terça, 07 de dezembro de 2021
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XP: o que esperar da temporada de resultados do 3º trimestre?

Veja abaixo as perspectivas da corretora para os balanços das empresas de cada setor

21 outubro 2021 - 14h54Por Redação SpaceMoney

A temporada de resultados do terceiro trimestre deste ano se inicia na próxima sexta-feira,  22 de outubro. Nesse último trimestre, os mercados no Brasil andaram na contramão do mundo.

Segundo o relatório da XP produzido por Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research, e Jennie Li, estrategista de Ações, domesticamente, houve o predomínio de incertezas quanto à trajetória fiscal e manutenção (ou não) do teto de gastos, pressões inflacionárias sobre a taxas de juros mais alta, preocupações com uma crise hídrica, projeções menores para o crescimento em 2022, e o aumento de tensões políticas pressionaram os ativos brasileiros.

No cenário externo, discussões ao redor da retirada de estímulos monetários por parte do banco central americano (o Federal Reserve), preocupações que uma crise imobiliária possa tornar a desaceleração econômica na China ainda mais aguda, e uma crise energética global afetaram os mercados pelo mundo.

Em relação ao mesmo período de 2020, o consenso de mercado espera um crescimento do Lucro por Ação (LPA) das empresas do Ibovespa em um nível robusto em 238%, apontam os estrategistas, ainda parcialmente explicado pela base de comparação ainda fácil do terceiro trimestre de 2020, quando os lucros das companhias ainda estavam se recuperando da crise da pandemia da Covid-19.

Quanto ao lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) das empresas, o mercado espera 60% de crescimento. E para a receita, o consenso espera uma desaceleração do segundo trimestre, com um crescimento de 16%.

Veja abaixo as perspectivas da XP para cada setor:

Agro

Os preços da maior parte das commodities agrícolas acomodaram no último mês, parcialmente devido às preocupações associadas a um crescimento mais lento da China, mas também devido a uma perspectiva climática mais positiva para o final de 2021 e início de 2022.

Apesar de os patamares permanecerem elevados, o que deve sustentar preocupações relacionadas à inflação de alimentos e também manter a indústria de proteína pressionada no primeiro semestre de 2022, a XP espera um aumento substancial da oferta na próxima safra, em recuperação após uma seca histórica e de fortes geadas no Brasil.

Dessa forma, são esperados aumentos nos estoques de açúcar, milho e soja, entre outros, o que pode pressionar as cotações no médio prazo.

Alimentos

As perspectivas permanecem mistas devido às diferenças geográficas e dado que cada tipo de proteína apresentou uma performance diferente no trimestre.

Na América do Norte, apesar no aumento de preços de animais vivos, a demanda continuou forte tanto para o mercado doméstico quanto para exportação, o que leva a XP a ter uma visão positiva para o terceiro trimestre, com possibilidade de outro trimestre recorde para carne bovina.

Na América do Sul, a produção brasileira foi afetada por dois casos atípicos de EEB (“mal da vaca louca”), o que levou o governo brasileiro a banir exportações de carne bovina para a China, a qual ainda não retomou as importações, o que deve causar um efeito negativo nas margens da indústria de carne bovina, segundo os analistas.

A Argentina manteve uma série de cortes de carne bovina com preços congelados, apesar de ter permitido um aumento no volume de exportações, mas ainda não retornou ao seu pico de performance.

O Paraguai também foi afetado pelo atraso no retorno das exportações brasileiras para a China, dado que o Brasil foca agora suas exportações para outros mercados e impacta as exportações do país vizinho.

O Uruguai, por outro lado, segundo a XP, continua positivo dado que permanece com bom acesso ao mercado chinês e também devido ao maior preço nos Estados Unidos, tanto na produção normal quanto para a carne bovina orgânica.

Em relação às aves e suínos, parte por conta da recuperação de exportações mas também devido a um período de consumo sazonal mais forte, os analistas dizem que poderiam esperar um trimestre de melhoria, embora possa ser muito cedo para projetar um efeito positivo de preços mais baixos de farelo de soja e milho.

A perspectiva mais positiva para as próximas safras de milho e soja pode ser um ponto de virada para o setor.

Bancos

A XP vê um trimestre sem grandes surpresas para os bancos.

Os analistas esperam que a Margem Financeira seja beneficiada por um mix de crédito mais rentável com crescimento puxado pela carteira pessoa física (PF), efeito parcialmente compensado pelo maior custo de captação devido à Selic mais alta.

