O Supremo Tribunal Federal (STF) discutiu na terça-feira (15) as acusações contra Alexandre de Moraes em uma sessão interrompida e marcada por embates, segundo o g1. O debate partiu de relatório da Polícia Federal (PF) sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.

O ministro Flávio Dino pediu vista, e a sessão foi encerrada sem definição sobre eventual investigação de Moraes. O prazo para devolução é de até 90 dias corridos; sem manifestação, o caso volta à pauta automática. Conforme o g1, o relatório aponta trocas de mensagens de Vorcaro com Moraes, encontros presenciais e um negócio de 130 milhões de reais envolvendo o banco e a banca da esposa do ministro. André Mendonça retirou o sigilo do documento.

Moraes e Mendonça trocaram acusações. Mendonça, relator do caso Master, rejeita a alegação de que atua por interesse político-eleitoral ou vingança — versão que Moraes apresentou a Edson Fachin em documento datado de segunda-feira (14). No plenário, Moraes afirmou que o colega servia a um grupo político “que quis dar um golpe neste país”. Mendonça comandou os ministérios da Justiça e a Advocacia-Geral da União no governo Bolsonaro e foi indicado ao STF pelo ex-presidente.

Edson Fachin, que comanda a Corte, optou por desmembrar as apurações. O exame das imputações feitas por Moraes a Mendonça foi agendado para a próxima terça-feira (23), mas não há certeza de que ocorrerá. O decano Gilmar Mendes defendeu juntar o caso de Moraes ao pedido de investigação contra Mendonça. A votação apontou quatro votos a três em favor do desmembramento; Nunes Marques declarou-se impedido, e Dias Toffoli alegou suspeição por foro íntimo. Até nova deliberação, segue valendo o desmembramento definido por Fachin.

A crise ocorre pouco mais de um ano após a Primeira Turma do STF condenar Jair Bolsonaro a uma pena de 27 anos e três meses de reclusão por envolvimento em trama golpista, em setembro de 2025. Ele se tornou o primeiro ex-presidente do país condenado por uma trama golpista e hoje cumpre prisão domiciliar humanitária. O julgamento também atingiu sete demais denunciados do Núcleo 1. A condenação inédita de um ex-presidente e a chance de investigar um ministro da Corte são situações sem precedentes no tribunal.