Plenário do Senado Federal em Brasília com destaque para a mesa diretora
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em sessão no plenário

A semana de esforço concentrado no Senado Federal terminou sem avanços para as pautas prioritárias do governo Luiz Inácio Lula da Silva. As propostas de emenda à Constituição (PECs) do fim da escala 6×1 e da segurança pública continuam paralisadas, enquanto o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), acelerou a tramitação de projetos com impacto estimado em mais de R$ 150 bilhões. O distanciamento entre Alcolumbre e o Palácio do Planalto ficou ainda mais evidente após o cancelamento de uma reunião com o senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Distância política e pautas paradas

A expectativa do Executivo era de que o Senado desse andamento à PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, aprovada há mais de duas semanas na Câmara dos Deputados. A proposta também prevê o fim da escala 6×1. No entanto, Alcolumbre desmarcou em cima da hora uma reunião com Otto Alencar, que já estava a caminho do encontro. “Eu cheguei cedo da Bahia para tratar desse assunto, mas em cima da hora ele desmarcou comigo. Não tem nenhuma novidade”, afirmou o senador.

Além da PEC da jornada, Otto Alencar aguarda o despacho de Alcolumbre para outras duas propostas de interesse do governo: a PEC da Segurança Pública e o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O senador disse que virá a Brasília na próxima semana se houver sinalização de Alcolumbre, mas afirmou que o presidente do Senado “não deu nenhum sinal”. “Talvez eu vá com o [Jaques] Wagner para ver se a gente conversa, mas depende do Davi”, completou. Você pode acompanhar os bastidores e as principais decisões da política em tempo real aqui na SpaceMoney.

As chamadas ‘pautas-bomba’ em tramitação

Enquanto as pautas prioritárias do governo seguem engavetadas, Alcolumbre acelerou a análise de projetos classificados como “pautas-bomba” – medidas que elevam gastos públicos ou reduzem a arrecadação. O impacto acumulado dessas iniciativas ultrapassa R$ 150 bilhões. A movimentação ocorre em meio ao tensionamento entre Lula e Alcolumbre, que se agravou após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), articulada pelo presidente do Senado.

Interlocutores dos dois lados tentam viabilizar uma reunião entre Lula e Alcolumbre, considerada improvável no momento. Alcolumbre já fez chegar ao Planalto que as pautas prioritárias só andarão após um encontro para encaminhar as matérias. Enquanto isso, o governo vê o Legislativo avançar com projetos que pressionam o orçamento em ano eleitoral, sem garantia de aprovação das suas principais propostas.