Além disso, a XP vê os seguintes destaques positivos:

i) receita de serviços, impulsionado por maiores volumes e pela retomada da atividade econômica, mais do que compensando a pressão em tarifas em função da adoção do Pix (reduzindo receita proveniente de transferências entre contas – TED/DOC) e da maior competição proveniente dos bancos digitais;  

ii) inadimplência ainda controlada em níveis baixos.

No entanto, o destaque negativo, de acordo com os analistas, deve ser as despesas administrativas devido ao reajuste salarial dos bancários que tomou efeito a partir de setembro (11%).

"Dentre os bancos de nossa cobertura, esperamos que o Banco do Brasil seja o destaque no trimestre impulsionado principalmente pelo crédito rural", diz o relatório.

Bebidas

Para a XP, diante da melhora sequencial nas vendas de cerveja nos últimos quatro trimestres, o principal desafio consiste no repasse de preços que vise a recuperação de margens.

Ferreira e Li argumentam que a principal estratégia deve ser estimular vendas através de canais mais rentáveis, como o on-trade (bares e restaurantes), mas também já esperam sinais dos ajustes de preço antes do final do ano.

As plataformas de vendas digitais, como Zé Delivery e Bees (ambas da Ambev), devem compensar os maiores custos dessa entrega mais atomizada, além de permitir a ampliação do portfólio, algo necessário para satisfazer um consumidor mais exigente.

A pressão de custos continua um problema para o setor, entretanto, a XP espera que a recuperação do consumo se mostre mais acelerada na América do Sul e América Central, especialmente no Brasil.

Bens de Capital

Segundo a XP, para o setor automotivo, enquanto ainda há gargalos na cadeia de abastecimento que impactam a produção de veículos em todo o mundo, há:

(i) um melhor desempenho relativo de veículos pesados; 

(ii) uma melhor perspectiva de preços, que compensam uma demanda ainda prejudicada para algumas empresas no terceiro trimestre.

No segmento de Autopeças, há os seguintes pontos positivos:

(i) Tupy, com melhora das margens no 3T21 vs. queda sequencial nos últimos trimestres;

(ii) Iochpe-Maxion, com margens permanecendo em patamar positivo de ~12%.

Do lado negativo, a XP espera que a Marcopolo sofra com uma perspectiva de demanda impactada (receita -8% e -6% A / A e T/T, respectivamente).

Para a WEG, os analistas esperam que as receitas desacelerem em uma base sequencial sob uma base comparável mais difícil e valorização do BRL (+16% A/A e -4% T/T), com as margens permanecendo em um nível sólido de ~18% (EBITDA +5% e -10% A/A e T/T, respectivamente).

Elétricas e Saneamento

Do lado das distribuidoras de energia, a XP acredita que os resultados do terceiro trimestre devem refletir um aumento na comparação anual resultado da redução das medidas de isolamento social e o retorno das atividades presenciais, decorrente do avanço da vacinação no país.

"Quanto às geradoras, esperamos que os resultados sejam impactados negativamente pelo GSF menor (medida do risco hidrológico, refletindo a menor incidência de chuvas no trimestre) e consequentemente maiores compras de energia. Por fim, não deverá haver grandes surpresas no segmento de transmissão de energia", dizem Ferreira e Li.

Mas, quanto às companhias de saneamento, os analistas acreditam que os resultados devem ser impactados negativamente por custos com energia elétrica mais elevados e uma maior participação da demanda residencial no mix, o que implica em tarifas médias mais baixas.

Por outro lado, a XP acredita que os volumes devem vir mais fortes em uma comparação anual, dado a flexibilização das medidas de isolamento social.

Construtoras

Ferreira e Li afirmam esperar que as construtoras de baixa renda da nossa cobertura reportem um sólido crescimento de receita, à medida que continuam com ganhos em participação de mercado no programa habitacional Casa Verde e Amarela.

Do lado negativo, esperam que a compressão da margem bruta continue devido ao aumento dos custos de construção.

Para empresas de média e alta renda, a corretora afirma que os recentes aumentos de preços devem ter um leve impacto na velocidade líquida das vendas no terceiro trimestre.

"No entanto, as empresas de alta renda devem reportar margens relativamente estáveis, pois vemos os desenvolvedores como sendo capazes de passar marginalmente os custos mais altos para os preços por unidade", concluem.

Mineração e Siderurgia

O terceiro trimestre, segundo a XP, deve apresentar resultados mais difíceis para o segmento de mineração de minério de ferro, resultado da queda do preço do minério de ferro (média de US$163 por tonelada, -19% ante o 2T21) e de alguns custos ainda pressionados, com destaque para o frete (a rota C3 Tubarão-Qingdao teve aumento de 16% ante o trimestre passado).

