A National Sheriffs’ Association (NSA), entidade que reúne xerifes e autoridades policiais nos Estados Unidos, decidiu abandonar a oposição ao Digital Asset Market Clarity (CLARITY) Act. A associação informou, em carta enviada na quinta-feira ao líder da maioria no Senado, John Thune, e ao líder da minoria, Chuck Schumer, que passou a adotar posição neutra em relação ao projeto que estabelece regras para o mercado de criptomoedas no país.
A mudança ocorre em um momento sensível da tramitação: o CLARITY Act está sob análise do Senado e deve passar por votação de encerramento do debate em 15 de setembro, após o fim do recesso legislativo. Na carta, a NSA afirma que reconhece o trabalho significativo desenvolvido pelo Congresso, pelo governo e pelas partes interessadas para lidar com as questões jurídicas, regulatórias e de aplicação da lei envolvidas no texto.
O presidente da associação, Troy Wellman, e o CEO e diretor executivo, Justin Smith, disseram que, neste momento, o caminho mais adequado é recuar e permitir que o processo legislativo avance para estabelecer uma estrutura regulatória clara e eficaz para o setor.
Da oposição à neutralidade
A NSA era uma das vozes mais críticas ao projeto. Em julho, o grupo manifestou preocupações significativas com relação à emenda que isenta mixers de criptomoedas, serviços usados para embaralhar transações na blockchain, de parte relevante das exigências de registro. Na avaliação da entidade, o dispositivo comprometeria a capacidade de as autoridades rastrearem transações e ativos digitais e recuperarem recursos de vítimas de crimes.
A posição contrária foi reforçada publicamente pelo xerife Jim Skinner, que chegou a afirmar, em vídeo divulgado pela própria NSA, que o CLARITY Act protegia a indústria cripto, e não o público.
CLARITY Act no Senado: pontos de tensão
Aprovado pela Câmara dos Representantes em julho de 2025, o CLARITY Act enfrenta obstáculos desde que chegou ao Senado. As comissões de Agricultura e Bancária aprovaram versões do texto ao longo de 2026, mas parlamentares e grupos de interesse seguem apontando problemas na legislação, como mecanismos de recompensa ligados a stablecoins, o tratamento de ações tokenizadas e possíveis conflitos de interesse envolvendo o presidente Donald Trump e sua família.
Antes do recesso de agosto, Thune apresentou moção para a realização da votação de encerramento do debate em 15 de setembro, assim que os senadores retornarem a Washington. O movimento é visto como uma tentativa de destravar a análise do projeto no plenário.
Reguladores na expectativa
Em agosto, Trump apareceu ao lado dos presidentes da Securities and Exchange Commission (SEC), Paul Atkins, e da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), Michael Selig, além de representantes de empresas de ativos digitais, para defender a aprovação do CLARITY Act. Atkins e Selig, ambos indicados pelo presidente, sinalizaram que as agências podem avançar com a regulamentação de criptomoedas caso o Congresso não aprove o texto.
O cenário mantém o mercado em alerta: uma definição pelo parlamento ou por regras infralegais terá impacto direto sobre exchanges, emissores de stablecoins e demais participantes do setor nos Estados Unidos.





