
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (14) para a França, onde participará da reunião de líderes do G7, marcada para terça-feira (16) em Évian-les-Bains. O Palácio do Planalto trabalha com a possibilidade de um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cúpula. Apesar de não haver reunião formalmente agendada, a estratégia do governo é garantir a presença de Lula já na segunda-feira (15), primeiro dia do evento, diante da possibilidade de Trump participar apenas da abertura, como ocorreu no Canadá em 2025.
Planalto aposta em encontro bilateral com Trump no G7
A possibilidade de reunião ocorre em meio a uma nova ofensiva dos EUA contra produtos brasileiros. O governo americano propôs uma tarifa adicional de 25%, justificada por supostas práticas comerciais desleais, e uma sobretaxa de 12,5% por alegação de falta de ações contra trabalho forçado. No Planalto, a avaliação é que a tarifa de 25% ainda pode ser revertida por negociação, enquanto a de 12,5% é vista como praticamente consolidada. Não houve pedido formal de reunião bilateral de nenhum dos lados, mas isso não é considerado um impeditivo.
O governo brasileiro vê no encontro uma oportunidade para discutir as tensões comerciais e evitar o agravamento das medidas. Lula não deu orientação para que auxiliares solicitem reunião com Trump, mas a diplomacia brasileira atua nos bastidores para viabilizar um contato direto. A expectativa é que, caso ocorra, o encontro aborde também temas como terras raras e crime organizado, pautas já discutidas em visitas anteriores à Casa Branca.
Lula adota tom crítico contra protecionismo e unilateralismo
Durante a participação no G7, Lula deve adotar um discurso crítico ao protecionismo e ao unilateralismo, sem apontar diretamente o dedo para Trump. Segundo diplomatas, o presidente brasileiro passará o recado contra o tarifaço americano de forma genérica, defendendo o multilateralismo e o comércio livre. A estratégia é evitar um confronto direto, mas deixar clara a insatisfação com as medidas unilaterais dos EUA.
O Brasil não integra o G7, mas Lula tem sido convidado para os encontros desde seu retorno ao Planalto em 2023. O grupo reúne as maiores economias mundiais: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Lula também aproveitará para realizar outras bilaterais, como com o anfitrião Emmanuel Macron, marcada para segunda-feira (15), e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. O presidente também pretende conversar com líderes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido.
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