O destaque positivo deve ser a produção sazonalmente mais forte no 2º em comparação com o 1º semestre. "No entanto, acreditamos que haverá alguma formação de estoques, que deve ser revertido no quarto trimestre", dizem.

"Em contrapartida, as siderúrgicas devem reportar outro resultado forte, em razão de volumes entre a estabilidade e uma leve queda, mas com preços ainda em alta (devido ao delay no reajuste de alguns segmentos) e margens em expansão", destacam.

Ferreira e Li ressaltam a queda do minério de ferro e a alta nos preços realizados, ainda que existam pressões vinda do incremento no preço do carvão.

As atenções nas teleconferências, segundo a XP, devem se voltar para a situação na China, cujos cortes de produção no setor industrial somados as incertezas da situação no segmento de construção civil levaram a forte redução no preço do minério de ferro.

Papel e Celulose

A celulose de fibra curta, em dólares, apresentou significativo recuo no trimestre (-19% T/T), impactado pelo receio do mercado em relação ao incremento de volumes oriundo do ramp up da nova planta de celulose da Bracell.

Nas teleconferências de resultados, o mercado deve continuar a buscar informações sobre a evolução deste e outros projetos de expansão de capacidade da commodity (projeto Mapa da chilena Arauco e a nova planta da UPM no Uruguai), e seus impactos nas cotações, acreditam os analistas.

No entanto, Ferreira e Li esperam que a desvalorização do real frente ao dólar compense parcialmente do movimento de queda da celulose.

No segmento de papéis para embalagens, os volumes devem seguir estáveis (em face das empresas estarem operando próximas a máxima capacidade), mas a demanda aquecida deve seguir refletindo incrementos nos preços e manutenção de margens em patamares elevados (auxiliado por um arrefecimento nos preços das aparas).

Saúde

A XP espera bons resultados para as empresas de saúde em geral, já que os impactos da pandemia podem não ser tão fortes quanto foram no segundo trimestre.

As mais afetadas pela Covid-19 no primeiro semestre foram as verticalizadas, e, na opinião de Ferreira e Li, são as que apresentam as maiores melhorias na comparação trimestral, com menos internações e, consequentemente, menor sinistralidade.

Os laboratórios devem mostrar bons resultados, pois continuam a se recuperar de um período terrível de queda acentuada nos volumes e alta dependência dos testes da Covid-19 logo em seguida.

Os hospitais podem mostrar alguma estabilidade no T/T, com o menor número de admissões Covid-19 compensado por um aumento nos procedimentos eletivos.

As empresas farmacêuticas devem continuar a crescer de forma consistente, seguindo a tendência de crescimento do mercado geral de medicamentos e outros produtos farmacêuticos.

Seguradoras

A XP vê um trimestre ainda desafiador para o setor de seguros principalmente no segmento Saúde, devido à pressão na sinistralidade decorrente da segunda onda da pandemia e a retomada dos procedimentos eletivos que haviam sido postergados.

"No entanto, acreditamos que possamos ver sinais de melhora gradual ao longo do trimestre na sinistralidade devido aos avanços da vacinação e normalização (também gradual) dos procedimentos eletivos, o que deve trazer resultados melhores ao longo do quarto trimestre", dizem.

Em relação ao resultado financeiro, Ferreira e Li esperam uma melhora gradual em relação ao trimestre anterior devido à maior taxa de juros.

Shoppings e Propriedades Comerciais

No geral, a XP espera que as empresas de shoppings continuem recuperando seus resultados, alimentados pelo alívio nas restrições devido à evolução da vacinação, o que deve impactar positivamente o desempenho operacional e o DRE do trimestre.

"Para armazéns e centros de distribuição, continuamos a ver uma demanda aquecida por ativos bem localizados e de alta qualidade, explicada pelos players de logística e e-commerce, que devem continuar a impulsionar os ganhos da LOG CP", dizem.

Por fim, a XP afirma que a JHSF deve apresentar fortes resultados, impulsionados pelas vendas do complexo de Boa Vista e a recuperação dos shoppings (o que deve mais do que compensar os impactos em seus restaurantes e segmentos de hospitalidade).

Tecnologia

A XP espera que as melhores performances neste trimestre, principalmente no que se refere ao crescimento da receita, serão Positivo e Locaweb.

"A última ainda se beneficia do crescimento do e-commerce e da aceleração em (i) adições líquidas de clientes; (ii) crescimento orgânico e (iii) incorporação de fusões e aquisições", dizem Ferreira e Li.

No entanto, estimam uma contração da margem EBITDA para LWSA3 no terceiro trimestre devido a aquisições recentes, o que pode aumentar a preocupação dos investidores no curto prazo.

