre de 2021 foram detectadas mais de 2,3 milhões de transações fraudulentas com o objetivo de roubar informações bancárias e de cartões de crédito das vítimas. 

Um levantamento exclusivo da PSafe para a SpaceMoney mostra que até a última terça-feira, dia 5, foram registrados 3,1 milhões de bloqueios de golpes bancários pela instituição. O número reflete todas as vezes que as ferramentas da empresa impediram um golpe bancário.

As fraudes são disseminadas, principalmente, por meio de mensagens enviadas pelo celular. São os chamados golpes de phishing enviados por SMS, em que o criminoso se passa por um banco solicitando bloqueio ou desbloqueio de um cartão através de um link ou confirmação de dados. 

Porém, mesmo quem toma todos os cuidados com mensagens via celular pode estar exposto aos golpes. A própria PSafe fez um alerta no início do ano da possibilidade do aumento dos riscos de golpes após o vazamento, na Dark Web, de informações de mais de 100 milhões de assinantes de contas de celulares.

Relato de uma vítima 

E para quem é vítima, a dor de cabeça é grande. O co-CEO da SpaceMoney, Fabio Murad, sabe bem disso. Confira o relato:

“No dia 16 de junho, no DDA (Débito Direto Autorizado) do meu banco, notei um lançamento de mais de R$ 3 mil referente a um cartão ou conta do Banco do Brasil. Eu estranhei porque não sou cliente deles. Então, eu liguei no SAC e informei o BB sobre o que estava acontecendo e perguntei se era necessário fazer um boletim de ocorrência. Eles me orientaram apenas a enviar cópia do RG e comprovante de residência, dizendo que retornariam. 

Não houve retorno, mas nesta quarta-feira (6) fui surpreendido pelo banco bloqueando as minhas contas e meu Score do Serasa caindo pela metade devido a um apontamento do Banco do Brasil. Fui até a agência, mas saí de lá sem uma solução. Por isso, tive de acionar um advogado. 

Fiquei muito indignado. Acontecer isso é extremamente desrespeitoso com o consumidor. Apesar de todos os cuidados que tomo, ser vítima de um golpe como esse é revoltante e me afeta muito. Afinal, sou profissional do mercado financeiro e preciso estar com tudo certo em relação a meu nome.  

Agora, deixo o alerta para que, além de todas as precauções, as pessoas acompanhem as movimentações no seu CPF. Habilitem e chequem o DDA e também o próprio score”, aconselha Murad. 

Resposta - O Banco do Brasil foi questionado sobre o caso de Murad e também sobre as ações de combate a possíveis golpes. Em nota, afirmou que toda vez em que um cliente for vítima de golpe é de suma importância comunicar a instituição financeira de forma imediata para que as devidas providências possam ser efetuadas. A instituição frisou que a falsidade ideológica é uma fraude praticada também contra os bancos. e garantiu que acolhe todas as reclamações de movimentação indevida em suas contas/produtos, com a abertura de processo de contestação.

"O Banco do Brasil atualiza constantemente seus produtos, processos, serviços e sistemas, além de adotar política de segurança para proteção dos dados e melhoria da experiência do cliente. Além das soluções de validações internas, bases restritivas de dados e imagens, ferramentas de inteligência artificial e modelos analíticos, o Banco está integrado a ferramentas externas que contemplam validações em base de dados e biometria facial", disse.

Direito do consumidor 

Mas diante de golpes como assim, de quem é a responsabilidade? O advogado especialista em Direito do Consumidor, Rafael Quaresma, é enfático ao afirmar que é da instituição financeira, seja o banco ou a administradora de cartões, por exemplo. 

“Isso porque a fragilidade no sistema das instituições - que é o que permite um criminoso se passar por um cliente que ele não é - precisa ser creditada a essas mesmas instituições”, explica Quaresma.  

Assim, o entendimento é que se um golpista consegue abrir uma conta em nome de outra pessoa, realiza movimentações ou clona um cartão, é porque conseguiu uma brecha no sistema bancário. “O próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece a responsabilidade da instituição financeira pela falta de segurança de seus canais”, diz o advogado. 

Segundo Quaresma, nos casos em que ocorrem débitos indevidos o consumidor deve ser ressarcido e, dependendo do caso, a devolução pode acontecer em dobro. “É importante que a vítima entenda que precisa procurar seus direitos. Inclusive, pedir danos morais já que na maioria dos casos, a vítima tem queda no seu score ou nome negativado”. 

