O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, estabeleceu uma condição drástica para manter o coronel bombeiro Tarciso Salles à frente da Secretaria estadual de Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros: a realização de uma auditoria externa independente em todos os contratos da pasta. A exigência foi feita durante uma reunião na terça-feira (14), no Tribunal de Justiça do Rio, onde Couto despacha. A medida ocorre em meio a uma crise de confiança gerada pela proximidade de Salles com David Perini Vermelho, o Didê, sargento bombeiro reformado e presidente do Instituto Rio Metrópole, preso no último dia 9 sob acusação de integrar esquema de corrupção que desviou R$ 86 milhões dos cofres públicos.
Pressão por transparência e os vínculos com investigados
A amizade entre Salles e Didê é pública e registrada em redes sociais. Em março deste ano, Salles publicou um vídeo parabenizando Didê pelo aniversário, chamando-o de amigo fiel. Em junho de 2025, Didê devolveu os cumprimentos ao aniversário do coronel, destacando suas qualidades. Mais recentemente, em dezembro de 2024, Salles condecorou Didê com a Medalha Mérito Avante Bombeiro, uma das mais altas honrarias do Corpo de Bombeiros. Esses laços agora estão sob escrutínio, já que as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil apontam que a organização criminosa liderada por Didê fraudava licitações e direcionava contratos do Instituto Rio Metrópole para empresas pré-selecionadas, com parte dos recursos sendo sacada em espécie e distribuída entre os envolvidos.
Diante desse cenário, Couto decidiu intervir para garantir que a gestão da Defesa Civil não seja contaminada por suspeitas. A auditoria externa, segundo apurou a reportagem, será independente e abrangerá todos os contratos firmados pela secretaria e pelo Corpo de Bombeiros nos últimos anos. A expectativa é que os trabalhos comecem nos próximos dias, sob coordenação de uma empresa especializada em compliance e auditoria forense.
Impactos institucionais e próximos passos
A permanência de Tarciso Salles no cargo, portanto, está diretamente atrelada ao resultado dessa devassa. Caso sejam identificadas irregularidades, o governador interino não hesitará em afastar o secretário. A situação expõe as fragilidades dos mecanismos de controle dentro do governo fluminense e levanta questionamentos sobre a influência de Didê em órgãos estaduais. Você pode acompanhar os bastidores e as principais decisões da política em tempo real aqui na SpaceMoney.
Enquanto a auditoria não é concluída, Salles permanece no cargo, mas sob intensa vigilância. O governo também estuda a criação de uma comissão de transparência para revisar os procedimentos de licitação da Defesa Civil. O caso de Didê, que já responde a processo por corrupção, pode se desdobrar em novas investigações sobre contratos estaduais. A defesa do coronel Salles não se manifestou até o fechamento desta edição.





