Filiação de Flávio Bolsonaro na Justiça Eleitoral
Tribunal Superior Eleitoral em Brasília

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, afirmou nesta quinta-feira (13) que seu gabinete confundiu com spam os e-mails automáticos enviados pelo partido Missão, que apareceu como sua legenda nos registros da Justiça Eleitoral. A declaração ocorreu durante live de apresentação do plano de governo. No mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou o restabelecimento da filiação dele ao PL e o envio do caso à Polícia Federal.

Por causa do vínculo com o Missão no sistema do TSE, Flávio Bolsonaro não conseguiu registrar a candidatura à Presidência nesta quinta-feira. O prazo para registro termina às 19h de sábado (15).

O que disse Flávio

Durante a transmissão, Flávio afirmou que foi “filiado ilegalmente” a outro partido. Segundo ele, chegaram ao gabinete alguns e-mails automáticos da legenda, que não foram reconhecidos pela assessoria. “Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, declarou. Ele estava acompanhado do coordenador de campanha, senador Rogério Marinho; da coordenadora de políticas econômicas, Daniella Marques; e do vice, deputado federal Alfredo Gaspar.

Mais tarde, o senador gravou um vídeo para as redes sociais. Na legenda, disse que adversários “só sabem jogar sujo”, mas que a tentativa “não funcionou e nem vai funcionar”.

Decisão do TSE

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão do histórico partidário. Também pediu a preservação dos registros de log e de acesso ao sistema de filiação partidária e o envio do processo à Polícia Federal para apurar autoria, circunstâncias e contexto da filiação.

Em nota, o TSE informou que a filiação não foi fruto de hackeamento do sistema, mas de uso indevido da ferramenta por alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações. O tribunal também disse que o Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise.

Versão do Missão

O Partido Missão afirmou que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. A legenda sustentou que o sistema detectou a fraude e tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas a ação foi rejeitada pelo TSE. O partido afirmou ainda que o gabinete de Flávio foi informado da tentativa desde o dia 2 deste mês e que os e-mails enviados foram abertos. A sigla disse que adotará providências junto à Polícia Federal e ao TSE.

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, afirmou que pode comprovar que uma pessoa acessou o e-mail de Flávio e confirmou a filiação. Segundo ele, a pessoa também teria clicado para acessar o aplicativo da militância do partido.

O TSE enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária. O caso envolve diretamente o cenário da política nacional a menos de dois dias do prazo final para registro de candidaturas.