Foi vítima de golpe? Veja o passo-a-passo do que fazer 

Caso seja vítima de uma tentativa ou de um golpe propriamente dito, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) orienta que a vítima, primeiro, entre em contato com o banco por meio do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) para solicitar o pedido de contestação do débito.  

Depois, é importante registrar um boletim de ocorrência para comprovar a fraude. “Lembre-se de anotar todos os protocolos e guardar os documentos que podem ser usados como provas”, orienta o Idec. 

Agora, se a instituição se negar a devolver os valores roubados de sua conta ou de compras feitas com cartão de crédito, é possível registrar uma reclamação no Procon de seu município. Se nenhuma das medidas for satisfatória, é aconselhável mover uma ação judicial contra o banco no Juizado Especial Cível. 

 
Proteja-se de golpes financeiros 

Atualização de informações? Desconfie – Conforme o Idec, os bancos e operadoras de cartão de crédito não costumam ligar, nem enviar mensagens pedindo que os clientes atualizem informações e muito menos que forneça senhas ou códigos de acesso ou de validação para transações digitais. Se entrarem em contato com você por meio desses canais, desconfie! 

Também não é aconselhável clicar em nenhum tipo de link enviado por SMS ou por e-mail como se fossem do banco. Há casos de usuários que são redirecionados a uma página falsa, muito parecida com a do site oficial do banco, contribuindo para confundir o consumidor.  

Cuidado com o golpe do cartão clonado - Uma prática comum entre os golpistas é ligar informando que o cartão do usuário foi clonado e que foram realizadas compras com ele. Com um discurso parecido com o utilizado pelos representantes do banco, acabam enganando os consumidores e induzindo-os a fornecer dados para supostamente bloquear o cartão. 

Caso receba uma chamada desse tipo, desligue e ligue para o número que está no verso do seu cartão, mas utilizando outro aparelho de telefone. Esse cuidado é importante porque há casos em que os fraudadores “prendem” a linha do usuário, que pensam que estão falando com o banco, quando na verdade continuam em contato com os bandidos. 

Caso você realize compras eletrônicas, saiba que estas exigem a informação de segurança que normalmente fica no verso do cartão. Por isso, certifique-se que está utilizando o site seguro para compra (confira o cadeado e a idoneidade da empresa). Consulte se o seu banco ou instituição financeira possui a possibilidade de compra na internet com cartão virtual, uma versão do seu próprio cartão para uso exclusivo para efetuar a compra online. 

Nas compras presenciais, certifique-se que o cartão não sairá da sua frente. Apesar da existência do chip e da digitação da senha, o cartão pode ser clonado e, com acesso aos números de segurança, ele pode ser utilizado eletronicamente. Como dica, memorize os números de segurança que ficam no verso do cartão e coloque um adesivo que oculte os dados. 

Desconfie de depósitos e lançamentos errados  - Se receber a ligação de estranhos informando que fizeram um depósito e o lançamento caiu errado na sua conta, pedindo que você faça a correção devolvendo o valor depositado por engano em sua conta, procure o seu banco. Fraudadores fazem falsos depósitos com envelopes vazios para aplicar o golpe.  

Enquanto o banco não abre os caixas eletrônicos para confirmar as operações, a informação que foi feito o deposito estará presente em seu extrato e pode induzir o dono da conta a fazer a transferência de um dinheiro que não existe.  

Fique atento a faturas e boletos adulterados - A emissão de boletos bancários falsificados deve cair muito em função das novas regras de mercado para emissão de boletos, com um registro de identidade obrigatório para cada boleto. Esse processo tornará o documento recebível após o vencimento em qualquer banco.  

Mas é preciso estar atento, pois os fraudadores acompanham as inovações tecnológicas. Portanto, se o boleto emitido pelo computador apresentar divergência entre o número do banco e código digitável, entre em contato com o emissor para conferir o documento de pagamento. Se o boleto apresentar rasuras nas barras do código de pagamento, não digite o código e procure a empresa.  

Como proteger melhor o celular? - Para aumentar sua segurança, é possível utilizar sistemas antiphishing no celular, que protegem o usuário contra essa prática dentro de todos os aplicativos, incluindo WhatsApp e Facebook Messenger. 

Outra dica prática é utilizar navegadores seguros, que bloqueiam propagandas e sites com objetivo malicioso, como o Firefox Focus.

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