Telecomunicações

No setor de telecomunicações, a XP tem uma visão mista dos resultados do terceiro trimestre dos provedores de internet (ISPs) brasileiros sob cobertura (BRIT3 e FIQE3).

"O último deve reportar um forte crescimento de receita, tanto para adições líquidas de HCs quanto de HPs. Conforme mencionado anteriormente em nosso relatório setorial de início de cobertura, destacamos que a Unifique já concluiu seu plano de negócios de M&A para o ano de 2021, adicionando +100 mil clientes inorgânicos. Em relação à Brisanet, a empresa já divulgou resultados operacionais fracos no terceiro trimestre, especialmente em setembro, sinalizando um ambiente macroeconômico mais desafiador na região Nordeste, bem como uma competição mais acirrada", dizem.

Transportes

Para o setor de transportes, a XP destaca a evolução positiva no setor de Locação de Carros, com a Unidas e a Movida atualizando os preços do Rent-a-Car (RaC), seguindo o movimento anterior da Localiza em trimestres anteriores (tarifa RaC + 14% no 3T21 vs. nível pré-pandêmico em 2019).

"Acreditamos que isso ajuda a aliviar as preocupações do mercado em torno dos níveis de retorno da indústria, devido ao forte aumento nos preços dos carros novos. No final das contas, vemos resultados ainda sustentados pelo forte momento de Seminovos", dizem. 

A XP prevê um trimestre fraco para ferrovias/hidrovias, com os resultados da Rumo e da Hidrovias do Brasil prejudicados pelas fracas exportações de milho (EBITDA -20% e -28% T/T, respectivamente).

"Observamos que esse momento negativo deve durar até o 4T21, embora os resultados de 2022 em diante devam se normalizar diante de uma perspectiva forte para as exportações de grãos", dizem.

Varejo

A XP espera uma temporada de resultados mistos para o varejo, já que deve haver uma desaceleração do crescimento em todo o setor, porém com alguns pontos positivos.

"Embora tenhamos visto o 2T21 como um ponto de inflexão em termos de comportamento de consumo dada a flexibilização das restrições da Covid-19 e vacinação mais ampla, as incertezas macroeconômicas combinadas com um menor crescimento do PIB e maiores taxas de juros representam um desafio para a retomada do consumo. Além disso, a maioria das empresas enfrentarão uma base de comparação difícil no terceiro trimestre, com destaque para o e-commerce e o varejo alimentar", dizem Ferreira e Li.

Eles esperam resultados mistos para as varejistas tradicionais, uma vez que a incerteza do cenário macro e a deterioração da renda devem pesar na recuperação do consumo.

As varejistas focadas em classes mais altas devem ser o destaque no segmento, pois devem apresentar resultados sólidos tanto em termos de crescimento de receita quanto de rentabilidade, o que esperamos que continue no quarto trimestre.

"Vemos a Arezzo e o Grupo Soma como os principais destaques positivos", afirmam.

As farmácias, segundo as projeções da XP, devem apresentar resultados sólidos, mas em desaceleração, uma vez que as empresas agora enfrentarão uma base de comparação com o reajuste de preços de 2020, enquanto a lucratividade deve cair T/T, uma vez que os custos dos estoques estão agora em linha com os preços dos medicamentos.

"Vemos RD como o destaque positivo e a d1000 como o destaque negativo", pontuam.

Quanto ao e-commerce, a XP acredita haver uma desaceleração sequencial de crescimento devido à forte base de comparação vs. 2020.

"As empresas devem reportar um crescimento A/A no canal online, porém desacelerando em relação aos trimestres anteriores, devido à base de comparação de 2020. Além disso, esperamos ver a rentabilidade pressionada em um cenário macro mais desafiador, juntamente com custos crescentes e um custo por clique mais alto devido ao aumento da competição", dizem.

Ferreira e Li esperam ver tendências semelhantes ao segundo trimestre para o varejo alimentar, com os resultados dos supermercados sendo pressionados por bases de comparação difíceis, especialmente no varejo não alimentar, com a recuperação do consumo fora de casa também sendo um desafio.

"No entanto, o canal do atacarejo deve permanecer sólido, pois (i) a inflação alta favorece a mudança para uma alternativa de canal mais barata, (ii) não possui a base difícil de comparação do segmento não alimentar, e (iii) o canal B2B deve acelerar com a reabertura e vacinação mais ampla. Assim, acreditamos que o Assai deve se destacar positivamente no segmento, com o Pão de Açúcar sendo o destaque negativo", concluem.

 

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