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Ferbasa (FESA4): o que explica a contínua valorização das ações após disparada de 116% em 2021?

Em meio a dificuldades de preços, custos e demanda causadas pelo conflito Rússia-Ucrânia e eventos na China e na África do Sul, empresa deve se beneficiar ainda mais, aposta Werner Roger, CIO da Trígono Capital

26 maio 2022 - 16h20Por Lucas de Andrade
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Sede da Ferbasa (FESA4)Sede da Ferbasa (FESA4) - Crédito: Divulgação

De 8 de janeiro a 30 de dezembro de 2021, as ações de Ferbasa (FESA4) subiram de R$ 22,59 para R$ 48,82 - uma valorização de 116,11%. De 3 de janeiro a 25 de maio de 2022, os papéis cresceram mais 11,27%, de R$ 48,44 a R$ 53,90.

Entre janeiro e março deste ano, a companhia registrou um lucro líquido atribuído aos controladores de R$ 252 milhões - uma expansão de 328% sobre os resultados do mesmo período no ano passado. 

A receita líquida dos primeiros três meses de 2022 foi de R$ 737,7 milhões, um avanço de 42,61% sobre o apurado um ano antes.

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O EBITDA (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 325,6 milhões, crescimento de 115% em base anual.

No período, foram produzidas 73,5 mil toneladas de ferroligas - uma retração de 2,6% em relação ao mesmo intervalo de 2021 -, enquanto 64,4 mil toneladas do produto foram comercializadas - queda de 10,7% na mesma base de comparação.

Houve retração de 22% nas vendas para o mercado interno e expansão de 48,6% nos volumes encaminhados ao exterior

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A relação entre o custo de produtos vendidos (CPV) consolidado, que foi de R$ 376,8 milhões, e a receita das ferroligas foi de 50% entre janeiro e março de 2022 - ante 64,6% computados no primeiro trimestre de 2021.

Em 2021, a companhia atravessou adversidades como a perda significativa de um hedge de R$ 95 milhões no ano passado e os efeitos da crise hídrica, mas Werner Roger, CIO e cofundador da Trígono Capital, avalia que os números mais recentes são excelentes credenciais para a Ferbasa. 

Ontem (25), a gestora anunciou uma pequena redução de sua participação acionária na companhia de 15% para 14,97%. Com isso, detém cerca de 8,8 milhões de papéis preferenciais da empresa.

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Preços, custos e demanda oscilam, mas Ferbasa se beneficia

Ferro-cromo, ferro silício e o minério de cromo são os principais produtos da companhia e Werner Roger vê nos preços das ferroligas (ferro-cromo e ferro silício) o fator principal que explica o bom desempenho da empresa nos últimos meses. Para a Ferbasa, no ano passado, os preços do ferro-cromo subiram 45% e os de ferro silício, 50%, em dólar, de acordo com o executivo.

“Para se ter uma ideia, o preço médio das duas ferroligas foi de US$ 1.534,00 por tonelada. Em 2020, havia sido US$ 1.048,00. Primeiro trimestre (2020) contra primeiro trimestre (2021), o valor saiu de US$ 1.209,00 para US$ 2.421,00. Em doze meses, o preço dobrou e isso significa que a ação está barata. Os preços subiram muito mais que o papel”, diz.

“Avaliamos que a ação vai mais do que dobrar e os preços continuam em alta. Porque, de olho no segundo trimestre, lá em agosto, você vai ver números substancialmente maiores que no primeiro trimestre”, aposta.

O mundo demanda ferro-cromo e não existe oferta em todo o lugar, pontua Werner Roger sobre o cenário atual. “80% de todo o minério de ferro da China vem da África do Sul”, diz. 

Com base em uma análise de riscos da Tronox, que produz ilmenita, slag e zirconita para o país, observa-se que a África do Sul está em “seu limite” sobre a energia. O país detém 70% de todo o minério de ferro-cromo do mundo.

“Lá para julho, a questão energética deve piorar muito. O pessoal queimou diesel em pleno verão. O preço da energia lá subiu 20% só em abril. No inverno, a situação deve explodir. Se houver uma crise, há a possibilidade do ferro-cromo dobrar ou até triplicar. Pode haver então uma tributação sobre todo o tipo de minério para financiar o sistema elétrico que está quebrado”, diz. 

Sobre o ferro silício, o CIO calcula que cada tonelada de silício equivale a 13 toneladas de CO2 emitidos - necessário para produzir aço. 

E, no momento, a Rússia, em razão das sanções econômicas impostas durante a guerra contra a Ucrânia, se encontra fora de mercado. A Ferbasa utiliza carvão vegetal e não coque, cujo preço subiu 70%, para fazer silício. O preço do carvão vegetal subiu apenas 5%, de acordo com Werner Roger. Com isso, a Ferbasa (FESA4) deve continuar com o forte desempenho.

O pagamento de proventos deve seguir satisfatório

Werner Roger acredita que a empresa vai continuar como forte pagadora de dividendos.

“A Fundação José de Carvalho controla a Ferbasa, com 50% das ações e educa 4.500 crianças na Bahia por meio de seis escolas e toda a sua receita provém dos dividendos. Faça sol ou chuva, a empresa vai pagar dividendos”, diz.

O CIO ainda afirma que a empresa nunca sofreu prejuízo. “A Ferbasa passou incólume a todas as crises, apesar de ser uma empresa de commodities em que os preços e o câmbio variam. Sempre cobriu seus preços sem dar prejuízo”, pontua.

“Na nossa perspectiva, por uma estratégia, um horizonte de dois a três anos, em nossos fundos ela [a empresa] se mantém”, completa Werner Roger.
 

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