Agenda dos presidenciáveis tem protesto no TSE e encontros com eleitores
Candidato Wilson Grassi protesta em frente ao TSE contra suspensão de campanha

A movimentação na política presidencial ganhou contornos variados na quarta-feira, 2 de setembro, quando postulantes ao Palácio do Planalto mesclaram atos públicos, reuniões setoriais e atividades internas em diferentes pontos do país e do exterior. A data ficou marcada por um protesto de Wilson Grassi na porta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, contra a suspensão de sua campanha digital, além de encontros de Augusto Cury e Romeu Zema com setores específicos da sociedade.

Wilson Grassi leva ao TSE contestação a suspensão digital

O candidato Wilson Grassi, do partido Democrata, protagonizou uma manifestação em frente ao TSE, em Brasília, para questionar a decisão do ministro Dias Toffoli que suspendeu sua campanha nas redes sociais. Em sua argumentação, o presidenciável sustentou que a punição é desproporcional, destacando que sua comunicação com o eleitorado é exclusivamente digital e não utiliza nenhum recurso do fundo eleitoral. Com isso, a medida impõe um bloqueio concreto à apresentação de sua candidatura, inviabilizando na prática a continuidade do contato com o público.

O protesto diante da Corte foi a resposta pública de Grassi à determinação, evidenciando o dilema enfrentado por candidaturas que dependem exclusivamente da internet para se comunicar com o eleitor. A manifestação também chama atenção para o alcance das plataformas online no processo eleitoral e os efeitos de decisões judiciais sobre a visibilidade dos postulantes sem financiamento público.

Augusto Cury defende combate ao preconceito com lideranças judaicas

Em São Paulo, o candidato Augusto Cury, do Avante, visitou a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), onde manteve um encontro com representantes da comunidade judaica. Na ocasião, Cury discursou em defesa da pacificação e do enfrentamento da violência direcionada à cultura e ao desenvolvimento da personalidade, classificado por ele como um desafio a ser superado pela sociedade. O presidenciável também enfatizou que a luta contra o preconceito precisa ser conduzida de forma intensa, abrangendo todas as suas manifestações.

A visita à Fisesp marcou o roteiro do candidato em São Paulo, ampliando o diálogo com segmentos religiosos e culturais. Cury não detalhou medidas específicas, mas ressaltou a importância de uma abordagem profunda e contínua no tratamento de questões ligadas à intolerância e à preservação da diversidade.

Romeu Zema prega clareza nas regras do trabalho por aplicativo

Em encontro com motoristas de aplicativo realizado no centro de São Paulo, o candidato Romeu Zema, do Novo, defendeu a livre negociação entre as empresas e os trabalhadores como caminho para o setor. Para o presidenciável, a negociação precisa ser clara para ambas as partes, citando que um representante comercial sempre sabe exatamente qual comissão receberá, enquanto os motoristas nem sempre têm essa informação, dependendo da companhia à qual estão vinculados. A declaração indica preocupação com a assimetria de informações nas relações trabalhistas mediadas por tecnologia.

Zema não divulgou propostas formais sobre o tema, mas a defesa da negociação direta entre as partes reforça a aposta do candidato na autonomia dos acordos privados. O assunto é sensível para a categoria em meio às discussões sobre os direitos dos trabalhadores de plataformas, e a posição de Zema o alinha a um discurso de menor intervenção estatal nas relações de trabalho.

Clariana Barão une imprensa, comércio popular e proteção à mulher

A candidata Clariana Barão, do Democracia Cristã, cumpriu agenda em São Paulo, onde participou de programas de rádio e televisão antes de se deslocar ao Brás, tradicional polo comercial da capital. No bairro, ela conversou com lojistas e comerciantes, ouvindo demandas do setor e apresentando suas ideias para o fomento da atividade local. O contato direto com o comércio popular é parte da estratégia da candidata para entender as necessidades dos pequenos empreendedores.

Depois da visita ao Brás, Clariana esteve na Casa da Mulher Brasileira, equipamento voltado a mulheres em situação de violência doméstica. A passagem pelo local mostrou o engajamento da candidata com a pauta de proteção às mulheres, um dos temas centrais de sua campanha, ao lado do apoio ao empreendedorismo e à comunicação democrática.

Agendas regionais e ausência de compromissos públicos

No cenário partidário, Edmilson Costa, do PCB, dedicou-se a atividades da secretaria-geral da legenda em Lisboa, sem divulgar compromissos abertos. Já Samara Martins, da UP, marcou presença no Rio de Janeiro, onde participou de uma reunião com estudantes e trabalhadores em frente ao Hospital Clementino Fraga Filho, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no campus da Ilha do Fundão. A candidata também visitou o restaurante universitário, uma ação voltada ao diálogo com o público acadêmico e trabalhadores da educação.

Integraram a lista de presidenciáveis sem agenda pública de campanha nesta quarta-feira os candidatos Rui Costa Pimenta (PCO), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Renan Santos (Missão). A ausência de atos abertos reduziu o movimento de campanha para esse grupo, que optou por não realizar atividades expostas ao público no período.