O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil não abandonou as tratativas comerciais com os Estados Unidos mesmo após a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, confirmada pelo governo americano nesta semana. Em entrevista à Globonews nesta sexta-feira (17), Alckmin classificou a medida como injusta e descabida, destacando que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil.

Segundo Alckmin, a orientação do presidente Lula é defender os interesses nacionais, ouvindo os setores afetados e buscando novos mercados. Ele reforçou que o Brasil defende o livre comércio e as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), e que o diálogo permanece aberto. Essa postura contrasta com a decisão do governo Trump, que anunciou a sobretaxa com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após investigação de um ano.

Detalhes do novo tarifaço americano

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) oficializou na quarta-feira (15) a aplicação da tarifa extra de 25%, com vigência a partir de 22 de julho. A lista de produtos atingidos inclui etanol, máquinas agrícolas e papel, enquanto itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose foram isentos por serem considerados sensíveis à economia americana.

Além disso, o governo brasileiro aguarda uma segunda decisão do USTR sobre uma possível tarifa adicional de 12,5% relacionada à fiscalização de importações com trabalho forçado. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que o resultado dessa investigação sairá na próxima semana, e ainda não está claro se as tarifas serão cumulativas.

Estratégia de Lula e reações políticas

O presidente Lula declarou que só se manifestará sobre o tarifaço após o presidente Donald Trump falar publicamente sobre o assunto, evitando desviar o foco de pautas internas como o SUS e o programa Carreta da Saúde da Mulher. A declaração foi feita durante visita ao Rio de Janeiro.

Enquanto isso, Alckmin reiterou que o Brasil continuará na mesa de negociação, mas não descartou medidas futuras caso o diálogo não avance. O governo avalia os impactos setoriais e mantém contato com empresas afetadas. Você pode acompanhar os bastidores e as principais decisões da política em tempo real aqui na SpaceMoney.

Possíveis desdobramentos e incertezas

A principal dúvida no governo brasileiro é se a tarifa de 12,5% sobre trabalho forçado, se aplicada, será somada aos 25% já anunciados. O ministro Márcio Elias Rosa indicou que a definição sairá na próxima sexta-feira. Caso haja cumulação, o impacto sobre setores como etanol e máquinas agrícolas será ainda maior.

Analistas apontam que a medida americana pode levar o Brasil a buscar alternativas comerciais com outros parceiros, como a China e a União Europeia, ampliando a diversificação de exportações. Por ora, o discurso oficial é de cautela e defesa dos interesses nacionais, sem rompimento de canais.