Plenário do Senado durante análise da PEC da escala 6x1
Plenário do Senado Federal em Brasília, palco do adiamento da votação da PEC da escala 6x1

Sem quórum garantido para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição que altera o regime de trabalho, o Senado desistiu de votar o texto nesta quarta-feira, 2 de setembro. A base do governo preferiu não submeter ao plenário a matéria que acaba com o rodízio 6×1 e reduz a carga semanal, marcando a nova tentativa somente após o primeiro turno das eleições de outubro.

O anúncio foi feito pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, que admitiu o sucesso da tática oposicionista de esvaziar o plenário. O parlamentar do PT atribuiu a obstrução a um esforço combinado de senadores contrários à proposta, entre eles Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho.

Oposição testa força e impede apreciação em plenário

Rodrigues disse que a articulação para dissuadir a presença de senadores governistas foi orquestrada justamente para impedir que a PEC alcançasse os votos mínimos. A manobra, segundo ele, mostra que a oposição enxerga no encerramento do ciclo 6×1 um ponto de discordância direta com o governo.

O líder governista afirmou que, diante do quadro, era preciso evitar um resultado contrário em votação aberta. Ele ressaltou que o tema terá novo desenho após o período eleitoral.

CCJ concentra primeiros sinais de resistência

Dentro da Comissão de Constituição e Justiça, a matéria até foi aprovada, mas em votação simbólica. Dos 27 senadores presentes, quatro manifestaram voto contrário: Rogério Marinho, Hamilton Mourão, Tereza Cristina e Jaime Bagattoli.

Mesmo sendo minoria no colegiado, o bloco contrário explicitou a dificuldade de construir uma maioria robusta no plenário do Senado. São necessários 49 votos favoráveis em dois turnos, um patamar que exige presença maciça dos 81 parlamentares.

Mudanças propostas para a jornada e descanso

A PEC 221/2019, em análise no Senado, define que todo trabalhador terá dois dias de repouso semanal remunerado, sem perda salarial. A carga atual de 44 horas semanais cairia para 40, com adaptação gradual de 14 meses.

No modelo 6×1, o empregado cumpre seis dias de labuta e folga apenas um. Com a nova regra, o padrão deixaria de ser viável, exigindo novas escalas pelas empresas.

Contagem governista e a decisão de Alcolumbre

Randolfe admitiu que o governo calculava ter de 53 a 54 votos favoráveis, número superior ao mínimo, mas insuficiente para dar conforto. O risco de ausências de parlamentares aliados no dia da votação pesou na escolha.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi consultado sobre a segurança do placar, e a resposta negativa encerrou a discussão. A CCJ tinha aprovado um rito acelerado, com menos prazos, que permitiria a análise urgente ainda nesta semana, mas a inclusão na pauta exigia o aval do comando da Casa — que não veio.

Com isso, a proposta deve retornar ao plenário apenas depois que as urnas de outubro definirem o novo quadro político.